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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Pronto. Intervalo de estudos e eu resolvi postar no blog. Nada interessante nem no email nem no twitter pra me distrair, entao por que nao ter uma conversa comigo mesmo e lançar isso em rede mundial? Compartir idiotices próprias está na moda. Tem gente famosa por isso. Eu mesmo sou fan da irma Cleycianne, tao ungida, isso sem mencionar na minha atual diva, a Ximbica.

Entao... hoje já li minha porçao de Strategy of Conflict. Esse livro tá que nem "ano Bíblico" - porçoes diárias da Bíblia que os crentes se comprometem a ler. Imprimo algumas páginas todos os dias, e as leio no dia seguinte. Até agora tem sido o livro que mais entendi de teoria de jogos. Talvez porque des-matematize ao máximo a questao. Ou, um argumento contrário, seria dizer que, depois de moer a cabeça entendendo as equaçoes do capeta, meu cérebro ficou tao treinado que o livro do Schelling (o citado acima) ficou fácil de entender. Empolguei tanto com esse negócio que agora nao paro de fazer joguinhos em matrizes e árvores de decisao. Segunda, numa apresentaçao chata durante a aula, criei vários, com destaque para o que chamei de  "The Blood Diamond Game" y "The Italian Restaurant Game". O primeiro trata de uma árvore de decisao que analisa as consequencias de um ator que encontra um diamante. Ele/Ela pode esconder o diamante (tomá-lo para si), arrumar um comparsa para esconde-lo ou ainda entregar para o chefe. O legal é ver como cada opçao era um montao de ramos. Já o outro jogo é bem óbvio. Trata de um casal tentando decidir em qual restaurante ir jantar. Cada um tem uma preferencia. O legal foi ver que, na matriz pelo menos, existe um 50% de chance do casal acabar indo num terceiro restaurante que inicialmente nao figurava na lista de preferencias. É o acordo, o caminho do meio... Claro que o modelo nao comporta - pelo menos nao nesse estágio da análise - coisas como se um dos atores (alguém do casal) exerce algum tipo de poder dominante, ou poder de barganha. Pois uma parte poderia muito bem dizer: ou vamos no restaurante que eu quero ou voce fica sem sexo por uma semana! Aha!... A teoria comporta, sim, esse tipo de situaçao, mas aí traspassa a simples matriz que eu criei brincando.

Hoje é dia de raquetebol. E dia de raquetebol é sempre um dia feliz. Até acordo mais feliz. Porque nao tem nada como misturar uma companhia deliciosamente agradável (R!) com liberaçao de enforfinas (o jogo) e depois mais endorfinas (comida!). Quarta-feira é um dia feliz.

Além das tradicionais e óbvias leituras sobre teoria de jogos e afins, essa semana estou preparando, também uma apresentaçao sobre a Uniao Africana e um modelo de Naçoes Unidas. Confesso que no início eu nao tava nem um pouco interessada em falar sobre Uniao Africana, mas agora empolguei. Principalmente porque resolvi incluir, na lista de assuntos, os tais Diamantes de Sangue. Gente, isso é uma bizarrice. Mesmo com todo um trabalho em cima de regularizar as pedrinhas, ainda hoje estima-se que 60% delas sao ilegais. Já avisei R para que nunca me dê nada de diamantes.Prefiro anelzinho de côco mesmo....

Já o modelo sempre me empolga. Mesmo porque serei o Reino Unido no Conselho de Segurança, ou seja, país que manda, que tem voz. Ontem preparei o discurso inicial e, minha parceira de trabalho, está preparando possíveis cenários que vamos encontrar. E óbvio, já comecei a fazer lobby com os outros representantes.

Hmmm...é isso. Nada mais a declarar. Ou se tiver, eu esqueci.
Uau, adorei perder tempo escrevendo. Às vezes isso me ajuda a ordenar melhor as idéias. E agora, de volta ao trabalho!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Minha Primeira Árvore

Hoje é um dia que, tenho certeza, nunca vou esquecer. Nao porque foi excepcionalmente ótimo, ou porque comi algo maravilhoso, ou mesmo porque tive o melhor sexo da minha vida - apesar de que se fosse o caso, eu nao haveria dispensado! hihihi #Kinky  O dia de hoje foi ordinariamente bom, e extraordinariamente ótimo - desde um ponto de vista bem intelectual - porque neste 22 de Abril de 2010 eu construí minha primeira árvore de decisao!

First things first, vamos explicar que diabus seria uma árvore de decisao, ou como sao conhecidas, decision trees. Talvez ajude olhar a foto ae ao lado, que é um exemplo do que eu estou falando. Estas tais "árvores" nada mais sao do que um processo decisório dissecado em estágios, variáveis, e suas consequencias. Vou exemplificar usando minha própria árvore, que teve um solo ator (eu!), e tres variáveis.

A decisao era uma escolha de sorvetes. Que sorvete Dona Ylana escolheria? As opçoes: McDonalds e Yogen Fruz (yogoberry chileno). As variáveis: preço, calorias e o tempo de exercício gasto para queimar as calorias. Ou seja, no meu exemplo, o sorvete do McDonalds custava X e tinha Y calorias que levavam 50 minutos para serem gastas. O do Yogen Fruz custava X+500, mas possuía Y-200 calorias, levando 30 minutos de exercícios. Com isso definido, montei a árvore. Na verdade montei até duas, porque queria ver se a ordem das variáveis alterava alguma coisa. Nao, nao alteraram. Mas, no final do processo, encontrei um problema. Eu queria ter colocado o sabor como variável, pois além de preço, caloria e tempo para gastar as calorias, a decisao poderia ser afetada pela preferencia relacionada ao gosto/sabor do sorvete. No entanto, meus caros, sabor nao é algo que se quantifique.É igual tentar a medir amor, felicidade e outras coisas abstratas que, por outras tantas influencias como conceitos culturais, é simplesmente pouco útil.

