Mostrando postagens com marcador Dentro da minha cabeça. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dentro da minha cabeça. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A Bencao da Apatia

Outro dia, logo de anunciar minha saída oficial da World-Check (atual emprego), conversava com uma amiga sobre minhas impressoes gerais dessa experiencia. Eu lhe disse que umas das coisas que mais tive dificuldade foi em aprender a nao me envolver com os casos em que trabalhava. No comeco, na intensidade e paixao de que me é própria, eu entrava em cada projeto com a sede de quem teria passado dias no deserto. Era muita vontade de aprender, de entender tudo, de achar logo o vilao da história e...como era de se esperar, eu me perdia no caminho. E isso me fez errar muitas vezes, claro. Por isso eu explicava à Carla que o segredo do meu sucesso foi a apatia. No minuto que eu aprendi a me importar menos com as vítimas, ou simplesmente ver o movimentos políticos dos "meus" países como algo do dia a dia, a coisa ficou fácil, simples e...de certa forma monótona. no dia que eu deixei de pensar que minha análise macro de todos os casos era importante, virei uma proletaria eficiente e produtiva. ...Meio deprimente, nao?

Hoje essa idea voltou a aparecer. A idea de que ser apático às situacoes ou coisas pode trazer benefícios. Para mim isso é interessante pois em geral sou o total oposto de apática. Sim, o tipo de pessoa que passa a vida tentando nao ser 8 ou 80, uma vez que esta parece ser minha condicao natural. Nao se importar, dar de ombros... quantas vezes nao admirei as pessoas que sabem ser assim!

Voltei a pensar nisso hoje porque me veio à mente a imagem dessas pessoas que transformam o próprio trabalho como parte tao importante da vida que...nao se desvinculam. Ok, longe de mim dizer coisas como, "a gente tem que aprender a separar as coisas" porque sejamos honestos, é quase impossível. Se alguém anda preocupado com a saúde de algum parente ou brigou com a pessoa amada na noite anterior, é muito difícil enfiar a cabeca no trabalho e nao deixar que isso afete o humor. Ou vice-versa. Pergunte à Dona Let como é difícil nao misturar essas duas esferas. Enfim, o fato é que...pessoas que se jogam na vida laboral e se sentem imensamente realizadas - ou o contrário - com o que fazem, deveriam pensar na bencao da apatia. Nao falo de ser um trabalhador preguicoso ou desmotivado...mas também nao vejo porque ser a primeira a chegar e a última a sair - caso eu nao seja a dona do negócio, claro.

Talvez a vida proletária me tenha transformado em uma criatura apática e desinteressada... mas certamente mais tranquila. Alguém que já nao sonha mais com bombas explodindo na Colombia, ou com arquivos infinitos de nomes de criminosos. Talvez essa seja só uma reflexao barata de final de dia ao som da música Despedida da Julieta Venegas, que sempre me faz pensar em mil coisas. Ou talvez eu tenha mesmo razao... que a apatia é uma verdadeira bencao!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Porque a Vida Nao É Lógica

Ao contrário do que ensinam por ae, nao existe lógica nessa coisa chamada vida. E olha que nem precisa pensar muito para arrumar N exemplos. Afinal, quem nao conhece uma amiga que só gosta de quem a maltrata? Essa mesma amiga tem pelo menos uma nobre criatura interessada nela, alguém que lhe daria todo o amor do mundo... mas simplesmente "nao rola". Isso nao tem sentido. E muitas outras coisas na vida nao tem sentido. Como algumas reaçoes do corpo humano.

Há alguma semanas atrás resolvi que ser saudável e comer bem era algo super digno e tendencia, e por isso eu faria uns ajustes de dieta. Com o liquidificador comprado, dei a louca de fazer mil tipos de vitamina. Comprei leite, frutas e aveia. Passei a fazer sucos e vitaminas todos os dias, além de inventar uns almoços vegetarianos como arroz com lentinha (e um monte de outros legumes). Para fechar a onda natureba, abri o frasco de pílulas de óleo de alho, que havia comprado numa dessas lojas que vende tudo natural, e passei a tomar 2 comprimidinhos por dia. A "promessa" era de que o tal óleo de alho ajudasse a melhorar o sistema imunológico, com o qual eu me preocupo sempre, uma vez que sempre tenho ataques de herpes quando abaixam minhas defesas. E assim foi...

Mas, como eu disse no começo do post, a vida nao tem lógica. Poucos dias depois de começar com tudo isso, minha pele ficou horrível, além da eterna impressao de que eu estava engordando. Poxa, aveia nao é pra engordar! Muito menos dar espinha na cara! No entanto, o pior efeito de todos foi uma herpes chata, me pegando de surpresa em plena segunda de manha. Estava dando aula quando saiu. Vim correndo para casa, mas já era tarde demais. Mesmo tomando quase uma overdose de aciclovir, nao consegui evitar duas feridinhas chatas no lábio superior, limitando significativamente algumas das atividades que eu tinha planejado para a semana. Enfim, tava tudo errado!!! Tudo!

