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segunda-feira, 21 de março de 2011

A Crise do Proletariado Educado

A mudança de trabalho, somada ao fato de que recebi visita por uns dias, atrasou minha volta à este espaço. Gosto de escrever, mas tem que ter clima. E a verdade é que quando voce passa o dia na frente de dois computadores e depois chega em casa e tem que fazer a social com a visita - que sim, é muito gente boa - no fim da noite já nao sobra muita inspiraçao. Portanto...vamos ao resumo do que passou desde o dia 3 de Março, o dia em que comecei a trabalhar na Oracle.

O primeiro dia foi num hotel. Eles chamam isso de induçao. Eu fiquei brincando, dizendo que era a abduçao. Na verdade tudo parecia um mix de primeiro dia de colégio militar dentro de um cenário aonde os personagens foram tirados da série Big Bang Theory. De 30 pessoas que eu contei, só 4 eram mulheres. Duas delas técnicas...ou seja, nerds e nao muito bonitas - pra nao esculachar e dizer que eram bem feiosas. As outras duas... eu a secretária éramos as outras...e, neste contexto, me senti bem bonita e gostosa. Foi meio entendiante, mas era parte do jogo.

Em vez de encher o texto de mera descriçao dos acontecimentos, vou partir logo pra dizer o que aconteceu, emocionalmente falando, nestas duas últimas semanas. Porque afinal os fatos sao como sao...e o que fica é como voce se sente/sentiu a respeito.

O clima e as pessoas da Oracle me pareceram ótimos desde o primeiro minuto. O problema era/tem sido o que se passa dentro da minha cabeça. De repente, ao encarar a realidade do que consiste este trabalho, eu comecei a me questionar. Teria eu perdido tempo nos últimos 6 anos que gastei estudando política internacional, teorias e coisas do tipo para terminar trabalhando numa empresa multinacional de tecnologia de informaçao? Uma empresa que, honestamente, nao se interessa pelo debate teórico neo-neo, ou mesmo com as consequencias do atual desmantelamento das estruturas políticas do Oriente Médio. Eu passei um tempao tentando decrifrar tudo isso pra terminar sentada num cubículo tentando entender problemas técnicos e ajudar clientes? Confesso, bateu um desespero.

Mas a pergunta principal e óbvia: por que eu mudei entao? A resposta, também óbvia: porque me pagam o dobro! E supostamente, numa empresa desse tamanho, existem melhores chances de crescer profissionalmente. Eu poderia ter continuado tranquila fichando bandidos fraudulentos... mas o dinheiro da Oracle paga alguns dos meu luxos, como uma academia fina e personal trainer. Com esse dinheiro eu posso, finalmente, ser independente e nao ter que gastar mais nenhum centavinho que nao fui eu que ganhei. E além de pagar minhas contas e meus luxos, eu posso "me dar o luxo" de investir em açoes da própria empresa, que compro com desconto.

E assim, racionalizando, passei a primeira semana. Fiz uma retrospectiva das grandes mudanças da minha vida. Sempre sofro no começo. Mas sei que nao é porque sou fraca - apesar de sempre achar que poderia ser mais forte. Dizem que mudança de emprego, assim como um divórcio ou uma casa, estao no topo da lista de geradores de maior estresse. Dentre essas opçoes, fico com a primeira. Melhor assim que um divórcio.

Claro que sentir-se um peão nao era algo com que eu estivesse acostumada. Além de toda a burocracia. Numa empresa com mais de 100 mil funcionários é lógico que as coisas devem seguir passos pré-definidos. Mesmo que estes passos signifiquem uma espera longa e, como dito, uma tremenda burocracia. Precisa de um mouse novo? Ah, entra no portal e pede um. Seu gerente aprova... tudo passa por um processo até chegar na Dell nos EUA e de lá eles te mandam seu mouse. Coisa similar com senhas e acessos aos milhoes de sistema que eu ainda nao sei bem para que funcionam, mas sei que preciso poder ter acesso a eles. Bem vinda ao mundo Oracle, com todos os seus portais, processos, senhas e nomes de usuário. Bem vinda ao mundo proletário. De agora pra frente é acordar de manha, ir para a fábrica, apertar parafusos - porque sim, o trabalho é bem mecanico - e depois sair de lá, repetindo para si mesma, como um mantra, que vale a pena porque no fim do mes eu poderei olhar para a minha conta e sorrir sem muitas preocupaçoes. Será? Bem vinda a alienaçao e ao emburrecimento que a vida proletária inevitavelmente nos conduz.

Talvez eu esteja fazendo muito drama. Fruto de todas essas reaçoes causadas pela mudança. O Sr. Bobinho nao esteve disponível para ouvir meus lamentos. Ele tem estado preocupado com suas próprias coisas.... graças a Deus por Dona Let e Pedrinho, que estiveram disponíveis pelo Gtalk.

Imagino que o Sr. Marx, quem eu já tanto critiquei/critico e praguejei, teria uma pontinha de orgulho de mim. Eu finalmente entendi o que significa a alienaçao do proletariado. E sim, meus amigos, eu sofro com isso. Eu sofro porque nos últimos tempos eu quis construir parte da minha identidade basada nessa história de que eu, dona Ylana, era/sou uma intelectual. Que a parte mais fantástica do meu corpo nao é minha bunda (LOL) e sim meu cérebro. E agora assim, por dinheiro, eu chuto o balde e mando o cérebro descansar. Já nao preciso muito dele. E por isso o momento de despero aonde me pergunto/perguntei: e agora, quem sou eu?


Como eu disse ali em cima, talvez eu esteja fazendo muito drama. Melhor aceitar o que disse a Lais: "fica quieta, voce tá ganhando bem". Essa é a vida adulta....e a vida adulta, no meu caso, é proletária.

Espero, sinceramente, que o dinheiro que devo receber daqui uns poucos dias, ajude a acalmar essas inquietudes tao incomodas. O dinheiro, eu sei, nao vai comprar minha felicidade. Mas vai pagar os restaurantes que eu quero ir, a academia phyna e o personal trainer, futuras férias na Europa e no Caribe, e... muito provavelmente vai acabar pagando a terapia também.

Enquanto isso eu me contento lendo livros...e pensando que assim eu mantenho algo que ainda me resta de intelectualidade. Como se isso fosse grande coisa...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Como Mandar Tudo pro Inferno em 15 minutos...

Disclaimer:
Este post nao serà escrito desde o meu computador...por lo tanto, aviso que a pontuacao e ortografia està zuada.
OK, vamos là...



Imagina que è um lindo sàbado de manha. O sol brilha là fora e seu quarto jà està um forno, fazendo que a cama nao seja mais algo confortàvel e aconchegante. Voce levanta pilhada, come um yogurte ràpido, revisa os email. Coloca short, top, blusa especial me malhar e tenis. Enche a garrafinha de àgua e vai feliz para a academia.

Là voce faz aula de Body Pump, aonde para cada mùsica existe uma rotina de repeticoes para um grupo muscular. Voce ama essa aula e, depois de pegar muito peso, suar e sofrer, sai feliz. Pronta para tomar um banho, sim? Naaao. Por que? Porque o dia està sò comecanco.
Depois de uma aula de Pump è hora de se juntar com a Carlita, amiga do trabalho que comprou uma promocao (desses de site de coupon) para uma aula de Kagoroo Jump....que è parecida com uma aula de Body Jump, mas em vez de trampolim, voce veste uma bota com um apoio abaixo, que te ajuda a pular. Como tà na foto. Calcando este aparato, o professor pula - e te faz pular - de diferentes maneiras durante quase uma hora. As pernas trabalham de maneira intensa e a combinacao de suor, cansaco e cara vermelha te faz sentir maravilhosamente bem. Estranho como algumas maluquices te fazem sentir bem. Uns se auto torturam... outros passam horas fazendo a mesma coisa na frente da televisao, tudo pra dizer que "zerou" um jogo. Vai entender...