Aahhmmm...onde estávamos? Parei pra ver um vídeo da Morena Baccarin (a Anna, dos V's) no youtube, ae descobri que a Jordana Brewster nasceu no Panamá mas é filha de mae brasileira e fala portugues. Incrível como a pessoa pode ir de teorizar sobre o ato de decidir, baseando-se na teoria dos jogos, à leitora/telespectadora de coisas fúteis, como uma seriado sobre ETs. Nem parece que passou a adolescencia inteira assistindo X-Files! Eu tinha mesmo que começar a ver V? Ah neim...

Entao... eu só queria dividir a imensa alegria que foi construir minha primeira árvore de decisao. Parece incrivelmente fácil e simples, mas eu prometo que nao é. Por isso convido voce, leitor/a do coraçao, a tentar fazer sua própria árvore. Pense algo do tipo, "que roupa usar amanha"? E comece... é bem divertido!

Minha próxima missao é fazer uma matriz. A matriz - a lá Dilema do Prisioneiro* - é mais complicada, porque é um jogo de informaçao completa, aonde os atores conhecem suas respectivas estratégias e as consequencias das mesmas. Só nao conhecem como o outro irá agir! Aha! Por isso amanha é dia de evoluir no jogo.

Ok, chega né. Queria só aproveitar o último parágrafo pra mandar um beijo para R (que continua falando pouco portugues, hahaha), que recebeu meu email comemorativo e me ligou de volta. E um beijo para voces, leitores pacientes, que leram esse blog e tentaram entender. #Atóron!

* Dilema do Prisioneiro é um exemplo clássico - e relativamente fácil - de como funciona a tal Teoria dos Jogos. Quer saber mais? Vai no Google e arrasa, bee!

P.S. Essa mania de ficar mandando beijo, uma coisa meio lembranças do Xou da Xuxa, deve ser porque tou acompanhando umas subcelebridades no Twitter, que mandam beijo pra os sub-seres humanos que se dizem seus fans. #GoFigure

quinta-feira, 25 de março de 2010

Porque a Vida Nao É Lógica

Ao contrário do que ensinam por ae, nao existe lógica nessa coisa chamada vida. E olha que nem precisa pensar muito para arrumar N exemplos. Afinal, quem nao conhece uma amiga que só gosta de quem a maltrata? Essa mesma amiga tem pelo menos uma nobre criatura interessada nela, alguém que lhe daria todo o amor do mundo... mas simplesmente "nao rola". Isso nao tem sentido. E muitas outras coisas na vida nao tem sentido. Como algumas reaçoes do corpo humano.

Há alguma semanas atrás resolvi que ser saudável e comer bem era algo super digno e tendencia, e por isso eu faria uns ajustes de dieta. Com o liquidificador comprado, dei a louca de fazer mil tipos de vitamina. Comprei leite, frutas e aveia. Passei a fazer sucos e vitaminas todos os dias, além de inventar uns almoços vegetarianos como arroz com lentinha (e um monte de outros legumes). Para fechar a onda natureba, abri o frasco de pílulas de óleo de alho, que havia comprado numa dessas lojas que vende tudo natural, e passei a tomar 2 comprimidinhos por dia. A "promessa" era de que o tal óleo de alho ajudasse a melhorar o sistema imunológico, com o qual eu me preocupo sempre, uma vez que sempre tenho ataques de herpes quando abaixam minhas defesas. E assim foi...

Mas, como eu disse no começo do post, a vida nao tem lógica. Poucos dias depois de começar com tudo isso, minha pele ficou horrível, além da eterna impressao de que eu estava engordando. Poxa, aveia nao é pra engordar! Muito menos dar espinha na cara! No entanto, o pior efeito de todos foi uma herpes chata, me pegando de surpresa em plena segunda de manha. Estava dando aula quando saiu. Vim correndo para casa, mas já era tarde demais. Mesmo tomando quase uma overdose de aciclovir, nao consegui evitar duas feridinhas chatas no lábio superior, limitando significativamente algumas das atividades que eu tinha planejado para a semana. Enfim, tava tudo errado!!! Tudo!

Chutei o balde. Ok, nao completamente. Mas chega de quebrar a cabeça inventando mil jeitos de fazer almoços vegetarianos. Voltei a comer no McDonald's, tomar bastante café e nada de me sentir culpada de nao comer uma tigela inteira de salada. Por que? Porque tanto faz! Ah, o mais importante: parei também de tomar as cápsulas de óleo de alho. Fala sério, aquilo é armadilha de satanás! Especialmente se, por curiosidade, voce morder uma e sentir o óleo do alho na boca. O bafo é algo de outro mundo.... #Fail

Assim é a vida, caros leitores... tem coisa que simplesmente nao fuciona. People don't change, já dizia Dr. Casa. Acho que a frase se estende para o corpo. Se até hoje a pele esteve bonita, pra que inventar de melhorar? Parreira tava certo. Nada de mexer em time que está ganhando.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Contraste

Quando eu era criança o dia 24 de Dezembro demorava chegar. Desde o início do mes, quando entrava de férias, começava a empolgaçao. 24/12 era o dia em que chegava meu "irmao", o Éverthon. Chegava com sua respectiva família mais ou menos na hora do almoço. Mal engolíamos a comida e íamos para a garagem jogar futebol, volei e conversar. Mais tarde no dia, depois de cansar de tanto jogar bola, montávamos a árvore de Natal - quando Moms, vencida pelo cansaço da minha insistencia, desenterrava a tal da árvore de algum canto e fazia a alegria minha e do Éverthon. E assim terminávamos o dia, arrumando os presentes debaixo daquela coisa velha e empoeirada, e escolhendo a roupa. Tivemos fases de usar "roupa chique" e outras de nao estar nem ae. Lembro de me sentir hiper cool quando, em 2004, usei a roupa mais velha que tinha pro Natal. Ah, tao confortável! Especialmente naqueles dias, que foi quando comecei a tomar Tegretol (pra epilepsia) e passava o dia "bebada".

Dia 24, a véspera de Natal, sempre foi sinonimo de preparaçao. Enquanto eu jogava bola na garagem, minha vó, tia, tio, mae e pai corriam de um lado pra outro. Sempre tivemos convidados. Muitos deles. Sempre tivemos vinho. O suficiente para que desde os 8 eu começasse a misturar com coca para acostumar com o gosto. E assim eram as coisas...