Chutei o balde. Ok, nao completamente. Mas chega de quebrar a cabeça inventando mil jeitos de fazer almoços vegetarianos. Voltei a comer no McDonald's, tomar bastante café e nada de me sentir culpada de nao comer uma tigela inteira de salada. Por que? Porque tanto faz! Ah, o mais importante: parei também de tomar as cápsulas de óleo de alho. Fala sério, aquilo é armadilha de satanás! Especialmente se, por curiosidade, voce morder uma e sentir o óleo do alho na boca. O bafo é algo de outro mundo.... #Fail

Assim é a vida, caros leitores... tem coisa que simplesmente nao fuciona. People don't change, já dizia Dr. Casa. Acho que a frase se estende para o corpo. Se até hoje a pele esteve bonita, pra que inventar de melhorar? Parreira tava certo. Nada de mexer em time que está ganhando.

segunda-feira, 22 de março de 2010

No Confessionário - E o Conselho Que Salvou o Dia

Quando eu ouço a palavra "confessionário" só consigo pensar em duas coisas. A primeira é uma certa fantasia sexual infame, envolvendo aquele beco aonde o/a fiel se despe de pudor e confessa o que fez - ou tem vontade fazer! A segunda é algo mais banal mesmo. Aquele quartinho do Big Brother.

Sin embargo, o post de hoje vai servir meio como desabafo/confessionário. Porque a falta de atualizaçoes mais frequentes nao tem se dado por um problema de tempo, e sim por medo de enfrentar certas coisas.

Semana passada começaram as aulas novamente, e com elas veio o medinho. De que? O de sempre. O medo de fracassar. Com o papo todo de apresentar o pré-projeto já na próxima semana e, no fim do semestre, entregar o capítulo sobre o marco teórico, parece que caí na realidade.

A sensaçao do momento é que quanto mais eu enfio a cara na idéia da minha dissertaçao - que há 3 meses parecia algo genial! - mais eu sinto que nao sei nada e nao vou dar conta do recado. A velha de Sócrates, "só sei que nada sei". O projeto é mais do que ambicioso...na moral, é quase impossível. E eu bem que poderia fazer uma lista aqui dos porques eu inventei uma coisa que, no papel ficou massa pra caramba - e me rendeu quase um 10 de nota - mas...antes de terminar este post o Monsenhor entrou no meu quarto, e tudo mudou.

É, o Monsenhor tem seus momentos. Chega em casa, interrompe minha escrita. Aquilo que era pra ser um post cheio de emoçao, com confissoes do meu eterno medo do fracasso e a frustraçao por nao ser uma pessoa mais pragmática e ter estudado Administraçao...tudo foi pro saco. Depois de contar porque eu tinha cara de preocupada, na maior categoria freudiana de tratamento de neuroses, ele mostra o caminho: "o melhor jeito de vencer esse medo é meter a cara e fazer essa apresentaçao logo".

E mais uma vez o dia foi salvo por um conselho do tipo eu já sabia...mas que nao lembrava.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

E Daí?

Céu baixo. Nuvens que cobre a cidade e fazem as montanhas de mais de 5 mil metros desaparecerem completamente. A temperatura abaixa.

Obrigaçoes que sao cumpridas. O caso de direito é discutido numa infinita linha de emails trocados por todos dos grupo. O paper é escrito. O artigo devidamente exposto e criticado, assim como pediu o professor. A teoria é revisada.

Sangue na boca, gosto de ferro, argh! Suor que escorre pelo corpo....

De volta ao computador, e mais uma vez eu entro "na fila de espera"*. Monsenhor chega em casa mais cedo.

Sorrisos, propostas, grana, planos. O suor secou.

Rum com coca, nao sao nem 5 da tarde e eu tenho aula daqui um pouco.


E daí?

domingo, 20 de setembro de 2009

Presa no/do Tempo

A semana que passou foi bem interessante. Nesta útlima sexta-feira o Chile comemorou sua independencia. E aqui o pessoal leva essa coisa de independencia a sério. Tem um monte de Fondas, que sao festinhas públicas (tipo feirinhas), com comidas típicas, gente dançando aquelas dancinhas chatas (e típicas), banquinhas vendendo artesenato, essas coisas. Além disso, a semana do tal feriado parece com Semana Santa, no sentido que todo mundo entra num clima de lerdeza sem precedentes. Até os professores, hehe. Bom pra mim. Isso significa que desde quinta estou sem fazer nada. Nada assim, de trabalho ou estudo pelo menos.

Aproveitei esses dias pra ir pra casa da Jess e ver filme, discutir sobre a condiçao de ser mulher, andar pelas partes da cidade que nao conheço muito bem (tipo o Centro!), esbarrar numa festa pátria na frente do Palácio La Moneda e ficar lá, gritando Chi Chi Chi Le Le Le, Viva Chile e coisas do tipo. Também fizemos um churrasco no terraço - com direito a arroz e salada bem brasileira - e depois saí correndo pra comemorar o Rosh Hashaná (ano novo judaico). Festa sem parar. Chega domingo e eu preciso ficar em casa, em cima da cama, vendo TV e futricando em bobeiras como Orkut e Facebook. Ah, e Twitter agora...