E se essas duas aulas nao bastassem, o namorado, que ficou o dia inteiro estudando e quer fazer algum tipo de exercicio, te liga convidando pra um jogo de racquetbol. "Sim, claro! Deixa que eu ligo e reservo a quadra". Òbvio que sò depois de responder no impulso que eu percebi que talvez as pernas sofririam um pouco. Mas, too late...melhor ir jogar. E, se eu perdesse, pelo menos teria uma boa desculpa. E là fomos nòs... 

Jogo jogado, partida ganha... e claro, trauma da semana anterior superado - quando eu mandei a pròpria raquete na boca e doeu tanto que achei que tinha perdido os dentes. Fim do dia. A fome bateu. A indecisao sobre aonde ir tambèm. Às vèsperas de viajar pro Brasil nenhum dos dois parece muito disposto a gastar muito dinheiro. Entao... eis que surge a solucao ràpida e barata...e que ao mesmo tempo mandou todo o esforco do dia por inferno...em 15 minutos.




terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Insanidades Modernas y Urbanas - e também necessárias!

Uma das coisas que eu acho meio insanas é academia. E olha que nem me à cultura de academia - gente bombada ou gostosa malhando na frente do espelho e se achando. Neste minuto, quando eu digo que academia é insana, quero dizer o lugar - físico - é uma coisa meio bizarra. Imagine... um monte de gente reunida em um espaco, geralmente olhando alguma coisa (muda) na televisao ou ouvindo música. Essas pessoas nao interagem, apesar de muitas vezes terem - e claro, exibirem - atributos bastante facilitadores da interacao humana, como um corpo bonito. Enquanto olham TV ou escutam música - do ambiente ou do próprio iPod - essas mesmas criaturas sentem um imenso prazer em submeter seus corpos ao esforco, que pode ser causado por levantar peso ou simplesmente forcar os pulmoes e o coracao a trabalharem bem mais. Se algum deles encher o saco desse ambiente, muitas academias oferecem aulas onde, com música e algum(a) professor(a) bizarramente animado vai gritar e ensinar como eles, alunos, poderao se forcar seus corpos a suarem de maneira uniforme - por isso é uma aula em grupo, para que todos facam tudo igual. Estranha semelhanca com um quartel, mas que nem sempre as pessoas notam. No fim de tudo isso todos se aplaudem - mentalmente ou nao, respiram fundo, sorriem - mentalmente ou nao, e continuam suas vidinhas, sentindo-se estranhamente satisfeitos e realizados.

Convenhamos, é bizarro.

Eu nao sei a história das academias, como surgiram, aonde nem porque. Mas imagino que tenha a ver com a modernidade. Numa vida de antigamente o sonho de todo proletário era chegar em casa no fim do dia e descansar, de preferencia fazendo nada que envolvesse esforco físico. Mas o mundo continuou evoluindo, junto com a tecnologia...e as mulheres foram trabalhar. As pessoas passaram a ganhar dinheiro/sustento passando o dia sentado na frente de um computador, lidando com problemas que já nao envolviam caçar, nem limpar, nem construir. Também passaram a caminhar menos e...ae começaram a sentir um cansaço, algo estranho que as vezes vem como uma espécie de raiva e falta de vontade viver...difícil de descrever bem....e chamaram isso de STRESS - ou estresse, em portugues.

Ok, o parágrafo acima simplifica muito todo o fenomeno da evolucao tecnologica e como afeta nossa vida. Mas a idéia é simples. Com novos conceitos, vem novas reacoes. E como o mundo passou a valorizar pessoas de corpo perfeito - simétricas e músculos perfeitamente divididos - as academias se fizeram nao somente necessárias, mas essenciais. Em algumas culturas mais que outras.

O fato é que, no ocidente, uma grande proporcao de adultos gasta uma quantidade incrível de dinheiro em medidas para reduzir o stress e cuidar do corpo, seja por vaidade ou saúde. Uma das mais populares é se inscrever numa academia. Eu, adulta e proletária - portanto dentro do grupo de risco - resolvi que este ano voltaria a fazer parte deste grupo de insanos.

Por que? Simples. Porque jogar futebol e raquetbol uma vez por semana já nao é suficiente para dar a injecao de endorfina - e reduzir o stress - que eu preciso. Nem gastar o número ideal de calorias. Porque eu gosto de submeter minhas banhas à tortura de levantamento de pesos enquanto ouco música. Porque simplesmente é mais fácil ir pra academia no inverno do que encarar o frio e sair pra correr no parque. E hoje eu entendi e me assumi urbana.

No meu caso, pelo menos...acho mais fácil correr numa esteira do que no parque. Na esteira eu controlo a velocidade, meus batimentos cardíacos a o número de calorias perdidas. Ali também, nao sei porque, minhas narinas nao dóem e eu prefiro ouvir a Lady Gaga e assistir Friends do que ter que desviar de gente enquanto olho no chao cuidando para nao pisar em nada indesejado. Fora ter que encarar o olhar orgulhoso de quem corre há mais tempo e melhor do que voce. Na academia pelo menos ninguém tem que se encarar se nao quiser. Se eu nao quiser nada disso, posso ir a alguma aula aonde algum professor que nao ganha tao bem assim e tem um corpo bem malhado vai estar à frente, ensinando os movimentos que devo fazer e gritando bem alto para motivar a todos nós, pessoas que precisam/querem queimar calorias. E, se eu estiver disposta a pagar um pouco mais, posso ter alguém só pra mim - personal trainer - falando que estou indo bem e...me forçando a fazer aquele abdominal extra.

Como eu disse, coisas da modernidade urbana....

Mesmo assim...mesmo sendo insano imaginar um monte de gente correndo em cima de uma máquina ao mesmo tempo que olham para alguma parede e ignoram-se mutuamente, o negócio é eficiente. E... se nao é possível fugir ao "grupo de risco"- a.ka. vida proletária - o jeito é arrumar uma maneira de gastar as energias estressante acumuladas durante o dia e, claro, queimar as calorias que tendem a acumular-se. Bem vindos à academia....bem vindos à insanidade.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Fracasso e Sucesso: na cozinha

Toda cozinheira - gente que sabe e gosta de cozinhar - costuma ter uma especialidade. Aquela uma ou outra coisa que a pessoa manja bem e todo mundo elogia, acha fantástico e tal. A minha sao as massas. Em especial, os molhos. Mais ainda depois que a Kell me ensinou fazer molho de tomate natural - sim, a versao que voce compra os tomates e transforma eles de sólido a líquido.

Semana passada, com pressa, fome e sem os ingredientes certos em casa, errei feio num molho. Fiz um molho branco que ficou péssimo e sem graça. Faltou alho, faltou tempero, faltou tudo. Aí, pra tentar consertar, joguei um molho de tomate desses prontos. Ficou rosa. Em geral eu gosto de molho rosa mas o problema nao era a cor, e sim o sabor. Quer dizer, a falta deste. Insisti e joguei o ravioli de espinafre e queijo - comprado pronto também e rezei para que a mistura desse certo. Errei. Ploft. Nao prestou. R comeu e disse que tava bom - garoto educado! Eu comi e achei tudo péssimo. O problema nao é a falta de sabor e sim como o fato de fazer um molho ruim afeta a minha alma cozinheira.

Desde que comecei a trabalhar, por razoes bem óbvias, passei a cozinhar menos. Minha vida de housewife intelectual ficou pra trás - gerando, inclusive, umas reclamaçoes de terceiros - e nunca mais fiz algo elaborado e realmente gostoso. O problema é que no próximo fim-de-semana, na sexta, faremos outra ediçao de nossa tradicional Cena Gastronomica (Janta Gastronomica) e dessa vez eu que estou responsável pelo prato principal. Pediram o que eu faço de melhor - ou assim dizem, pelo menos: Lasanha!

Lasanha leva molho. E daí meu estresse. Eu preciso fazer um molho que preste. Mas depois da experiencia do molho rosa sem graça que me deu nos nervos a ponto de eu jogar a metade da bagaça fora, fiquei com medo de fazer molho. No entanto, como toda pessoa griladinha e impulsiva, ao passar no supermercado hoje, nao resisti e comprei os ingredientes certo. Carne moída, molho semi-pronto - vou deixar pra fazer o natural no dia da lasanha - cebola, alho, etc. Cheguei em casa inspirada. Liguei o som numa rádio de rock clássico e mandei ver.