A gente cresce e o Natal perde a graça. Falei disso no post anterior. No entanto, no meio da bagunça de hoje, nao sinto nostalgia. Claro que curti muito a infancia e adolenscencia...mas passaram! E confesso que prefiro estar aqui no meio das malas, com roupa na máquina sendo lavada e sabendo que minha ceia será resumida a, no máximo, um arroz com strogonoff - que eu mesma vou fazer! - do que sentir aquela obrigaçao de cozinhar pra um monte de gente, arrumar a casa pras visitas, essas coisas. Passar o dia do Natal viajando será uma nova experiencia. Espero que nessa abençoada data (mode Cleycianne on) os aeroportos - os 4 por onde terei que passar - estejam menos cheios; que os voos saiam na hora e, por fim, que tenha um assento livre do meu lado para eu poder esticar as pernas enquanto leio. Preciso chegar descansada pois...este ano, a festa lá em casa acontece no dia 25, aonde um filé gostoso me aguarda, junto com mooiiita gente!

E vamo lá....porque a casa nao vai limpar sozinha...


P.S. Na foto, o céu "natalino"  do Chile...adoro!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sobre Irritaçoes

Sou uma pessoa facilmente irritável - irritante também, diriam alguns. Frequentemente coisas das mais mínimas "me tienen pa el pico" (me deixam P***). O fato é que praticamente todos os dias me irrito com algo ou alguém e eu gostaria muito de poder controlar essa situaçao e me sentir menos desse jeito, porque ficar irritada também me irrita!

Hoje por exemplo. Chego em casa depois de trabalho - umas 10 e pouco da manha - e o Sr. Marido está tomando banho no meu banheiro. Haaaaa....começou! Já reclamei disso aqui antes, mas nao fica velho. Odeio que invadam meu espaço sem minha permissao. O pior é que ele sabe que eu grilo, mas nao tá nem ae. Fico puta porque já que quer tomar banho ae, entao que levante mais cedo e faça isso antes de eu chegar! Simples! Assim ninguém se estressa.

Outro exemplo, minha mae. Mom and Dad estiveram de visita aqui em casa recentemente e devo dizer que apesar de todo amor do mundo que tenho por eles, os dois sabem me irritar como ninguém! Moms, que nao nega a raça em certas ocasioes, é mestre em me criticar. Um diálodo recente:

M: Ylana, e essa bucha redonda de lavar louça? Isso nao presta, compra outra quadrada!
Y: Mae, bucha é bucha! Tanto faz se é quadrada ou redonda.
M: Tanto faz nada. Olha isso, que horrível!
Y: Deixa aí que eu lavo, já que a bucha te incomoda tanto!

Tem também a dose dupla, Mom + Dad.

M: Entao voce vai passar o ano novo na Argentina com aqueles seus amigos gays?
Y: Sim. Depois quero ir direto pro Rio e ficar uns dias lá.
M: Isso vai sair caro, hein!?
Y: Nao se preocupe, nao vai sair um centavo do seu bolso.
M: É bom mesmo, porque nao vou financiar farra nem safadagem sua!
Y: Dá pra gente mudar de assunto já que a despesa nao é sua?
D: Ylana, respeita sua mae.
Y: muda, olhando fixa para a tela do computador e abstraindo...
D (rindo): Filha, porque voce é assim custosa? Por que nao arruma um namorado, casa e tem filhos?
Y: Vou fingir que nao ouvi.

Continuando com exemplos irritáveis, temos Marido (de novo!), tentando disfarçar que nao morre de ciúmes do fato de que Monsenhor Ariel me deu nao só permissao, como total liberdade para usar seu carro quando eu quiser. Entramos no carro sexta a tarde e...

MaRido: Ai meu Deus, eu nem tenho seguro de vida e acho que esse cinto de segurança nao vai bastar.
Y: fazendo a linha "to nem ae", calada...
MaRido: É sério! Alguém ae atrás tem alguma corda pra eu me amarrar aqui? To com medo de morrer.
Y: Mais uma piadinha idiota e eu te faço voltar desse supermercado engatinhando com uma maça na boca! (olhada de morte).

Mas acho que a irritaçao campea dessa semana foi a maldita cera de depilar. Pra essa nao tem diálogo, só monólogo da minha pessoa xingando coisas feias - que nao falaria aqui, tampouco perto de outros humanos, hehe. Auto depilaçao nao é de D-us, nunca foi nem será. É uma atividade para pessoas muito fortes, masoquistas ou simplesmente insanas (com um viés preguiçoso) - Yo. Só digo que o pior nem é a falta juízo de se meter a fazer uma coisa dessas, se auto depilar, e sim fazer a coisa malfeita, pelas metades por falta de cera. Maldito dia que passei na frente da farmácia e nao lembrei de comprar essa m****.

________________________

Milhoes de outras coisinhas me irritam. Coloquei mesmo só algumas recentes que me lembrei.

Enquanto isso, entre um e outro evento irritável, a vida continua. As aulas sao dadas e os papers pedem para ser escritos. A roupa limpa acumula no quarto pedindo para ser passada. E eu? Continuo nessa onda de dormir menos e produzir mais - intelectualmente. A cabeça parece caldeirao de bruxa fervendo, de tanta idéia. Ao mesmo tempo a falta de paciencia está no mais alto dos níveis por esses dias, mas a proximidade do fim do ano me consola. E ae será só alegria...os livros serao lidos, as horas serao dormidas...

Chega!

domingo, 27 de setembro de 2009

Yom Kippur - O Dia do Perdao

"O Dia do Perdão, o mais santo do calendário judaico, é também chamado de Dia do Arrependimento. Marcado por jejum e preces, é o dia de pedir perdão ao próximo e a D'us. O destino de cada um é selado neste dia". (Fonte: http://www.chabad.org.br/datas/index.html). 