Sempre me dá um aperto no coraçao quando eu tomo consciencia de que cada segundo é único, nao voltará a acontecer. Bate um certo desespero. Ainda mais para alguém como eu, meio escrava do relógio. Calculo meu tempo para nao chegar atrasada nem muito adiantada, para nao dormir demais nem de menos, para aproveitar bastante, mas com moderaçao. Uma eterna tentativa de controle. Porque o tempo, contado pelos relógios, é a própria síntese do controle. É o controle sem controle. Por mais que os minutos e as horas estejam ali, marcados e determinados, ainda resta a quem consulta (olha que "horas sao") decidir sobre o que fazer.

Ai, que pensamento mais cliché! O eterno sofrimento por equilibrar e decidir sobre o melhor uso do tempo que nos é otorgado pelo simples fato de estar vivo.

É isso, acabou o tempo.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

De Novo, De Novo


Estou de volta. De volta em casa, em Santiago, depois de duas curtíssimas semanas.

Nos últimos 16 dias eu dormi mal a maior parte das noites, comi (com prazer!) muito mais do que deveria ou podia, dei muita risada com a tropa de parentes que estava instalada lá em casa (em Goiania), vi alguns amigos (infelizemente nao pude ver todos), tomei um porre inesquecível (de ruim!), bati perna atrás de roupinhas novas, passei raiva experimentando milhoes de roupas, peguei aviao e fui mau humorada e finalmente cheguei em casa. Numa quinta-feira a noite nao tao fria como eu esperava, voltei para o apartamento 254 do Cerro La Parva 980A.

A volta me deixou chata. Eu nao queria voltar. Queria mais bagunça, comelança e festa. Mas nao adianta. O tempo é igual pra todo mundo. Lembro de pensar isso alguns dias antes da viagem. As 24 horas de cada dia passam segundo por segundo, sem a possibilidade de serem adiantadas ou retardadas. Cada segundo respirado no Brasil já deixou de existir e o que existe agora sao as lembranças, mesmo porque fotos tirei poucas.

Na mala, pedaços do país natal. Uma cafeteira e vários sacos de café "de verdade". Presentes para os amigos. Um licor de jabuticaba, algumas pecinhas de artesanato, umas pimentinhas do reino e até conserva de Pequi. Essa foi encomenda da Srta. A. Esqueci de trazer os mais óbvios Guaraná e Sonho de Valsa. Mas nao tem muita importancia nao. Chocolate eu gosto mesmo é de um alemao que vende aqui, e eu sempre preferi coca.

É interessante voltar para um lugar aonde ninguém te espera. Aqui nao tem mae, nem pai, nem avó para ficar plantados no aeroporto - se bem que minha família nao faz isso já faz tempo! Também nao tem gato, cachorro, namorado ou namorada. Claro que existem os amigos que querem saber o dia da volta para podermos marcar os tradicionais encontros em cafés, praças, restaurantes, etc... Mas ninguém de fato morrendo de saudade. A volta para esse lado da cordilheira é também a volta ao estado de solidao em que escolhi viver. Solidao essa que vem no momento certo, mais uma vez. A verdade é que eu estava cansando de estar rodeada de gente o tempo todo.

Passei o dia arrumando as bagunças pós-viagem. Passando as roupas novas, guardando tudo direitinho. Daqui a pouco terei convidados para o jantar, e começa tudo de novo. Senta, come, conta história... de novo...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Porque Tudo Tem Um Fim...


Isso é básico e óbvio. As coisas tem começo, meio e fim. Vida, amor, escola, trabalho, livro, filme, comida de restaurante, comida de casa, viagem, subida de elevador, idas no shopping, jogo, prova, banho, beijo, espirro, piscada de olho... Tudo acaba e essa parece ser a tendencia natural da vida.

Hoje terminei meu primeiro semestre no IEI. Acabou, amém! Entreguei meus papers, assisti a última aula e pronto. Fui para o metro. Acompanhei Srta. A no shopping para comprar um computador. Compramos o tal laptop, lanchamos, conversamos. E voltei pra casa pensando sobre o fim das coisas.

Tem amizades que tem uma sucessao de fins e recomeços. Parecen baratas congeladas. Uma vez descongeladas, voltam a vida. Mas podem virar cubo de gelo de novo que ali ficarao, paralizadas, até chegar a hora de descongelar.

Tem os amores. Desses nao costumam sobrar muito mais do que lembranças. Umas a gente gosta de revisitar de vez em quando. Outras a gente evita. O fim dos amores talvez seja um tema inesgotável.

Tem os rolos. Esses as vezes é difícil cair a ficha do fim. Uns até parecem baratas congeladas. O chamados rolos amorosos abastecem outra fonte (inesgotável também?) de pensamentos e conclusoes.