(Leia imaginando a cena)
Descasca o alho, amassa com sal. Corta a cebola bem fininha. Refoga a cebola até ela murchar bem. Adiciona o alho...refoga mais. Joga a carne...sente o cheiro maravilhoso de tempero que invade o apartamento inteiro.

Sem pensar muito, joguei ainda umas pimentinhas - mesmo assim faltou ají, uma versao grande da pimenta dedo de moça - e outras ervas que achei no armário. Tudo correndo, sem cuidado. Minha fome me guiava. Até alecrim - um pouquinho - eu joguei nesse molho. E pensa num trem que ficou bao! Tá louco! Quando finalmente fui provar, quis comer a panela inteira.

Agora estou aqui, revivendo momentos de housewife - dessa vez um pouco menos intelectual - enquanto o macho nao chega. Vamos ver se repito a façanha na sexta...

=P


P.S. Notei uma falta de posts tratando de temas complicados e filosóficos. O trabalho emburrece, minha gente... ah, essa é uma ideia guardada pra um post.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

1 mes, 1 mestrado e alguns mineiros depois....

...eu volto a escrever por aqui! Uau, nunca tinha passado tanto tempo desaparecida. E nem foi por querer. Por isso já vou me desculpando e, claro, me explicando.

O primeiro mes de trabalho foi uma loucura. Nao foi muito facil me acostumar a estar encerrada o dia todo num escritório, sentada a maior parte do dia e calada. Além de que nos primeiros dias confesso que fiquei meio entediada. Porque eu queria logo pesquisar os crimes, os vagabundo metidos com lavagem de dinheiro, falsificaçao de documentos e afins, essas coisas. Mas é óbvio que nao fiz isso logo de cara. Os primeiros dias foram dedicados a aprender as regras, quais eram os crimes que eu deveria investigar e como deveria proceder, desde o método de pesquisa até a quantidade de espaços e vírgulas. Ainda bem que tratei de aprender tudo muito rápido pra poder botar a mao na massa de uma vez. No fim da primeira semana eu estava simplesmente exausta.

A primeira semana, estudando e trabalhando, me fez admirar mais ainda as colegas de mestrado que trabalhavam o dia inteiro e ia pra aula. Eu achei essa rotina muito cansativa e, honestamente, nao dá pra fazer um mestrado muito bem feito assim. Dá pra terminar, fazer a coisa meio nas coxas mas...eu assumo que baixei meus padroes de exigencia nos trabalhos finais. Estava cansada e sem paciencia para ler, escrever ou assistir aulas. No fim desta mesma semana ainda viajei com Sr. R e suegrita para o sul, mais especificamente para a fazendo dos avós de Sr. R. O feriado mais comemorado no Chile é o 18 de Setembro, dia da independencia deles. E este ano foi ainda mais especial do que os outros porque era o Bicentenario e... a máquina perfuradora trabalhava sem parar no norte do país, cavando o buraco por onde hoje estao resgatando os mineiros.

E falando em mineiros...esse é o assunto do país. E claro, isso já era esperado. O que nao era esperado é eu me emocionar cada vez que eu vejo um deles sair do buraco, hehehe.

Tres semanas de trabalho e mestrado foram intensas. Ah, isso porque eu nem mencionei que, se nao bastassem essas duas atividades bastante cansativas, eu nao ainda tinha que dar assistencia. Essa era a parte boa, claro. O problema é que...nessas tres semanas, por causa do stress e de toda a mudança de rotina, eu nao consegui dormir nada bem. Fiquei mais agitada do que o normal, o cérebro simplesmente nao desligava. A noite, quando se espera que a pessoa desligue, eu sonhava que haviam bombas na Colombia e que eu estava ali, ajudando a evacuar as pessoas do local. A crise - erroneamente chamado de tentativa de golpe de estado - no Equador agravou a situaçao pois, nessas alturas, o Equador já era o "meu" país.

Por isso, senhores, que nesse tempo todo eu nao tive energia de passar aqui e colocar algumas ideas. Quem sabe se tivesse, teria sonhado menos. Mas é assim mesmo.

Agora o mestrado acabou - as aulas, pelo menos - e eu aproveite o feriado do ultimo fim de semana para dar uma chegada rápida no Brasil. Porto Alegre, para ser mais especifica. Uma prima resolveu casar e meus pais resolveram aceitar o convite para ser padrinhos. POA fica na metade do caminho entre Goiania e Santiago entao...foi o jeito. Papis y Mamis levaram muitas pamonhas - congeladas, num isopor - para que eu pudesse matar a vontade. Minha tia - uma das muitas de lá - fez coxinhas...apesar de que estava com formato de risoli, hahaha! Gaúchos, tsk tsk tsk... E foi bem legal. Comi muito, dormir pouco, dei muita risada. E acabou rápido. Logo eu estava de volta na vida de check-in, free shop, embarque, comida ruim de aviao e ..chegando em casa de madrugada pensando que tinha que acordar 4 horas mais tarde, linda e loira e ir trabalhar. Porque o mundo nao para.

Ainda estou me acostumando com essa rotina. Pelo menos agora nao tem mais aula pra me encher o saco e também começou o horário de verao por aqui, que eu adoro. Isso significa que se renovam minha energias e aumenta o meu nível de felicidade. Significa também que alguns projetos pessoais que estavam on hold devem ser retomados - apesar da preguiça.

Por lo tanto, leitores...voltarei a escrever com mais frequencia - se é que isso interessa, hehe. A idéia é parar de reduzir as asneiras a 140 caracteres e abusar das palavras.

Até mais ver...

Y.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Eu, a Filha de Satan

Aconteceu na quarta. Me chamaram pra ajudar numa tal eleiçao pro Senado da universidade. Sim, a Universidad de Chile tem um Senado...tanto de professores quanto de alunos. O coordenador me pediu pra ser a presidente da mesa e eu, sem graça de dizer nao, disse que sim.

Cheguei no bom humor de sempre. Achei bom que nao ia ficar lá a toa, sozinha. Tinham mais dois alunos do primeiro ano. Pensei que seria uma boa oportunidade para conhece-los melhor, bater-papo, falar de futebol. E antes de começar os trabalho, fui votar - já que eu tinha que votar. Como nao conhecia nenhum dos candidatos, perguntei pra menina quem era quem, e ela me explicou. Vendo a lista enorme, resolvi encurtar, e fazer uma piadinha pra quebrar o gelo. Disse, "me fala só os candidatos da direita, porque nao vou votar em ninguém de esquerda". Boom! Foi como passar em cima de uma bomba terrestre.

Pra encurtar um pouco, deixa eu dizer que aqueles dois, tanto Menina quanto Menino, dentre os quais tive que ficar sentada, sao dois esquerdistas. A priori isso nao importa. Esquerda, direita...preto, branco...gay, hétero...e daí? E daí que eu aproveitei o nojinho deles comigo pra me divertir. Passei todo o tempo provocando os comunistas tontos.

Em geral evito esse tipo de briguinha, porque sei leva a lugar nenhum. Eu acho que o Estado deveria ser reduzido e limitar-se a certas atividades. Eu nao gosto de pagar impostot, principalmente quando eles nao voltam pra mim - nem pra ninguém. Eles acham que o Estado deveria ser o pai da naçao e, para que isso seja possivel, todos tem que pagar impostos...e felizes por isso! Eu disse que lugar de polícia é na rua, protegendo  os cidadaos. Eles disseram que nao. Que os policiais sao todos trouxas mau educados. Eu disse que ninguém tem incentivo de ir pra rua com a família caso "a rua" nao seja segura. Eles revidaram argumentando que os delinquentes só tomam os espaços públicos quando as pessoas nao-delinquentes nao estao. Ou seja, uma vez que nós, nao-delinquentes, sairmos e ocuparmos os espaços públicos, "a rua" será mais segura. Ainda acrescentaram que em Bogotá conseguiram reduzir a violencia assim - claro, faltaram detalhes de extamente como conseguiram. Eu perguntei se algum deles já tinha ouvido falar no nome Rudolph Giuliani e na política de Tolerancia Zero, que mudou a cara da criminalidade de Nova York - ao reduzir drasticamente os números. Nao, eles nao tinham idéia de quem era o Sr. Giuliani.