De hoje a noite até amanha é o Yom Kippur. Como explicado acima, é o dia de se arrepender. Minha amiga M. Cohen explicou assim: "Sabe como os católicos tem que se confessar toda semana? Entao, a gente passa 10 dias depois do Rosh Hashaná fazendo a lista dos pecados, e chega no Yom Kippur fazemos o jejum de 24 horas e nos arrependemos". Srta. Cohen arrasou na explicaçao. Ficar 24 horas sem comer deve fazer qualquer pessoa pensar nos erros cometidos e provocar bastante arrependimento. 


Eu sempre achei essas coisas uma "canseira só". Nunca jejuei. Pra nada. De fato, sou contra o jejum. Adoro comer. Mas confesso que esse ano estou pensando em aderir a idéia. Tá que eu ainda vou trabalhar e tal e nem sei se vai dar pra ir na sinagoga amanha (fui hoje pelo menos!), mas...vou tentar me abster de alimentos e pensar nos meus pecados. O duro é que ando me achando bem santinha. Ainda bem que as preces dessa data incluem os pecados intencionais e os nao intencionais. Hmmm.... Ah, de acordo com a tradiçao, deve-se pedir perdao para alguém que voce sabe que machucou.


Interessante o Yom Kippur cair bem nesse finalzinho de fim de semana. Sexta-feira/sábado tarde da noite/de madrugada, passei um tempao no telefone com Dona S. Conversamos sobre algumas coisas do passado. Esclarecemos histórias cabeludas. Creio que chegamos muito perto de entender o que passou de verdade, já que antes havia uma personagem interlocutora que transformava os fatos em mentiras, das mais bizarras. Nosso papo rendeu, e dormi muito bem depois.


Sábado foi gostoso também. Passei um bom tempo lendo sobre o arrependimento e tal, mas a tarde me juntei com Jess e mais uma galera na Parada Gay. Ou melhor, aqui em Santiago nao tem isso...aqui tem "Marcha de la Diversidad Sexual", hahaha... Minha primeira vez apoiando minhas queridas amigas beeshas y sapas, assim, tao publicamente. Me diverti horrores, cantando, pulando e literalmente levantado a badeira do Arco-Íris (comprei uma pequenininha, hehe)...Encontrei amigos, conheci mais gente. E terminei comendo chorrillana num bistro super lindinho.


O domingo chuvoso foi de reflexao também. Grilada pela falta de açao do meu grupo de estudo, liguei pra Jess e fomos comer pizza. Comemos muito. Falamos também. Contamos piadas...e causos da vida. Passado de novo. Burradas. A velha pergunta, "como eu fiz isso um dia?"....arrependimento. Acabei o dia na sinagoga, cumprindo o dever religioso.


Será que vou conseguir passar todo esse tempo sem comer? Provavelmente nao. Mas o importante é que vou tirar essas próximas horas para pensar nas pessoas a quem devo desculpas sinceras. Uma já me vem a mente. E como eu gostaria de lhe escrever um email e pedir perdao! Confesso que nao tenho coragem. Duvido que ele me perdoe um dia. Honestamente, nem sei se ele deveria. Fui a pior amiga que poderia ter sido, sacaneei, traí sua confiança da pior maneira possível. Ah, mas eu me arrependo...como me arrependo! Esse ano ainda nao tenho coragem de lhe escrever....vai ficar no pensamento, no inconsciente coletivo. Quem sabe ano que vem...



Bom Yom Tov!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Citaçao...

Durante a leituro do livro "Quando Nietzsche Chorou" fiz várias anotaçoes das falas, frases, idéias, que me chamaram atençao. Nos meus livros eu rabisco mesmo mas, como este era emprestado, tive que anotar à parte. Hoje, revisando o que foi escrito, encontrei uma das minhas favoritas, e gostaria de dividir com os senhores.

"Para relacionar-se plenamente com o outro, você precisa primeiro relacionar-se consigo mesmo. Se nao conseguirmos abraçar nossa própria solidao, simplesmente usaremos o outro como um escudo contra o isolamento. Somente quando consegue viver como a águia, sem absolutamente qualquer público, você consegue se voltar para outra pessoa com amor; somente entao é capaz de se preocupar com o engrandecimento do outro ser humano" (p. 372)

Esta é uma fala do Nietzsche ao Doutor Breuer, seu médico e amigo na trama. Achei de extrema sabedoria quando ele coloca esta idéia de que é preciso se conhecer, é preciso relacionar-se consigo mesmo para poder se preocupar, de fato, com uma outra pessoa. Creio que esta idéia possa ser muito bem aplicada em relacionamentos de amizade e amorosos também. Ao dizer "torna-te quem tu és" Nieztsche desafia seus leitores a olharem para dentro e si e descobrirem o que sao, quem sao.

Quando comecei a fazer terapia há alguns anos atrás, logo percebi que o fato de entender a si próprio tem um poder maior do que podemos imaginar. E apesar de ser necessário que nos relacionemos com outras pessoas - em diferentes níveis - para termos espelho, para podermos nos enxergar, a solidao, o ficar sozinho, é essencial para que alguém possa olhar para dentro e se reconhecer em si próprio.

Nestes tempos de correria e agenda cheia, respiro fundo quando sento na frente deste computador e simplesmente registro meus pensamentos, devaneios... Outras vezes, em momentos de puro ócio (meio raros ultimamente), viajo nas idéias mais malucas. Conjecturo sobre a vida. A minha, a dos outros...a dos amigos.... penso sobre a saudade, penso sobre relacionamentos. Penso se eu estaria pronta para encarar outro. Será que eu tenho vontade? Ainda bem que pra este quesito me falta pressa... sim, me falta pressa. Seria esta atitude algum sinal de maturidade? Estaria eu renunciando, pelo menos momentaneamente, às outras possibilidades, para terminar o processo de auto-reconhecimento?

Dificilmente é possível nos isolar de tudo e enfrentar a mais pura solidao. Mas j­á disse antes nesse blog, é algo muito saudável. Viver a companhia das pessoas após ter atravessado este "vale da sombra da morte" me faz sorrir docemente de alegria.

Termino com outro pensamento de Nietzsche que se encaixa com o sentido que estou tentando dar a este post:

"Quem nao obedece a si mesmo é regido por outros" (p. 240)

=)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Começando...