O fins muitas vezes sao acompanhados de saudade. E saudade é um desses sentimentos engraçados que começa antes da hora ou aparece muito depois. Controlar a saudade é um grande feito. Totalmente possível, mas nem sempre fácil. Até que um dia a gente cansa de sentir de saudade e simplesmente esquece. Saudade só existe quando ainda há importancia.

O fim apresenta o novo começo. Cliché mesmo falar assim. Mas os clichés existem por alguma razao, nao é? O fim da noite traz o começo do dia, e o contrário também. O fim dos romances (com ou sem beijo) trazem espaços para outros. E o fim do semestre traz o começo das férias - que eu tanto preciso!

Nem sei porque fiquei pensando nisso, de fim. Sinto que meu cérebro foi espremido como uma laranja de lanchonete nessas últimas semanas. Já nao sai mais nada de útil daqui! Ainda tenho um fim de semana (ironia linguística!) pela frente, e depois lá vou eu pro Brasil. Como andei dizendo esses dias, "semana que vem essa hora vou estar em Goiania de blusinha cavada, short e chinelo, comendo coxinha!".

Um brinde aos FINs!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Mais ou Menos?


Ontem passei o dia pensando sobre o Equilíbrio. Pra quem acredita em karma (aqui se faz, aqui se paga), essa idéia de equilíbrio é básica. E tem também gente como eu, que vive dizendo que busca o equilíbrio... na vida, nos relacionamentos, até na comida.

Me tocou pensar também se o equilíbrio nao é meio assim, chato. Por exemplo... todos sabemos que é perto do impossível encontrar alguém bonito, inteligente, rico e que te ame. O normal é aceitar umas qualidades mais do que a outra. E nao vai muito tempo a gente se pega dizendo coisas como: "Ele/ela é tao legal e me faz rir!"... isso pra compensar o fato de que ele ou ela provavelmente nao tem o melhor biotipo, ou seja, nao sao lá muito bonitos. Tem gente (tipo Eu) que nao se importa com um ocasional olho meio torto, uma espinha aqui ou ali, um tamanho menor do que o ideal, porque prefere se concentrar na inteligencia e capacidade de entretenimento da criatura em questao. Já existem outros que se concentram no fator $$$. Confesso que fico assustada, mas o pior é que realmente existe gente assim!

Seguindo este raciocínio, uma pessoa perfeitamente equilibrada seria alguém completamente mais ou menos. Mais ou menos bonita, mais ou menos inteligente, mais ou menos com dinheiro, mais ou menos engraçada, mais ou menos chata, mais ou menos alta....e por ae vai. O ideal é mais ou menos! ...que triste pensar isso!

Ainda bem que a serotonina do nosso cérebro muda as nossas percepçoes. Gente que um dia foi "mais ou menos", meio que do nada fica bonita! Basta se apaixonar pela criatura. Isso me faz lembrar um pensamento de Nieztsche que ele afirma que "o que construímos, podemos destruir".

A graça de alguém, portanto fica a cargo de seus exageros, ou falta de equilíbrio. Pode ser que a criatura nao dance bem, ou nao dance nada (yo!)...mas faz um tipinho intelectual-nerd-bestinha. Tem quem goste! Pode acontecer também da criatura nao ser lá muito inteligente, mas é engraçado/a. Ou que nao seja propriamente um modelo da Calvin Klein, mas que tenha um carisma fantástico. Acontece as vezes do apartamento que a gente quer morar (mudança de foco da discussao!) ser lindo e perfeito, no 25 andar, mas um pouquinho fora de mao, o que te obrigaria tomar um onibus a mais, mesmo que somente por 5 minutos. Existe a opçao do outro apartamento, perto de tudo...que é aceitável, mas nao tem vista pra Cordilheira, e muito menos uma decoraçao moderno/clean.

Enfim... acho que até o karma é desiquilibrado. Tenho a impressao de que a gente paga caro pelos próprios erros. E assim espero que as pessoas que um dia me sacanearam/sacanearao paguem o triplo! hahahaha (risadinha diabólica). Mas também acabamos recebendo coisas boas por outras vias. O troco do bem que fazemos. Sempre penso nisso quando vejo um lugar vazio no onivus. É o universo me recompensando as vezes que dou meu lugar para velhinhos e grávidas! E hoje, para equilibrar a vida, vou passar um dia na calma. Porque ontem foi punk. Ou seja, vou fingir que tou de férias hoje (até as 6 da tarde!) e curtir a neve da Cordilheira, tomar coisinhas gostosas e ler... Aproveitar pra ficar quieta porque amanha a noite tudo vai se desequilibrar de novo. (Próximo capítulo!)

domingo, 7 de junho de 2009

Ella Baila Sola


A solidao deve ser um dos sentimentos mais paradoxais que alguém pode experimentar. Hoje, caminhando pela cidade, pensei muito nisso. Lá estava eu, num domingo frio e sem sol, caminhando por ruas vazias. Estudei sozinha no meio de um monte de gente. Depois almocei da mesma maneira. Fiz compras e voltei pra casa, também vazia. Livre e tranquila, assim vivo os minutos que o dia de hoje me presenteou.