A coisa nao parou por ae. Logo entramos no assunto dos déficits fiscais da Europa - o Menino é italiano, coitado - Israel, Palestina e o bloqueio à Faixa de Gaza e claro, nao podia faltar, meu estudo de caso da minha dissertaçao, a nacionalizaçao (expropriaçao) de empresas privadas. Eles, comos se esperava, sao a favor. Eu, como também se esperava, sou veementemente contra.

A discussao foi divertida. Se decido a entrar no bate-boca, com certeza me divirto. Adoro quando me desafiam a pensar, articular idéias. E confesso que ontem entrei nessa onda para me divertir e nada mais. Uma vez cumprido nosso dever de estar ali e receber os votos, Menino e Menina, para mim, voltariam a ser a mesma pessoa. Eu os trataria tao bem quanto antes. Claro que teria já aquela idéia na cabeça de, "essa gente é de esquerda", mas nada mais do que isso. No entanto.... a recíproca nao é verdadeira. Menina e Menina se envolveram emocionalmente na discussao. Ficaram vermelhos, levantaram vozes, viraram os olhos naquele gesto de quem quer dizer, "burra, idiota!". Era visível seu desconforto e, ao final de tudo, tinham plena convicçao de que eu era a filha de Satan. Hahaha! Quem me dera ser gostosona igual a Elizabeth Hurley (essa ae da foto).

Fiquei com isso na cabeça. Percepçoes sao coisas difíceis de mudar. Pensa...essa gente agora vai me encontrar no corredor do IEI e a primeira coisa que vao pensar vai ser, "ih, lá vem o satanás...quer dizer, a filha!". Vao evitar de olhar, que dirá conversar. Como eu sei? Porque hoje começou....
Eu me importo? Nao muito. Só acho triste esse tipo de atitude. Prova que essas pessoas que tem uma verdade muito verdadeira sao as mais difíceis de lidar, as mais ignorantes no fim das contas. Ignorantes das outras idéias, das outras possibilidades. E com isso nao quero dizer que eu estou certa. Eu entrei no bate-boca pra me divertir, mas é claro que estava disposta a ouvir bons argumentos e fatos. Estes sao independentes de posicionamento político. Eu os escutei, considerei e ponderei as idéias apresentadas. Eles nao devolveram com o mesmo comportamento.

Tá, chega... ficou um post meio reclamao, apesar de que era pra ter sido engraçado. Continuo com dó de Menino e Menina...tadinhos! Superioridade? Nao... dó de gente que nao sabe ouvir, só isso.

domingo, 7 de março de 2010

Abalo: O Pós Apocalipse PARTE III (e última!)

A segunda-feira pós terremótica foi dia de encarar o supermercado e comprar comida. Como relatado no post anterior, até domingo a tarde eu e Gabo nos abrigamos na casa de R, ou seja, nao havia alimento em casa.

Eu já sabia que os supermercados estavam todos cheios, mas pensei que na segunda as coisas já teriam se acalmado um pouco. Haha! Doce ilusao! Cheguei no Tottus (supermercado perto de casa) e estava absolutamente lotado, com filas imensas, cheio de gente com cara de terror. Ai, que saco! Eu até aguento o lugar lotado. Me bate uma onda de paciencia, mas gente com cara de terror sem a absoluta necessidade, isso sim me irrita!

Realmente nao sei o que passou na cabeça dos santiaguinos. Quem sabe pensaram que o abastecimento de comida iria diminuir, ou que os preços sofrer um aumento absurdo, ou que a Terra iria acabar de vez. Nao sei mesmo o que pensaram. Mas o fato é que as famílias correram para os supermercados e começaram a comprar artigos de necessidade básica como farinha, óleo, carne, pao, abacate... Sim! Abacate é artigo básico aqui no Chile. Hilário, nao? Hahaha

Quase nao consigo comprar pao. Peguei o último pacote que tinha. O pao que eu realmente queria, um Pan Pierre (com ameixas), nao tinha nem o rastro. Me contentei com um integral normal. Comprei frango, tortilha, macarrao e umas frutas e verduras. E ae foi hora de encarar a fila. Ah neim...

A fila foi o pior. As pessoas, além de loucas, pareciam estar mais burras que o normal. Nao acredito que essa minha crença seja pura falta de paciencia. Nao! As pessoas realmente sao burras, já dizia Dr. House. E em circunstancias assim, meio complicadas, parece que essa característica se acentua. O que é estranho, porque se há mais adrenalina no sangue, seria lógico deduzir uma maior agilidade. Pero no! E depois de muita, mas muita espera, consegui parar e vir para casa.

O dias subsequentes foram meio anormais. Shopping fechando mais cedo, lojas fechadas, alunos cancelando aula. Mas aos poucos as coisas voltaram ao normal. Na terça Gabo deu a sorte de estar na hora certa e no lugar certo (leia-se: loja da TAM, depois de 2 horas de espera). Confirmaram um voo para terça a noite e num espaço de 2 horas tivemos que arrumar a mala, comprar uns ultimos presentes (vinhos, piscos, alfajores, etc) e correr para fazer o check-out. E as 7pm lá se foi ele...de volta pra casa.

É isso.... assim sobrevivemos ao terremoto. Adorei. Continuo a afirmar que tenho mais medo de barata do que réplicas e tremores em geral. Acho mais digno morrer de terremoto do que de bala perdida, por exemplo. Por que? Nao sei. Freud deve explicar... Enquanto isso continuo por aqui, afirmando a cada dia que as coisas estao bem normais. A grande liçao a tirar de qualquer catástrofe, pessoal, nacional ou mundial, é que nao existe outro caminho, a nao ser seguir em frente.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Carta para o-a Ladrao-Ladrona Que Levou Meu Laptop

Estimada criatura que em minha casa entrou e levou meu laptop novo,

Comeco este singelo post informando-lhe que estou rezando para que voce tenha cancer. Isso mesmo. Um cancer bem incomodo, que lhe conceda uma morte bem lenta e dolorosa. Pode parecer exagero, afinal voce levou meu laptop e nada mais - dentre tantas outras opcoes possivelmente atrativas - mas eu nao me importo. Meu desejo eh esse e fim. Espero que voce tenha cancer e morra com muita dor.

Sr. ou Sra. Ladrao-Ladrona... nao foi nada legal chegar em casa e perceber sua inesperada visita em meu quarto. As portas do guarda-roupa abertas e as coisas reviradas. Mas o pior nao foi nem isso. O pior foi concluir que muito provavelmente nos conhecemos. Pode ateh ser paranoia da minha pessoa, mas a completa falta de sinais de arrombamento e o fato de que o Sr. ou a Sra. nao levou sequer a mochila do tal laptop, deixando para tras outras opcoes possivelmente valiosas (se fosse trocar por droga) como minha camera fotografica, colecao de relogios de Moms, meu outro laptop (que eh velho, mas muito bom), Dvd portatil e outras varias coisinhas, me faz imaginar suas motivacoes. Me faz levar a coisa para o lado pessoal. Me faz lembrar que mui similar Modus Operandi foi usado em outro recente furto na casa da namorada do meu tio. Imagino que voce saiba de quem estou falando.

Quanto ao produto que agora estah em sua posse, devo parabeniza-lo(la). Se de fato minhas suspeitas sao reais, e jah nos conhecemos, voce deve saber que este laptop pertenceu ao meu avo. Se por acaso voce buscava algum tipo de informacao, me sinto no dever de avisa-lo(la) que o Sr. ou Sra. pegou o laptop errado. Em minhas maos ha poucos dias, tudo que eu tinha  guardado foi uma pasta de fotos recentes e 4 musicas baixadas. Disfrute! Aproveite tambem para ler este blog e os sugeridos na lista alem do meu twitter e formspring.me (http://www.formspring.me/Ylana). Orkut e Facebook eu tambem tenho, mas nao uso muito.