Comecei 2009 comendo... comendo muito. Nao bastasse a tradicional comelança que envolve a tal ceia de Ano Novo + viagem à casa dos parentes, logo na manha de segunda-feira (dia 04, primeiro dia útil do ano), fui presenteada com um café-da-manha VIP. Srta. F, que por algum milagre de Deus levantou-se antes me mim, gentilmente preparou french toast (torrada à francesa) e um mocaccino de primeira classe. Muito, mas muito chocolate nesse mocca. E muita, muita maple syrup* nas torradas. Ainda bem que nas minhas promessas de ano novo nao tinha nada do tipo "emagrecer"!

Hoje de manha fiz yoga na beira da piscina e aproveitei pra meditar. Olha, eu bem que tentei, mas o sol tava tao quente que ficou meio difícil. Mesmo assim foi bom. Suei como nunca e isso, é claro, me faz sentir que nao foi só uma prática básica, e sim um exercício de fato.

Entre leituras, devaneios e conversas, um certo gastrologista me fez esperar umas duas horas até que Srta. F pudesse ser atendida. Enquanto isso ficamos trocando idéias. História daqui, história de lá.... até que começamos a discutir sobre o vazio do Eu. Conceito sobre o qual tenho pensado bastante, desde que li o livro Filosofia em Comum. Nao sei se entendi bem o que a Márcia Tiburi quis dizer mas, ao pensar sobre o assunto, cheguei àquela conclusao nao muito difícil de que... o EU, puro e simples, é um ser pobre e, honestamente vazio. Deixa eu tentar explicar.

O EU é composto de experiências, das trocas feitas ao longo da vida. As pessoas que estao ou estiveram presentes naquilo que denominamos existência sao as responsáveis por dar a tonalidade do EU. Particularmente eu percebo isso no uso da linguagem. Comigo basta conhecer alguém novo e gostar de suas gírias que eu tendo a imitá-las. Com outras línguas é o mesmo processo. A tendência é imitar a melodia da voz, falar igual, usar as mesmas expressoes. Imagino que o mesmo aconteça com o comportamento. De maneira inconsciente ou nao passamos a copiar aquilo que achamos bonito ou legal, fazendo nosso aquilo que é do outro, imprimindo em nós um desenho que nao foi gerado dentro do tal "EU".

Se pensarmos essas experiências como tatuagens, podemos imaginar um corpo coberto por desenhos, dos mais diversos tipos. Mas, ao usar o exemplo das tatuagens, deve-se destacar que, a priori, todas elas sao de henna. A própria dinâmica da vida faz com que alguns desenhos permaneçam e outros fiquem.

Enfim.... a conclusao, como eu disse, nada muito inovadora, é que ninguém consegue ser EU sem ser parte dos outros também. Somos a soma daquilo que escolhemos absorver, consciente ou inconscientemente. O "ser eu mesmo/a" implica em sintetizar tudo aquilo que vimos, ouvimos e experimentamos, adicionar a nossa essência (essa sim, original) e assumir o resultado.

Será?

Este raciocínio, creio, fica evidente quando somos chamados a descrever-nos num profile de Orkut, por exemplo. Para este espaço, portanto, encontrei as palavras perfeitas:

"Do que posso dizer de mim, há sempre algo que resta, que sobra, algo que é 'nao-dito'. Sou, por isso, a minha própria incógnita".

(Márcia Tiburi)




* Maple syrup é tipo um melado extraído das árvores de Maple, muito abundantes no Canadá. É melhor apreciada com torradas ou panquecas matutinas, aquelas que a gente vê em filme, que o mocinho faz na manha seguinte após ter traçado a mocinha.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Running Away Will Never Make You Free

Goiânia está levemente diferente. Bastaram 4 dias fora para eu voltar e encontrar uma cidade chuvosa. Muito atípico! Os semáforos da T-9, antes muito bem sincronizados, agora já nao se comportam mais assim. Malditos! Outros semáforos, como um da 85 e outros na Araguaia também nao funcionam como antes. E, pra completar o show macabro, apesar de toda essa chuva nao faltou luz no Setor Jaó!.... weird!

Mesmo com estas pequenas mudanças no status quo, o resto parece normal. E... isto é ao mesmo tempo reconfortante e nao. A ilusao de estar na cidade grande, num ritmo intenso de vida, me deixou animada. Centrada também. Encarar a solidao no meio de 20 milhoes de pessoas nao é algo que me acontece todos os dias. E eu gostei. Voltei a gostar da solitude e a conviver bem com a solitudine. Tem algo de libertador em sentir-se só em meio à multidao. E por isso que voltar para casa, mesmo que os semáforos tenham mudado de sequência, provocou uma ponta de desespero.

Foi importante ir pra Sao Paulo desta vez. Ouvi de alguém que eu sou "sincera demais" e que "pessoas assim têm dificuldades no mundo corporativo". Minha resposta foi, "só no mundo corporativo?". É.... tá na hora de começar a aprender a mentir. Estranho isso... passei os últimos anos largando de ser vigarista e canalha, aprendendo a nao mais enganar ninguém, coisa que eu sei que fazia muito bem. Mas nao tá dando muito certo nao...
Essa mesma pessoa me disse que eu também precisava me definir melhor. Interessante que assim que ela falou a frase eu tive um insight. Daqueles que mudam a cabeça da gente, sabe! Incrível. Quase respondi, "valeu, acabei de entender tudo!". E eu entendi mesmo. Entendi um monte de coisa. Foi muito bom!

Continuo lendo "As Consolaçoes da Filosofia". Quase no fim já. Que livro bom! Nao lembro qual foi o último livro que me deixou assim, vidrada. Com dó de terminar porque nao vai ter mais!

Ai, ai....o estômago dói. Talvez a gastrite tenha voltado. Resolvi comer bem pouco por uns dias. A dor de ficar sem comida é mais suportável do que àquela provocada pelo sofrimento derivado da satisfaçao deste desejo tao primitivo.