Ontem cheguei a uma conclusao - importante para mim. Depois de um banho de realidade, que veio no meio da balada de sexta a noite (show do Café Tacuba), me perguntei por que eu estava de mau humor. Eu passei a semana toda andando nas nuvens, no mundo da lua, vendo o mundo em cores vivas. Até sexta a noite... quando botei os pés no chao e a realidade me pegou de jeito. Já era hora de voltar.

Confesso que aproveitei minha semana emocional - assim vou chamá-la. Antes disso vivi 7 meses (sim, eu contei!) de quase pura racionalidade. Até que uma onda violenta me pegou de jeito e eu levei "um caldo". A semana toda foi estranha, fora do normal. Era como se eu nao tivesse controle sobre mais nada. A onda me levava e a única opçao que eu tinha era deixar rolar. Isso significou estudar menos, dormir mal, ficar ansiosa, sair cantando pela rua, sorrir para estranhos - e nao estranhos, respirar fundo por bobeira e outras muitas coisas idiotas. Resumo tudo em duas palavras: teve baum.

A volta a realidade/racionalidade me fez concluir uma coisa boa. Estou pronta para outra. Pensando na situaçao, me senti pronta pra gostar de alguém de novo. E isso é engraçado... porque há duas semanas, se tivessem me perguntado se eu queria isso - gostar de alguém - eu teria dito que nao. E meio que do nada, poucos dias depois, eu me contradigo. A combinaçao olhos+sorriso misteriosos me fez chegar nesse lugar, aonde "gostar" será um sentimento bem vindo. Pensei em agradecer a criatura provocadora disso tudo, mas... tem coisa que é melhor ficar sem dizer.

Nao pretendo de repente colocar saia, fazer chapinha e ir para a balada mais próxima procurando criaturas para gostar. Nao é meu estilo... Pelo jeito vou continuar bailando sola, respirando a liberdade e a leveza de caminhar comigo mesma pelas ruas vazias. Respiro o ar frio e sorrio para mim mesma... Porque é melhor quando as coisas seguem seu ritmo próprio.

terça-feira, 26 de maio de 2009

O Que É Que Eu Vou Fazer Com Essa Tal Liberdade?


Alguém lembra desse pagodinho maldito? Acho que o nome da cançao é "Essa Tal Liberdade", do Só Pra Contrariar. Caso voce queira relembrar este momento infeliz da música, clique aqui. Mas deixa eu me explicar... lembrei disso agora pouco, enquanto me perguntava o que fazer neste dia de susposta folga.

Acordei meio desanimada porque hoje nao trabalho e, por milagre de Nossa Senhorinha (haha!), tenho praticamente nada pra fazer. Os 14 deliciosos e frios graus lá fora, junto com as nuvens cinzas e absoluta falta de sol, me impedem de sentir-me inspirada para sair de casa. E se eu saísse, para onde iria? Eu bem que poderia ir ao cinema... mas já me convidaram para fazer isso no sábado. Eu poderia ir ao museu de Belas Artes...Hmmm, preguiça! Fora que domingo eu entro de graça, e hoje nao. Tantas possibilidades!...e ao mesmo tempo, nenhuma. Enquanto rola essa indecisao, aproveito para conversar no MSN com um ex namorado de Sao Paulo, super gracinha (Sr. F), e também uma amiga - jogadora profissional de hockey! - que conheci por uma ex criatura da minha vida...Viva o MSN...

Creio que foi o Sr. Malcom X, um desses revolucionários americanos, que disse: "Niguém te dá a liberdade. Ninguém te dá justiça, ou equidade ou nada. Se voce é um homem, voce simplesmente a toma!". Acho essa frase bem poderosa. Alude ao fato que somos responsáveis pela própria liberdade. Gosto disso.... Serve para as muitas pessoas que reclamam de estarem/se sentirem presas. Até onde eu sou responsável pela minha própria prisao? Até onde eu sou capaz de mudar isso?

Por um outro lado, me lembro de uma vez que minha grande amiga Dona Let e eu falávamos deste assunto (liberdade). Ela, sem pestanejar, perguntou: "E o que voce faz de tao bom com ela?". Dona Let diz nao entender porque as pessoas se fixam nessa idéia de que nao podem perder sua liberdade, pois as vezes a perda da mesma pode significar um aumento significativo de felicidade.

Toda a discussao me leva a uma conclusao relativamente simples. Pessoas precisam de diferentes "tantos" de liberdade. Uns mais, outro menos. Uns adoram ficar sozinhos (Eu, Dona S, Dona D)....outros que acham que gostam de ficar sozinhos, e outros que assumidamente nao gostam.

Mas entao, o que eu faço hoje? Vou aproveitar o tempo e preparar um almoço bem gostoso, só pra mim. Vou sair da onda de macarrao e pizza e fazer umas Fajitas!

=)


P.S. Depois de horas tentando postar isso....consegui!...