Caso voce resolva, eu aceito o laptop de volta. Prometo que nao chamo a policia e nem te quebro na porrada. A gente soh conversa. Voce me explica o que voce quer ou precisa, e quem sabe entramos num acordo. Se voce me conhece, sabe que negociar comigo nao eh algo complicado.

Eh isso, caro(a) Ladrao-Ladrona. Aproveite do meu laptop e o pouco que lhe resta de vida. Porque voce sabe que em breve o cancer vai te tomar o corpo...e voce vai se arrepender.

Atenciosamente,

Ylana.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Na Zona

Há tres semanas atrás eu estava no topo do mundo. Meus pais tinham acabado de me visitar e nos divertimos muito. O trabalho ia bem, faltava pouco para terminar o segundo semestre no IEI, e havia interesses amorosos se desenvolvendo. Hoje o cenário é outro. É como se minha vida de tres semanas atrás fosse uma daquelas bolinhas que vendem em loja de presente pra turista, que voce sacode e fica "neve" voando pela pequena redoma. Eu nem diria que a neve está voando, e sim que a bolinha caiu e quebrou.

A primeira peça a cair foi a mudança familiar. Meu avo, em 10 dias, caiu e morreu. Assim, meio de repente. Ao mesmo tempo veio o stress normal de fim de semestre, desta vez exacerbado pela situaçao anterior. Dois papers para escrever, sendo um deles o projeto de dissertaçao. Dois outros trabalhos chatos e uma prova, também chata. Tudo isso acontecendo e eu sem a mínima cabeça pra pensar na crise dos partidos políticos do Chile, no conflito com o Peru, na maldita soberania internacional ou mesmo em como eu vou conciliar a teoria de utilidade esperada com a teoria de prospecçao numa análise de conflitos internacionais. Honestamente, em alguns momentos nada disso importava.

O trabalho, que parecia uma peça firme, ontem "fez o favor" de cair. Por uma questao burocrática/técnica, nao podem renovar meu contrato. Nao quero ser eu a dar a notícia aos meus alunos que, também há 3 semanas, fizeram a proposta para que eu assinasse com a empresa para todo o ano que vem.

Fiz as provas, entreguei os trabalhos. Escrevi o projeto e acredito que tenha ficado bom. Tenho falado bastante com a família e mudei radicalmente de planos. O Reveillon, que seria celebrado em Buenos Aires, ao lado de tres amigos queridíssimos, ficou pra próxima e lá vou eu pra casa, passar tempo com a vovó. Certeza que o objetivo dela é me fazer engordar todos esses kilos que perdi nessas últimas semanas. Nao sei como exatamente, mas dizem que minha presença "em casa" será importante.

Ontem, antes de deitar e dormir, me dei uns minutos para observar o céu. A lua estava cheia, linda, iluminando de maneira singular a cidade. Me lembrei de Schopenhauer, que diz algo no sentido de que nossos problemas se tornam insignificantes quando vistos desde uma perspectiva cósmica. Ou seja, quanto mais alto voce sobe, menos importante a coisa fica. E aí tudo mais ou menos fez sentido...

Parte do processo de envelhecer é encarar as sucessivas zonas de desconforto nas quais nos metemos, querendo ou nao. Tenho a impressao de que quanto mais dessas zonas voce encara na vida, mais esperto fica. Estes espaços sao físicos, intelectuais e emocionais. Ha, lembrei da teoria dos tres tabuleiros de análise das relaçoes internacionais, hahaha...tres é um número tao cabalístico. Ok, focus! O fato é que, racionalizaçao dos infortúnios ou nao, senti que estes últimos dias foram, para mim, o equivalente a um empurrao, o que me jogou para longe da minha zona de conforto. Se tres semanas atrás eu estava on the top of the world, agora estou na porta de outro mundo, bem diferente do anterior, aonde me entendo no idioma, mas ainda nao sou fluente.

Hoje, após entregar o projeto de dissertaçao, decidi aproveitar o resto do dia num clima meio assim, de férias. Nessa onda de zona de desconforto, decidi subir o morro Santa Lucia, no centro da cidade. Estava lá por perto e sempre quis ver o castelinho que tem no topo, entao o momento pareceu certo. Esse negócio de subir morro tá viciando. Mas a lógica é simples. Subir um morro (desconhecido), andando ou de bicicleta, é a mesma coisa que enfretar novas situaçoes. Dá uma p*** preguiça, ainda mais se está super calor. Além da preguiça, pode acontecer de voce nao conhecer a trilha. E no final, lá no topo, com o sol torrando o que sobrou de cérebro, voce toma o último gole de água, e admite para si mesmo que a vida sem adrenalina nao tem graça.

Essa semana recebi um email que começava bem assim: "nossa, que vida agitada hein?". Sim, que vida agitada....ainda bem!

=)

domingo, 22 de novembro de 2009

I Did It My Way

Depois de um fim de semana bem divertido chego de volta em casa. A missao é estudar, pois amanha tem prova final da matéria que eu menos gosto. Antes de armar a parafernália de textos e anotaçoes, abro o computador, vejo emails e chamo a família no Skype.


De vez em quando a vida atropela a gente. É normal, é cíclico. Em geral esses atropelamentos tem a ver com perdas. É uma relaçao que termina, um animal que morre...ou uma pessoa querida que se vai. Neste fim de tarde, ao falar com meu pai, ele me deu a notícia que eu já meio esperava. Disse simplesmente, "Ylana, seu avo já apresenta sinais de morte cerebral. Agora é questao de tempo".

Este avo, pai do meu pai, era o "seu"Adao, o avo com quem fui criada. Nao que eu nao amasse o "seu" Bruck, mas a diferença era óbvia. Enquanto eu via o "seu" Adao quase todos os dias, o "seu" Bruck (falecido há exatos 71 dias), eu via uma vez por ano e olha lá. E pra completar passei a vida ouvindo de toda a família o quanto eu era parecida com "seu" Adao. Minha mae nao cansava de dizer que eu era impaciente, respondona, ansiosa e ranzinza como ele. Também apontavam as covinhas que eram iguais, a brancura da pele, o gosto por viajar e a disposiçao por viver. Essas sao apenas algumas das características que eu dividia com ele.

Acho que eu deveria ter uns 12 ou 13 anos quando, ao me ensinar ingles, ele me disse: "Nao vai demorar nada pra voce falar muito melhor do que eu". Eu nao acreditei, mas segui estudando com o mesmo interesse até o dia que me dei conta que de fato eu já falava melhor do que ele. Mas meu vo era esperto. Me ensinou minhas primeiras palavras em italiano, espanhol e frances. Brigava sempre que minha avó lhe oferecia pao de ontem e falava, "de velho basta eu". Ele também sabia das minhas aprontaçoes pela vida. Reforçava sempre que eu deveria mesmo aproveitar, mas desde que andasse com gente igual ou melhor. Nao me criticou quando coloquei piercing e nao falou nada enquanto minha avó me dava bronca a respeito de uma pessoa com quem namorei. Ele ficava na dele, jogando palavra cruzada o dia inteiro. Ultimamente até fez conta de Skype e sempre me ligava. Inclusive essa é a última vez que o vi. Assim, pela webcam. Ele e minha avó, no sofá. Conversamos sobre quando eles viriam pra cá me visitar.

Em uma certa ocasiao fui com ele e minha avó num velório. Ele virou para a moça, filha do falecido e com a maior falta de noçao do mundo disse: "Isso é normal, querida. Os próximos somos nós". "Seu" Adao era assim mesmo. Sincero demais. Chegava a ser inconveniente. Nunca teve paciencia para o sofrimento alheio e tenho certeza de que se ele me visse chorando agora iria brigar.

O complicado de perdas desse tipo nao é para quem se vai, e sim para quem fica. Nao existe coisa mais incomoda do que ter que lidar com sofrimento dos outros quando voce já está sofrendo. Está decidido que nao vou pra casa, para enterro nem funeral. Nao vejo sentido. Mas a família está carente. E agora, o que faço? Cancelo os planos que tinha para o ano novo, peço que me substituam no trabalho e vazo para Goiania? Certeza que ele seria contra isso, haha.... se bem que lembro de quando eu morava em Montreal e ele pagou minha passagem para que eu pudesse passar o Natal e Ano Novo em casa. Muito cliché dizer isso, mas sao tantas lembranças...