Cheguei no trabalho hoje e logo de cara vi uma frase fantástica, dessas pra gente refletir. Li e adorei. Foi como uma resposta a questionamentos recentes.
"RUNNING AWAY WILL NEVER MAKE YOU FREE"...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Sao Paulo - reflexoes

Sao Paulo é correria. As pessoas andam rápido, como eu. Gosto disso. Sabem pra onde vao e nao tem tempo a perder. Nem olham pro lado. Ignoram o céu cinza que paira sobre suas cabeças e seguem seu caminho.

Em Sao Paulo eu sempre como demais. Bem mais do que deveria. Talvez como uma compensaçao à frustraçao de ter que aguentar transito e outras coisas, eu desconto comendo. É pizza, sanduiche (aqui eles dizem lanche), coxinha, tudo o que vier.

Sao Paulo é cinza. Nao só o céu, mas os carros também. Observei isso na rua. O tanto de carros da cor prata e cinza, tudo blasé...argh...

Sao Paulo também é um excelente ambiente para aqueles que nao querem pensar. Aqui a gente se distrai fácil. É o transito e as dificuldades de transporte, é o cheiro do tiete ou quem sabe o charme de um café expresso apreciado às 6.30 da manha na Av. Paulista. O fato é que... pensar pode, tranquilamente, ficar em segundo plano.

E foi aqui em Sao Paulo que eu comecei a ler o livro "Consolaçoes da Filosofia", do Allain de Bottom, também autor de "A Arte de Viajar", que eu adoro. Livro este que veio em muito boa hora. Quase uma auto-ajuda filosófica, haha! Que nada... o livro apresenta idéias de filósofos que poderiam ser usadas para, quem sabe, nos consolar de certas coisas, seja impopularidade, frustraçao...até coraçao partido.

Sao Paulo me traz um mix de tristeza com esperança. Interessante como isso funciona. Acho que depende da hora do dia ou da parte da cidade em que eu me encontro.

Foi aqui em Sao Paulo que ontem, enquanto eu esperava minha prima na frente de um terminal de onibus, um estranho da rua chegou pra conversar comigo. Eu, por incrivel que pareça, dei papo para o estranho. Quase no fim da nossa conversa esse estranho virou pra mim e falou coisas da minha vida. Coisas pessoais. Que ele nao poderia ter adivinhado. Foi estranho, no mínimo. Fiquei impressionada....ainda estou... será que eu deveria estar impressionada? Nao foi simples coicidencia?....bem, a vida continua enquanto eu tento rebater o que o estranho me disse usando um pouco de lógica que ainda me resta.

Amanha eu vou embora de Sao Paulo... como será que vai ser voltar à Goiania?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Sabedoria de boteco, acompanhada de uma leve dor de cabeça

Minha cabeça dói. E já fazem algumas horas que assim é. Resolvi nao tomar remedio. Coisa rara, pois eu sempre apelo e logo tomo remédio. Mas hoje nao. Hoje eu resolvi aguentar a dor de cabeça...

Sem muito o que fazer passo o olho no meu blog. Que desinteressante, penso. Talvez porque eu tenha resolvido parar de contar o que realmente se passa comigo. Sim, parei de expor muita coisa. Por que? ....sei lah...tem coisa que é melhor a gente nao falar.

Há dias venho querendo colocar umas citaçoes aqui. Das tantas leituras feitas neste passado recente, tenho anotado trechos de livros de teoria das Relaçoes Internacionais que, em minha opiniao, poderiam se aplicar perfeitamente aos indivíduos. Bem, grosso modo, as relaçoes internacionais nada mais sao do que relaçoes entre indivíduos de diferentes Estados. Ou seja, nada mais óbvios do que os relacionamentos apresentarem analogias.

Uma coisa que acontece muito na vida é a tal da incerteza. Raymond Aron, ao teorizar sobre a guerra, disse que "nunca será possível eliminar a incerteza que decorre da imprevisibilidade das relaçoes humanas". Mesmo que o indivíduo conheça todos os fatos, ainda existe espaço para o tal elemento surpresa. Aceitar esta idéia pode implicar em uma certa "liberaçao", fazendo com que a pessoa se liberte, pelo menos parcialmente, do medo daquilo que nao pode prever. Ou, pelo contrário, este medo pode ser completamente aprisionador (existe essa palavra?), pois sempre haverá quem nao tome iniciativa por medo de nao dar certo. Seja essa iniciativa relativa à vida pessoal, profissional ou quem sabe somente relacionado à iniciativa de fazer um arroz para o almoço.

Raymond Aron também colocou que "o insucesso é instrutivo porque é definitivivo e, por assim dizer, evidente". O que será que ele quis dizer com isso? O que o senso comum diria que "nao adianta queimar vela para defunto ruim"? O duro é saber se o defunto é, de fato, ruim. Ou até quando se pode apostar que uma situaçao de insucesso possa virar. Novamente esta idéia se aplica a várias esferas da vida.

Fecho a sessao das citaoes com Montesquieu, que em seu Espírito das Leis escreveu bem assim: "O direito das gentes se baseia neste princípio: as várias naçoes devem fazer-se mutuamente o maior bem possível, em tempo de paz, e o menor mal possível, durante a guerra, sem prejudicar seus genuínos interesses". Agora troque a palavra naçoes por pessoas, e teremos uma bela liçao de moral para relacionamentos humanos de qualquer espécie.

Tentando articular todas as três idéias apresentadas, eu diria que: a incerteza é inerente à vida e às açoes de todos os indivíduos, estejam eles conscientes ou nao deste fato. A taxa de sucesso advinda das açoes tomadas pelo mesmo, muito dirá sobre a habilidade deste indivíduo em lidar com os maiores ou menores graus de incerteza e, caso haja um superávit de insucesso, este deve ser visto como uma informaçao reveladora. No entanto, seja como for, as pessoas envolvidas devem, no fim das contas, ter em mente que na vida, de modo geral, deve-se buscar o maior bem possível quando estamos em paz, e fazer o mínimo possível de mal àqueles com quem nao estamos exatamente em paz.
Ok, ok....bem óbvia essa conclusao, né! Também achei, mas.... também pode ser revelador pensar sobre isso. No meu caso, me coloca pra fazer um balanço das minhas relaçoes, e a partir daí procurar possíveis soluçoes para problemas.