P.S.2. As Fajitas ficaram maravilhosas!! Hiper picantes...to cuspindo fogo!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Desejos e Desejos....


Passei alguns vários dias discutindo com Dona S sobre a origem dos desejos. Ela defende a linha do Schopenhauer que dizia que os desejos sao externos a nós. Melhor explicando, "os desejos sao sempre externos aos que desejam, ou seja, a vontade de vir a ser nunca pertence ao homem diretamente, é um objeto ou um sentimento que se encontra a parte (...)". Minha reaçao ao ler esta parte foi "hunf!?". E depois disso vieram muitos parágrafos e emails sobre o assunto...

Até agora ela está ganhando a discussao. Nao consegui arrumar nenhum exemplo para dizer que o desejo nao é externo. Nem Freud, que diz que o desejo é interno. Tudo é motivado pela libido, lembra? A libido como origem de tudo? Mas pow, Freud... nao sei nem como começar... Tendo sido quase convencida que o desejo é, de fato, externo, tá difícil provar o contrário. Porque... poderia-se dizer que a libido pode até ser inerente ao homem, mas todavia ela teria que ser provocada para assim gerar o desejo, nao? Ou alguém deseja algo que nao sabe?

Convido aqui, publicamente, Dona S ou quem quiser a participar dessa discussao. Enquanto isso volto para o que o mestre Schop também disse. Perae...foi Schopenhauer ou Nieztsche que disse que a vida é uma infinitude de desejos? Acho que foi o Schop. E tudo funciona mais ou menos na base de: desejar, satisfazer o desejo, estar satisfeito e desejar de novo.

Esses dias eu andei desejando ir pra farra né? Bem, acho que o desejo foi satisfeito nesse fim de semana, hehehe.... nada como chegar em casa de madrugada depois de um churrasco na casa de amigos. Tudo regado a muito vinho. Tanto vinho que meu estomago nao deu conta. Enfim. O desejo (externo, que seja) de farra foi satisfeito.

Agora voltando ao Freud. Essa noite tive um sonho muito louco. Sonhei que era meu aniversário e a festa era no Centro de Convençoes de Goiania, com 2000 convidados - que, sabe Deus porque, incluíam até a turma do Black Eyed Peas e eu cantando "my humps" com eles. Além das deliciosas coxinhas do coquetel e do lindo buffet de saladas, eu ganhei um C4 Pallas de presente. Incrível, né?

A idéia freudiana básica sobre sonhos é que sao desejos nao realizados. Hmmm... sabe que eu até gostei da idéia e to pensando em dar uma mega festa quando completar 30 anos. Tenho uns anos para programar...acho que rola! Já outros dizem que sonhas é uma forma da gente se comunicar com quem aparece no sonho. Interessante essa idéia. ...hunf!

Tá, chega de filosofaçao inutil....mamae tah me chamando no Skype.

Bjus, me liguem!

=)


P.S. Te contar que na festa eu vi todos os amigos...ooo delicia!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Contrato Social

Uma das obras principais de Rousseau se chama Contrato Social. Logo no início ele comeca questionando porque o homem vive em sociedade e porque se priva de sua liberdade. É claro que ele cai na veia da discussao política. Afinal este era o tal Iluminismo (lembram?). Mas é interessante pegar esta semente de argumento e pensar o quanto ela pode ser encaixada em diversas situacoes.

Vamos lá...

Hoje comeca a Pessach, páscoa judaica. Quem quiser saber mais sobre este ritual, o Pai da Sabedoria, Google, pode ajudar. Da minha parte só vou explicar que sao 8 dias aonde voce nao pode comer pao fermentado e, obviamente nao tem nada a ver com a figura de Jesus. Esta data comemora a saída dos judeus do Egito rumo a Terra Prometida. A historinha é legal... vale a pena ler. Ou ver o filme que a Disney fez em 1999 (acho que foi), aonde Whitney Houston e Mariah Carey fizeram a trinha sonora. Lembram?... "There can be miracles...when you believe..."

Tudo comeca com duas noites de mega festa. E com festa, associe a idéia de ritual, claro! Porque judaísmo sem um ritualzinho, uma tradicaozinha, nao existe. Portanto eu, nova participante ativa da sinagoga aqui perto de casa, fui convidada para celebrar o Pessach com eles, uma vez que haveria uma comemoracao em comunidade. Tendo já participado de outras Seders (o nome da janta do Pessach), tentei escapar. Disse que tinha aula. Tzipora (ou Cecília, em portugues), mulher do Rabino Nachmov, disse que o marido poderia facilmente ligar para o diretor do IEI e dizer que eu nao poderia ir a aula. Ok, vi que nao ia rolar essa desculpa. Daí tentei outra. Falei que mesmo que tudo desse certo, eu nao tinha roupas apropriadas, formais o suficiente. E olha que é verdade! Mas nao tem problema, claro!!! Deborah, mulher do Rabino Millstein, disse que tinha muitas roupas e poderia me emprestar uma. Resumindo: nao deu pra escapar.