Ontem, durante a festa do casamento que fui, tocaram MY WAY, do Frank Sinatra e isso me fez lembrar de "seu" Adao. Ele quem me ensinou a gostar dessas músicas "de velho". Adorava Ray Coniff e Frank Sinatra. Essa música, My Way, é a cara dele e foi super propícia para o momento. E assim termino o post, com as letras da cançao que, imagino eu, descrevem mais ou menos bem o senhor Adao Rodrigues.

I've lived a life that's full -
I've travelled each and every highway.
And more, much more than this,
I did it my way.



* A foto, que nao é a melhor, tiramos neste último Reveillon, que passamos juntos lá em Goiania. Ele, eu e Dona Ana (vovó).

sábado, 9 de maio de 2009

Live, from Santiago, It's Saturday Night!

Sábado a noite... depois de uma sexta e um sábado lotado de atividades sociais que incluíram jantares, rezas, festa de Bar Mitzvah e jogo de futebol, a coleguinha fala:

- Entao, to indo pra um aniversário. Quer ir junto?
- Ou, foi mal. Tenho que estudar. Tenho duas provas essa semana.

...minutos e um BigMac depois, o telefone toca.

- Oie. Entao, vamo pra uma festa de aniversário comigo?
- Poutz, foi mal! Nao estudei nem ontem nem hoje e preciso estudar.

...E daí a criatura chega em casa. Toma banho e vai pra frente do computador estudar. Ouve todas as músicas que tem gravadas. Fala com Dona Ju Pamonha no Skype, discute o formato do show da Laura Pausini. Ve fotos da Mallu Magalhes no Google e se pergunta porque as pessoas insistem em dizer que ela se parece com essa muleca bestinha. ....E muitas inutilidades depois ela cai na real e vai ler o resumo dos textos que deveria ter lido. Mas agora começou o Saturday Night Live e...amanha ela tem que acordar cedo pra ver a corrida e participar de mais outras muitas atividades sociais.

É, isso ae! Amanha, segunda e terça tem mais estudo!

....LIVE, FROM SANTIAGO, IT'S SATURDAY NIGHT, minha gente!

=P

terça-feira, 21 de abril de 2009

En Directo! HA!!!


Este é um post ao vivo (en directo)...ihul!

Pela primeira vez neste semestre eu trago o computador pra aula. Sim, coloquei esse monstro na mochila e igual a um burro véio de carga, trouxe o negócio até aqui. Puro efeito colateral. É que passei a tarde no Starbucks estudando (really!?) e precisava do meu computador.

Enfim...esse post é só pra dizer que eu sei porque nao faço isso sempre - trazer o laptop pra aula. PORQUE EU SIMPLESMENTE NAO PRESTO ATENCAO EM NADA MAIS!!!!....e fico aqui, fazendo nada pela internet, olhando orkut, email, conversando no MSN...nada de produtivo. E o costume no direito internacional...? Pois é... sei nao...

A professora tá falando de uma tal de "International Law Association"...aannhh???

quinta-feira, 26 de março de 2009

E Se o Problem Era Fonte...

...já nao é mais! Nada como um pequeno incidente pra gente filosofar sobre a vida, morte, poderes divinos, etc.... Vamos aos relatos!

Era aproximadamente 17 horas e 15 minutos na cidade de Santiago, capital do Chile. Uma jovem estudante branquela sai de casa rumo ao Institudo de Estudios Internacionales (IEI). Vai de bicicleta, como todos os dias. Chega na Av. Pocuro e pega a ciclovia. Embalada pelo som de "Wonderful Life", na voz de Lara Fabian, lá se vai a estudante.

A música, apesar de calma, nao impede que nossa querida estudante ganhe embalo. E cada vez mais a velocidade da bicicleta aumenta. Comeca outra música. Voxifera, do grupo ERA. Música esta que alguns achariam linda. Outros, bizarra. Se olhasse a letra veria que a palavra Lucifer se repete algumas vezes. Hmmm...o que pensar disso?

Deve ter sido castigo de Hashem (Deus), aposto!!! Eu sabia que ouvir músicas new age - ou "do capeta", como diz minha mae - nao ia acabar bem! Na saída da ciclovia - e entrada para a calcada - existe uma curva de 90 graus. Todos os outros dias eu escapo dessa curva e saio antes. Hoje resolvi que nao escaparia. Na mesma velocidade que estava - alta! - entrei na curva. E terminei no chao.

Em minha defesa eu juro que entrei na curva direitinho. Só nao saí muito bem. E dae o pneu da bicicleta pegou no meio-fio...que tinha um desnível...e eu caí! Ralei ombro, joelho e canela. O visor do MP3 quebrou e nao sei porque, mas o joelho e a coxa estao doendo. Cheguei no IEI naquele estado de beleza!...

Tentando analisar os porques - além das razoes óbvias, fiquei pensando que bem quando eu ia entrar na curva, a música - Voxifera - entrou no auge. E eu viajei, claaaaro!... Teria a "música do capeta" me atrapalhado? Juro que to com medo de ouvir de novo. Uma coisa é certa: nunca mais ouco Voxifera enquanto estiver na bike!

Entao tá, né.... licao do dia: escapar da curva destruidora antes e... ouvir músicas do bem. =) ...certo? Ah, sei lá...só sei que meu ombro tá doendo. Pensa naqueles raladim que só rala...só tira o couro...e dói o tempo todo! Pensa que foi bem na dobrinha entre parte de cima do ombro e braco.... Pensa que esse fim de post tá besta!....

Boa noite! (voz de Jornal Nacional)

domingo, 22 de março de 2009

Shabbat, Futebol e Leituras

Nestas tres palavras eu poderia resumir o meu fim de semana.

Comecando pela sexta a noite, quando fui a sinagoga de novo. Diferente da semana passada, nexta sexta fui toda arrumadinha. Já que nao possuo saia longa (a la crente da Assembleia), fui de terninho mesmo. O que cobria o máximo possível. Cheguei lá, fiz todas as repeticoes necessárias, falei todos os blah blah blahs que tinham que ser falados. E escutei outros, claro, hehe. Ao meu lado esquerdo estava uma tia igualzinha a uma personagem de um livro que escrevi alguns anos atrás. Sim, a personagem era judia. Eu fiquei tao besta com a coicidencia que nao conseguia parar de olhar pra ela. Do outro lado, uma outra tia que no fim do servico chegou pra mim e perguntou: "Voce que é a Ylana, do Brasil?". Assustei, é obvio! De repente estranho sabem meu nome e minha procedencia! Certeza que tem uma sucursal do Mossad dentro daquela sinagoga! Mas apesar do meu susto, tudo terminou bem. Ela me disse que a D, mulher do Rabino, havia pedido para me convidar para jantar na casa deles - de novo! D me disse que estou permanentemente convidada a ir fazer o Kiddush de Shabat todas as sextas a noite. Oba!!

No sábado lá fui eu de novo, atendendo a pedidos do povo de sexta que insistiu que eu fosse no sábado de manha. Adivinhem, tinha comida depois do "culto". Apesar de nao ser culto, vou chamar assim só pra facilitar a escrita. Entao... acordei atrasada, mas fui. E dae outras tias que eu nunca tinha visto na vida chegavam e perguntavam se eu era a Ylana. Comecei a me sentir popular, hehehe. Nao demorou muito para me convidarem pra ir almocar na casa de uma delas. Outra D, essa é argentina, me chamou. E lá fui eu. Dá-lhe comidinhas!