Racionalizei demais? Viajei demais?..ah, sei lah....deve ser esse tanto de teoria misturada na cabeça. Espero que tanta "viagem" de alguma coisa valha na próxima segunda, quando estarei em Sao Paulo fazendo a prova escrita da 3a. fase de seleçao para o mestrado do San Tiago Dantas.

That's all for now!

=)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Feliz Ano Novo = ShanahTovah!

Ao pôr-do-sol de hoje, 29 de Setembro, inicia-se o Rosh Hoshana, também como o "ano novo judaico". Sem entrar no mérito do que significa ou nao esta data, ou como ela surgiu, quero falar sobre a idéia de "ano novo" em termos mais gerais e nao religiosos.

No último dia 1 de Janeiro iniciou-se o ano de 2008. Que ano chato, meu Deus! Nao me recordo de ter tido um ano tao difícil. É claro que a gente passa por momentos difíceis na vida, fases, etc. Mas quando esse tipo de coisa dura muito, muito tempo, enche o saco. Eu estou doida para que 2008 acabe logo. 2009 deve ser melhor...

Ano Novo parece ter esse efeito. De reavaliaçao da própria vida. O que eu fiz neste ano? Viajei, trabalhei, namorei? Contribuí para o mundo de alguma forma? Ou, numa escala menor, as minhas escolhas e atitudes contribuíram para a minha própria felicidade?...... todas estas sao perguntas que, hoje, para mim, sao difíceis de responder. Nao porque nao haja resposta, mas porque as respostas nao sao exatamente as que eu gostaria de ter.

Junto com o clima de auto-análise, coexiste o clima de promessas. Se bem que nesse quesito eu prefiro o termo em inglês, as famosas "new year resolutions". Tô aqui tentando lembrar quais eram as minhas resoluçoes no dia 1 de Janeiro. Eu nao escrevi, ou seja, só lembro da idéia geral. Mesmo porque nesta data eu estava muito doente para pensar em qualquer coisa séria.
Portanto, neste ano de 5769, teria eu alguma resoluçao a fazer?

Sim. E apesar da resposta ser relativamente simples, o cumprimento da mesma nao é. Eu só quero voltar a ter paz e ser feliz como era antes. Eu acredito que somos capazes de construir nossa própria felicidade, que seria uma consequência de nossas escolhas e atitudes. Num passado recente eu, muitas vezes mas nem sempre de boa fé, fiz escolhas que recentemente me trazem angústia e sofrimento. Nao quero dizer com isso que eu virei uma pessoa infeliz e depressiva mas, estes momentos tem se igualado e em alguns dias até superado aqueles felizes. E pra mim isso nao tá bom. Eu quero uma equaçao desigual aonde a minha paz e felicidade supere o resto.

Nao adianta culpar os outros pela nossa infelicidade. É claro que as pessoas, e as interaçoes entre elas geram efeitos, e esses efeitos apresentam resultados diversos. Mas no fim do dia nós somos responsáveis por aquilo que cativamos, por aquilo que escolhemos. Entao será que o segredo da felicidade é assumir a responsabilidade pelas nossas escolhas e encarar as consequências das mesmas?.....talvez....no dia de hoje eu acredito que sim. E hoje eu escolho ser feliz.

Shana Tova para todos!!

(só pra deixar claro, a pronúncia da expressao acima é: Shaná Tová)....


P.S. É bem provável que o A Fim De Que passe uns dias em recesso....só avisando...

P.S.2. Ah!!! Lembrei! No começo de 2008 eu disse que este seria o "ano da decisao".

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Sobre os Problemas e o Sucesso

Esta semana, de poucos post, tem sido uma com questoes filosóficas importantes. Entao, por que nao falar disso?

1. O sucesso de muitas coisas pode ser medido em sua capacidade de resoluçao. Esclarecendo... pode-se medir o sucesso de um relacionamento (amoroso, de amizade, etc) se as partes envolvidas foram hábeis o suficiente para resolver os problemas de maneira efetiva. Veja que estou falando de resoluçao efetiva, e nao de simples "contornos" ou "fugas". É aquele velha história que, "o casamento fica mais forte depois da crise", como disse a professora TM (ex-orientadora de monografia).
- Tenho pensado nisso. Acho que é assim mesmo.... os resultados falam por si mesmo. Resta agora analisar a minha própria capacidade de resolver meus próprios problemas. Hmmm!!...esse deve ser outro problema! hehehe...

Entao, faz sentido?

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

The Ghost-fighting Aftermath

O dia hoje começou comigo acordando as 6.50 da manha, bem antes do que eu tinha previsto. Nao conseguia dormir. Sonhei coisas chatas e acordei cansada já. Forcei um café da manha, que desceu doído. Minha garganta estava fechada. Nao conseguia concentrar em nada, fazer nada. O coraçao a mil. Às 7.30 da manha eu era a personificaçao da palavra "ansiedade".

Eu nao aguentei. Liguei. Fui atrás. Como eu disse ontem, nao sou de fugir. E daí que era um fantasma do passado? Eu nao fico bem quando ignoro as coisas. Fico matutanto mil possibilidades na minha cabeça, imaginando cenários, e em vez melhorar, isso tudo me deixa bem mal. Entao eu encaro. Prefiro muito mais uma briga sangrenta do que uma fuga espetacular. Dei minha cara a tapa!

Foi interessante. Nao foi ruim. Encontrei um pessoa tao assustada quanto eu. Uma pessoa que me olhou de um jeito curioso, como se quisesse descobrir o que estava lá, decifrar algo que nao entendia. E assim passamos algumas horas....tentando se decifrar.

Foi muito bom. O dia terminou bem. Muito bem. Tipo... com uma conversa que com certeza duraria mais uma semana, hehe. Porque é assim... tem gente com quem a gente sempre tem assunto. E, como me foi dito, "é aquela pessoa com quem você quer estar 24hs, mesmo que seja brigando!"...