O que eu nao gosto particulamente na Seder é a demora. A primeira Seder que fui, pensei que ia ser um jantar legal e pronto. Que nada! É uma falacao sem fim. Fala um pouquinho, le um papel, canta. Canta mais um pouco, le de novo o papel. Enche um copo de vinho, bebe. Fala mais, canta mais, lava as maos. Enche outro copo de vinho, mas dessa vez nao bebe. E por ae vai... até chegar na hora de comer mesmo, demora. Ah, mas demora!

Tá, meus caros amigos leitores devem estar pensando: "Que mal agradecida! Só pensa em comer! Parece que nao tem comida em casa!". Nao... comer é o de menos. Tanto que lanchei antes de ir pra Seder hoje. O que me cansa é a falacao sem fim. Comecei a questionar minha própria identidade. Oh!...olha a crise.

Nao, nada de crise. Só fiquei observando mesmo o tanto que o "ser judeu" é baseado num estilo de vida, no seguimento das tradicoes. Tentei tracar paralelos. O mundo cristao nao deixa de ser muito diferente mas, talvez porque o mundo cristao seja bem mais novo do que o judaico, e também pela grande variedade de denominacoes, as instituicoes tradicionais nao sejam tao fortes. A igreja Católica talvez seja a mais cheia de tradicao, nao sei...to chutando. Mas pensei na tradicao da óstia, por exemplo. Já os crentes....ah, os crentes, meus amigos, hehe... cada igreja tem seu jeito de ser. É até interessante notar essa liberdade que os crentes tem de se dirigir a Deus, falar direto com ele, exigir coisas. Tem pastor que dá ordens ao capeta e exige de Deus as bencaos. ....Vou nem tocar no Islamismo... outra religiao cheia dos nhe nhe nhe...

Enquanto as coisas eram faladas, eu viajava. Pensava que no fim das contas os que estavam ali nao comemoravam só a Pessach, e sim reafirmavam a sua identidade. É...meio óbvio isso. Rituais e tradicoes sao pra isso mesmo. Mas...mesmo no quesito espiritual. O Rabino diz que devemos obedecer os mitzvohs (mandamentos, regrinhas) porque ao obedecermos tudo, ficaremos mais perto de Hashem (Deus), que é nosso Pai e nos quer por perto. Agora...pega o mesmo argumento e transfere pra Jesus. A única diferenca é que vao dizer que voce tem que aceitar o fato de Jesus ser o salvador. Mas depois dessa aceitacao, as coisas mudam...e voce comeca a agir como Jesus e tal....ou seja, vai cair na tradicao crente de ser.

Caramba! Me desviei totalmente do assunto. Poderia passar o resto da noite aqui, devaneando sobre isso. Mas o que originalmente eu queria dizer é que... nos meus pensamentos pascais, por assim dizer, fiquei pensando sobre esse contrato social que temos. Esse contrato invisível, meio óbvio, de certa forma. Alguém é legal com voce....voce se sente bem e quer retribuir. Costuma ser assim. Alguém foi legal comigo. Me receberam, me incluíram na comunidade Kehilá Hareditz Hazon Ish... e eu nao consegui escapar do ritual.

A conclusao, apesar de óbvia, vale pelos menos uns 5 minutos de reflexao. Todo contrato cria direitos e obrigacoes para as partes. Eu tenho o direito de ser bem tratada. Assim o fui. Agora, entao, deve ser a hora de retribuir, pagando de bonitinha e seguindo tudo certinho. Isso vale para as minhas relacoes na sinagoga... e em todos os outros aspectos da vida. E, como comentei brevemente numa postagem anterior, o que foi acordado, deve ser cumprido. Pacta Sunt Servanda...



P.S. Post pesado hoje, né... quem sabe alguém nao me chama de galinha amanha, ou talvez eu caia de bicicleta e daí terei alguma coisa engracadinha pra contar!

P.S.2. Pensei em postar uma foto minha usando saia... mas achei melhor colocar só no orkut mesmo, hahaha....nao quero queimar meu filme justo agora que tenho novas amigas blogueiras!

=)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Pensamento... Pacta Sunt Servanda


Enquanto enrolo pra comecar a estudar - vou botar a culpa na cafeína do Chá do Brasil que tomei hoje de manha e me deixou louca, hiperativa - to pensando aqui num princípio básico de Relacoes Internacionais (RI).

Quando, dentro das RI, a gente estuda o Direito Internacional, uma das idéias chaves é: aquilo que foi acordado deve ser cumprido. Pacta Sunt Servanda. Chique demais em latim!

Nenhuma reclamacao em especial, mas...pensa como a vida seria mais fácil caso as pessoas refletissem mais sobre Pacta Sunt Servanda!

Pois é... hoje é Primeiro de Abril, hmmm...nunca fui boa nessa de contar besteirinhas. Mas sinto-me quase obrigada a inventar uma mentira! hehe...duh!....frase mais nada a ver com o pensamento acima!

Ok, tenho q estudar...