Uma coisa que eu notei. Judeu adoooora "finger food". Petiscos. Toda refeicao judaica comeca com pao e coisas para acompanhar o pao. Pates, coisinhas cortadas e tal. Muito boas. E depois ainda tem prato principal - ai de voce se nao comer! - e sobremesa, quase sempre incluindo sorvete kosher, e uns dois tipos de bolo ou torta. Outra coisa que percebi é que, bem... estou quase convicta que os judeus inventaram a hiperatividade. Sim, exatamente! To falando do disturbio da cabeca mesmo. Imagine voce que nesses jantares e almoco que eu participei sempre tinham criancas. Várias. Acho que tá na moda ter filho. E pelo menos uns 50% dessa criancada toda era hiperativa. Sério mesmo, nao to brincando!!!! A mulekada corria pra cima e pra baixo, falava, gritava, pulava, caía, comia.... um inferno! E o Rabino também é hiperativo....notei isso. Bom...só uma pequena observacao, hehe.

Eu poderia continuar por várias outras linhas a colocar minhas outras conclusoes e observacoes, mas aí ia ficar chato. E nao posso reclamar, pois todos tem sido ótimos comigo. O que passa é que depois do Shabat, fui jogar bola. Uma colega de sala joga num time aqui e me convidou pra jogar com elas. Ai, ai... Fui apresentada como Ylana, a brasileira. Logo no aquecimento todo mundo passava a bola pra mim. Senti que elas esperavam que eu fosse a própria versao feminina do Kaká ou Ronaldinho, ou qualquer outro atacante famoso. Mal sabiam elas que eu sou ZAGUEIRA e que me destaco por duas coisas: marcar bem e chutar forte. Nao sei fazer gol. =(

O jogo foi até legal. Dei umas bobeiras em alguns lances, e consegui iniciar outros que até terminaram em gol. O paia de jogar em time novo e, no meu caso que nao sou atacante com grandes habilidades nos pés, é que voce fica meio na sua, esperando a bola sobrar pra voce fazer um passe legal. Mas foi muito bom o jogo. Me diverti muito e conheci mais gente. Só fiquei meio sem graca de quebrar as expectativas das chileninhas que esperavam que eu fosse salvar o dia com gols espetaculares.

Depois de um resto de sábado a noite num bar super legal aqui pertinho de casa, fui dormir as 3am. Só pra acordar cedo hoje e comecar a estudar. Eeeee vida...to aqui, trying really hard (tentando) nao dormir. Míseras 200 e poucas páginas essa semana pra ler - contagem por cima - e eu babando de sono cada uma delas. Eeee lere...to no sal, como eu diria na minha terra!

É isso....meu horário de almoco tá vencendo - sim, eu me imponho limites...pelo menos eu tento! Entao tenho que voltar pra leitura de Ciencia Politica que me aguarda. Viva!!!

Ooo vontade de pegar o rumo daquela montanha ali e escalar ela inteirinha!.... se ao menos eu conseguisse me concentrar por mais de 5 minutos!! ='/ (momento reclamao)...

sexta-feira, 13 de março de 2009

"A Aventura Nossa de Cada Dia Nos Dai Hoje!"...

Hoje eu acordei espiritada, como diria meu pai. O quarto estava baguncado, precisava de uma pequena faxina. O banheiro ainda estava em boas condicoes, mas já que eu ia arrumar o quarto mesmo, por que nao dar uma geral no banheiro? Entao assim o fiz. Nem tomei meu desjejum direito e lá fui eu...

Aspira aqui, tira o pó ali. Lava a banheira - sim, eu tenho uma banheira linda e branca! - a pia, o chao. Pronto! Em menos de uma hora tudo parecia lindo! =) ....Entao, era hora de ir ao supermercado! Ihul!

Tive a feliz idéia de ir no JUMBO, que seria uma espécie de Carrefour local. Até agora só tinha ido em supermercados menores, mais perto de casa. Mas descobri que tem um Jumbo há 2km daqui, entao lá fui eu. De mochila nas costas, montei na bike e fui subindo a avenida Francisco Bilbao.

Segurei a onda para nao comprar mais. O ambiente era tao familiar que me fez feliz, hehe... tirando o tanto de velhinhos tontos que estavam espalhados por todo o supermercado plenas 11 da manha!!! Eles nao deveriam estar em algum jogo de cartas? Enfim... comprei as coisas que julguei mais baratas que os supermercados mais perto. Comprei um pequeno estoque de comida, inclusive comida congelada. Confesso que sorri quando vi a Lasagna Sadia, hehe... pasmem, a única opcao de lasanha congelada! Os chilenos parecem que nao aderiram muito a esse negocio nao. E nessas horas eu tenho saudade dos EUA. Lá existem geladeiras enoooormes, com váááárias opcoes de comidas congeladas! E melhor, nao sao caras! Aqui é o exato oposto! Mas... podia ser pior. Entao aproveitei pra comprar lasanha, pizza em tamanho individual (finalmente, achei!) e empanadas congeladas. Além de molho pra macarrao, bolachas, chocolates, amaciante de roupa, papel higienico, novo jogo de toalhas, azeite...e mais alguma coisa que eu nao lembro agora. Toda a hora eu me lembrava que tinha que voltar pra casa de bike, ou seja, nao podia tocar o terror!....ah, comprei também um caderno novo. Voces sabem, ne...esse clima de voltas as aulas, hehe...nao resisti a um caderno super legal com a capa bem colorida de uma menina sorridente. Uma tal de wamba. Neste site http://www.gusanito.com/esp/personajes/wamba/ voces podem conhecer mais dela.

Enfim, paguei tudo e... agora sim era a hora da verdade! Pero.... no contavan con mi astucia!!! Ajeitei quase tudo na mochila, que coloquei nas costas e amarrei devidamente ao corpo. O que nao coube, coloquei na ecobag (ihul). E lá fui eu pra casa...percorrer os 2,1km de leve descida.

O peso da mochila estava perfeitamente suportável. O duro era a ecobag, que nao estava pesada, mas eu nao tinha jeito pra carregar aquela coisa. Coloquei no guidao (eh assim que escreve) da bicicleta, mas ficava batendo no meu joelho e tudo o mais. Entao coloquei no ombro, como se fosse uma bolsa de mulher. Perfeito! Só um detalhe... desse jeito eu só consegueria dirigir a bicicleta com uma mao.

E lá fui eu, pelas calcadas apertadas da Bilbao, rezando pros pedestres idiotas saírem da frente. Tudo bem que eu to competindo com um espaco que era deles primeiro, mas... precisam ser idiotas? Argh! Me senti num videogame. Algo como Carmageddon. Velhinhas sonsas eu desviei pelo menos de umas 5, fora meninos com iPod que, com certeza nao ouviram nada, e outros mais sem graca que nao colaboravam com aminha causa. De vez em quando os chilenos me fazem rir, e hoje uma chilena assim o fez. Eu estava ainda descendo a Bilbao, pela calcada, e...numa localidade particularmente estreita, uma chilena com cara de índio simplesmente nao saía do caminho. E a bicileta na toada normal.... entao, chegando já bem perto da criatura, eu falei mais alto: "permiso!" (licenca)...mas era tarde demais! Tive que frear bruscamente, o que nao adiantou, porque só consegui parar mesmo quando pulei da bike e meio que joguei o corpo no rumo de uma árvore. Nao, nada caiu gracas a minha habilidade de manobrar o corpo e a bike ao mesmo tempo. E nao sofri nenhum dano físico...só moral mesmo. A chilena, assustada, nao sabia o que fazer. Ficava falando, "desculpe, desculpe! Eu nao te vi, desculpe....ai, deixa eu te ajudar, desculpe!".... E eu desatei a rir...

Finalmente consegui chegar na Av. Pocuro, que tem ciclovia, o que facilitou muito a vida até chegar em casa.

Sa e salva, só com um pouco de fome. Comemorei a manha comendo pizza e bebendo coca. Hiper saudavel!... nheee... eu tenho meus motivos.

É isso, pessoas.... estou numa fase nada inspirada. Deve ser a falta de livros para ler. Mas... segunda comecam minhas aulas, finalmente! Já até escrevi meu nome no meu caderno da Wamba! heheh... ui! ...

Bom fim de semana a todos... vou arrumar uma sinagoga ou igreja pra me distrair hoje e amanha...