O futuro? Nao sei. Nao tenho a mínima idéia. Eu jogo limpo. Ou melhor, nao jogo. Sou sincera. Admito tudo, mesmo aquilo que todos me dizem para nao admitir. Eu conto. Conto tudo também. Meus abusos, meus tropeços. E por isso que, mesmo com medo do que vem daqui pra frente, me sinto mais confiante que o final possa ser, de fato, feliz, e nao mais uma tragédia no estilo novela mexicana.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

"Mi cielo está cansado ya de ver la lluvia caer"

Eu levanto cedo. Eu estudo. Eu programo as minhas horas. Leio pouco mais de 80 páginas em mais ou menos 150 minutos, descontando os intervalos. Isso dá uma média de 1,87 minutos por página. Nada mal.

Eu continuo tentando ler. Eu me programo para prestar atençao. Faço todo o esforço do mundo para espantar pensamentos. Nao quero lembranças, nem boas nem ruins. Nao posso me dar ao luxo de ser tomada por elas porque apesar de parecer muito, 80 páginas por dia ainda é pouco.

Finalmente paro pra comer. Nem só de letras vive a minha pessoa. De panqueca também. Droga! Tempo livre! Tempo pra pensar....por isso eu ligo a televisao. E assisto o time de basquete feminino levar uma lavada das australianas. Coitadas!...

Aproveito o tempo para andar a toa pela casa. Tomar posse novamente, depois de estar ausente. Durante o dia sou eu quem manda aqui. Moro sozinha por várias horas e me aproveito disso. Nao tenho medo de fantasma nem de ladrao, mas sou atormentada por espíritos presos na minha química cerebral. Espíritos que se recusam a ir embora. Ou a me deixar ir.

E essa situaçao toda me faz desejar ir embora. Embora para qualquer lugar. Com muita gente, com muita coisa pra fazer. Com muito problema pra eu resolver, coisa nova pra descobrir. Mas eu sei que eu nao vou mesmo... pelo menos nao agora. Entao só me resta ficar aqui, em companhia das assombraçoes. Das mensagens e ligaçoes nao retornadas, dos emails enviados e nao respondidos, dos outros escritos e nao enviados. De tanta coisa que eu queria fazer mas nao vou...

Ainda bem que existe a porcaria do trabalho para me ocupar algumas horas nesse dia, já que eu nao nasci mesmo pra estudar!



P.S. Título do post tirado da música "Inevitable", da Shakira.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

È Finito Oppure No?

Andar de madrugada na cidade sempre me fascinou. Talvez porque provoque sentimentos paradoxais. Ao mesmo tempo em que tudo é calmo e "perfeito", tipo...o transito flui e nao está calor, existe um feeling de desespero. Porque tudo parece abandonado e somente poucas almas perdidas, como você, vagam pelas ruas. A escuridao e o ar fresco reforçam estas impressoes.

A semana termina hoje. E com ela terminam outros 8 dias que passei desde a chegada das férias. Foi uma semana muito interessante. Infelizmente nao posso expor detalhes. Mas... foi como voltar no tempo e tentar consertar aquilo que saiu errado. E é assim que vou confirmando minha teoria de que aprender com os próprios erros é muito mais difícil do que parece. Nao é natural! Exige esforço consciente. A tendência é sempre repetir, fazer de novo. O bom dessa teoria é que nao diz que esse negócio de "aprender" é impossível.

Enfim...as gestalts estao aí para serem fechadas. Algumas já foram, e outras começam agora. Fechamento de ciclos é sempre algo complicado. Dói. Exige tomada de decisao. E nem sempre o seu timing encaixa com o de outrem que você queria que encaixasse. Mas realmente nao tem outro jeito, nao existe outra opcao além de seguir em frente e adotar a política "do what you have to do". E a pergunta que resta é: "è finito oppure no?"

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Adaptaçao / Allegro con brio

Ok. Entao aconteceu. A batalha final acabou acontecendo mais cedo do que eu previa. Na realidade, enquanto eu escrevia o post de segunda-feira mal sabia que as coisas caminhavam num rumo um tanto inesperado.

Ainda nao é hora de cantar vitória. Pra falar a verdade nao sei se cantar vitória seria saudável senao somente daqui uns 2 anos, quem sabe. Lembrem-se que eu sou daquelas que apregoam a eterna impossibilidade de garantir e oferecer garantias, ou seja, "cantar vitória" poderia ser um erro fatal. Portanto nao pretendo cometê-lo, muito menos agora. A fase agora é de adaptaçao.

Emprego novo começando hoje, conversas familiares acontecendo e, de certa forma trazendo evoluçao; emprego velho sendo mantido também. E claro, principalmente, muita atençao às situaçoes novas. Eu também estou me adaptando.

O "inimigo" pode ter se afastado, pelo menos momentaneamente. Mas nada garante que ele nao esteja somente escondido em algum matinho por ai, se preparando para uma possível insurgência ou contra-ataque. É vital estar alerta. E estar alerta o tempo todo. O complicado é manter o nível de alerta no vermelho enquanto se tenta reconstruir o que está destruído. Fazer análises do que vai ter que ser jogado fora, do que pode ficar, etc. Manter esse clima de esperança de melhores dias enquanto existe uma equipe fazendo a segurança do perímetro, observando e analisando cada movimento, estranho ou nao. No momento todo o cuidado é pouco.

A novidade é algo interessante. Por mais que você possa almejá-la, é sempre um feeling um tanto distinto quando você a possui. Mesmo sabendo o que fazer... é aos poucos que a ficha vai caindo, e que você percebe que agora é pra valer. Acabou a brincadeira.

"O que temos hoje, dia 16 de Abril já é muito", me foi dito. Eu acredito. E concordo. Mas também acredito que é só o começo, e tem que melhorar. Mas é claro...eu mesmo digo que "nao tem nada melhor do que um dia depois do outro". E ainda acho que estou certa. Ao julgar pelas últimas 48 horas eu estou certa sim. Entao tomara que eu continue certa....e que só melhore daqui pra frente.

Música do dia: Sinfonia no. 3 "Heróica", primeiro movimento. Allegro con brio.
By: Ludwig Van Beethoven.
 
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