Besitos!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Just Dance...tu tu tu tu tu

Aahh....tô com aquela música "Just Dance" da Lady Gaga na cabeça. Legalzinha a música. Tô doida pra ir pro Pub e dançar até os pés nao aguentarem mais.

Entao... desde sexta nao parei. Consegui parar só ontem pra dormir umas míseras 6 horinhas - melhor do que as 3 do dia anterior! - e depois hoje depois do almoço, quando continuei minha leituro do livro "A Cura de Schopenhauer". Sim, do mesmo autor do "Quando Nieztsche Chorou". Viva a onda dos filósofos pessimistas...

O fim de semana permeado por encontros foi muito bom. Conversei com os Srs. T e E. Tinha coisas a resolver com Sr. T, e outras a conversar com E, de quem eu andava com raiva. Mas acho que agora está tudo bem. Quanto à dona Amy, bem... melhor nem comentar. Só sei que nao ando com paciência para chatices de ninguém. Nem as minhas... Outra que anda me dando nos nervos é a Srta. F! Argh!... tô até evitando ver pra nao brigar. Argh, credo... será que eu tô de TPM ou é todo mundo lento e idiota mesmo?

Acho que agora, pra viajar, só falta eu levar o computador pra dar aquela geral e ir no dentista. Sempre desconfio que meu ciso vai nascer quando eu estiver em algum buraco deste mundo, e por isso preciso de uma previsao de que isto nao acontecerá tao cedo! Depois acho que é só arrumar a mala.

Planos de carnaval? Ainda nao... me chamaram pra ir pra Caldas. Eu nao sei se tô afim de Caldas... bem capaz que eu fique com Goiania pacata mesmo. Aproveito pra terminar de ler o livro, dormir o sono atrasado de mais de uma semana, curtir a familia, etc. Quem sabe eu até nao engato uma baladinha inocente do Bar? Sei lá...

Ok, por enquanto é só... hoje nao tem nada de filosófico pra escrever aqui nao. Somente uma pequena organizaçao de idéias.

E viva a segunda-feira!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Rápido

Pequena citaçao do meu filósofo atualmente preferido, o tio N. ...só pra nao dizer que eu ando postando pouco...

"A chave para viver é: primeiro desejar aquilo que é necessário e, depois, amar aquilo que é desejado".


Dia super mega corrido amanha. Fim de semana com agenda lotada. Estarei disponível depois de domingo.

Beijos, me liguem!


P.S. Ah...eu comentei que estou com colesterol alto? hehehe...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Raios sem trovoes

A semana terminou comigo dentro do carro, ouvindo música e assistindo um show de raios, mas sem trovoes. Tava afim de ficar sozinha, entao fui até uma parte do Alphaville, que tem uma vista legal, e fiquei lá olhando pro céu, pensando na vida.

Foi uma semana interessante. Corrida, pois fui a Sao Paulo. Viagenzinha gostosa. Mesmo com a correria toda deu pra passar um tempo com os primos, dar umas boas risadas, redescobrir a bronquite que há 12 anos nao se manifestada. Fui recebida com honras (leia-se: lasanha!), e até fizeram adaptaçoes de horário para eu poder pegar carona até o centro. Realmente, hospitalidade nao tem preço. Cumpri minha missao, agora é só aguardar o resultado.

Enquanto isso a volta pra Goiania, bem... tudo na mesma. Um pouco de apatia. Excesso de tempo, talvez? Percebi que de modo geral eu organizo bem meu tempo. Faço tudo o que tenho que fazer bem rápido, dou um jeito de resolver tudo o que é preciso e dae me sobra tempo. E o que eu faço com o tempo que sobra? Pois é, discussao essa que vai ficar pra outro post.

Os raios estavam bem bonitos. Sempre gostei de raios. O clarao no céu é ótimo. Pensei bastante na vida. Passado, presente, futuro. Pensei também em coisas que a terapeuta sugeriu que eu pensasse.... ai, como eu tenho preguiça de encarar certos fantasminhas!

Enfim, sábado é um dia feliz e amanha lá vou eu de novo ficar de babá do Sr. Jean Paul.
Alors, mes amis... ce ça!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Gravidez ou Gastrite?

Meu estômago nao tem dado folga. Nenhuma. Tudo o que eu como me faz mal. Especialmente depois do fim de semana, da bebedeira e da ressaca, parece que tudo desandou. A receita é simples. Eu como, uma refeiçao normal, e logo depois começa a dorzinha bem na boca do estômago.

Ontem essa droga atingiu o ápice. Passei na casa de dona T para tomar remédio e tomei também um cafezinho. E logo depois começou. A coisa foi ficando feia, feia....achei que ia vomitar. Entao, dona T, sempre cheia das soluçoes homeopáticas, me trouxe uma raiz para beber. Tipo, o negócio tinha gosto de terra dissolvido em água. No desespero pra curar a dor, eu bebi. E passou.

E daí foi a hora do almoço. Eu nao queria comer. Só de olhar pra comida já me sentia enjoada. Mas com tanta insistência de quem, claro, dona T, comi um pouquinho. Só pra 5 minutos depois estar na mesma posiçao, sentada no chao do banheiro esperando vomitar. E de novo, lá vem ela com a tal terrinha dissolvida em água pra eu tomar.

Horas depois me bateu fome. Comi uma laranja e uns biscoitinhos. Dessa vez nao foi tao ruim, mas a dor incomodou de novo. Igualzinho depois, mais a noite, quando eu mandei ver num pratao de macarrao. Só que aí a coisa ficou feia. Quase vomitei.

Sabe, eu preferia vomitar logo e acabar com isso!

O negócio é que...nesse tempo todo eu sempre achei que o problema fosse gastrite, e nada mais. Só que andaram me assustando, levantando a possibilidade de ser outra coisa, algo assim... "grávido!". Ai credo, Deus me livre! Que terror!... ainda bem que eu sei o que faço e sei que a possibilidade de gravidez aqui só se for algo extremamente milagroso! Mesmo assim fiquei meio encucada.....sei lá. Comecei a pensar, e se eu estivesse mesmo grávida? O que eu faria?.... Cheguei à uma conclusao relativamente interessante quando vi que se fosse esse mesmo o caso, eu nao faria um aborto, como sempre pensei que faria.

Oh!!!

Entao, é isso... melhor eu me preparar psicologicamente pra endoscopia.... =/

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

É hoje!

Sim, é hoje. Decidi que vou deixar um dos meus 2 empregos. Por que? Pra ter tempo de estudar! Entao daqui a pouco "estarei me dirigindo" (saca só o gerundismo!) à uma das escolas onde trabalho e vou pedir demissao. Ai, como eu odeio fazer isso!

Sempre fui péssima em pedir demissao. Desde a primeira vez. Lembro que há alguns anos atrás, quando trabalhava na Wisdom, pedi demissao umas 3 vezes, e eles nao me deixavam sair, hehe... demorei uns 3 meses para conseguir. Oh céus! Mas dessa vez nao poderei me dar ao luxo. O cursinho começa semana que vem, e eu tô afim de estudar. Sim, nem parece eu falando, eu sei! Mas o único concurso desse país que eu realmente quero prestar, independente de salário, está aberto. Ou seja, vou seguir o conselho da "tia Eva" e largar de trabalhar, pelo menos um pouco, pra estudar.

Enquanto isso minha boca tá parecendo uma ventosa de monstro. Horrível, horrível, horrível!!! Ontem apelei e comprei o Aciclovir oral. Tah ajudando a curar mais rápido. ....mas ainda tá um "oruro", como diria a Kellen em nosso dialeto jalapeno desenvolvido na Bolívia. Ai, que saudade da Bolívia! Ontem achei um lugar aqui em Goiania que tem Saltena pra vender, é mole? Nao é tao gostosa como a saltena que eu comi na rodoviária de Santa Cruz, mas é boa....

Enfim, vou-me....wish me luck, guys!

Ah, terminei de ler o Sociedade Anárquica! Uau! Estou me sentindo tao relacionista, haha... e também comecei a escrever o projeto do Mestrado.

Medo, medinho, medo, medao.....

P.S. Kellen, 1 oruro pra vc tbm!

See y'all soon!
 
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