Vou postar uma foto super nada a ver...só pra colorir o post reflexivo! hahaha

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Conforto para a Ansiedade

Grandes mudancas sempre geram ansiedade. Nao tem como fugir disso. Terapeutas experientes, ou mesmo alguns filosofos, sugerem que um jeito de controlar a ansiedade eh racionalizar a situacao. Parece plausivel, e eu concordo. Nao fosse o problema que... um individuo ansioso tem um extrema dificuldade em racionalizar qualquer coisa!

Schopenhauer dizia que existe uma relacao proporcional entre o nivel de ansiedade das pessoas e a inteligencia. Segundo ele, aqueles que sao ansiosos sao tambem mais inteligentes. E eh claro que, como uma pessoa ansiosa, adorei este argumento, hehe.... mas nao soh por isso. De fato, uma das causas principais da ansiedade eh a antecipacao dos acontecimentos. A ansiedade gera imagens de um provavel futuro - normalmente desfavoravel, o que faz com que o individuo que sofre estes sintomas sinta-se, por assim dizer, ansioso. De certa forma a ansiedade ateh ajuda. Basta pensar em pessoas tranquilas, que nao antecipam suas reacoes ateh que os fatos lhe acontecam. Desnecessario dizer que um equilibrio entre estes dois estados de espirito - ansiedade e tranquilidade total - seria o almejado. Mas ninguem eh assim!...

Nestes poucos dias que antecedem minha mudanca para o Chile, tenho encontrado conforto para minha ansiedade num lugar muito improvavel, diriam alguns. Nieztsche, meu filosofo do momento, hehe....junto com outro grande filosofo que passei a admirar, Michel de Montaigne. Peguei "Assim Falava Zaratustra" para ler e "Ensaios". Os dois livros, dos dois respectivos autores citados acima, trazem ideias e conselhos incriveis. Nieztsche foca na razao, na descrenca dos homens, no sentir-se acima daqueles de espirito pequeno e raso. Montaigne ja tem um papo mais intimo com o leitor, defendendo seus argumentos sempre com exemplos historicos. Os dois estilos me agradam muito. Uma das melhores partes dessa experiencia, alem de todo esse novo conhecimento que vou absorvendo, eh saber que nao paguei um centavo em nenhum dos livros, hehehe.... viva o Google e os livros virtuais! Fora que esta pratica de ler no computador eh algo altamente ecologico!...nenhum papel eh desperdicado!

Para terminar o post, coloco novamente (como nos posts anteriores), uma fala de Zaratustra, o sabio de Nieztsche. Me identifiquei muito com esta fala. Foi quase como se tivesse escrito para a minha pessoa!

"Foge, meu amigo, para a tua soledade, para alem onde sopre vento rijo e forte. Nao eh destino teu ser enxota-moscas". ...e assim falava Zaratustra para dona Ylana...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Citaçao...

Durante a leituro do livro "Quando Nietzsche Chorou" fiz várias anotaçoes das falas, frases, idéias, que me chamaram atençao. Nos meus livros eu rabisco mesmo mas, como este era emprestado, tive que anotar à parte. Hoje, revisando o que foi escrito, encontrei uma das minhas favoritas, e gostaria de dividir com os senhores.

"Para relacionar-se plenamente com o outro, você precisa primeiro relacionar-se consigo mesmo. Se nao conseguirmos abraçar nossa própria solidao, simplesmente usaremos o outro como um escudo contra o isolamento. Somente quando consegue viver como a águia, sem absolutamente qualquer público, você consegue se voltar para outra pessoa com amor; somente entao é capaz de se preocupar com o engrandecimento do outro ser humano" (p. 372)

Esta é uma fala do Nietzsche ao Doutor Breuer, seu médico e amigo na trama. Achei de extrema sabedoria quando ele coloca esta idéia de que é preciso se conhecer, é preciso relacionar-se consigo mesmo para poder se preocupar, de fato, com uma outra pessoa. Creio que esta idéia possa ser muito bem aplicada em relacionamentos de amizade e amorosos também. Ao dizer "torna-te quem tu és" Nieztsche desafia seus leitores a olharem para dentro e si e descobrirem o que sao, quem sao.

Quando comecei a fazer terapia há alguns anos atrás, logo percebi que o fato de entender a si próprio tem um poder maior do que podemos imaginar. E apesar de ser necessário que nos relacionemos com outras pessoas - em diferentes níveis - para termos espelho, para podermos nos enxergar, a solidao, o ficar sozinho, é essencial para que alguém possa olhar para dentro e se reconhecer em si próprio.

Nestes tempos de correria e agenda cheia, respiro fundo quando sento na frente deste computador e simplesmente registro meus pensamentos, devaneios... Outras vezes, em momentos de puro ócio (meio raros ultimamente), viajo nas idéias mais malucas. Conjecturo sobre a vida. A minha, a dos outros...a dos amigos.... penso sobre a saudade, penso sobre relacionamentos. Penso se eu estaria pronta para encarar outro. Será que eu tenho vontade? Ainda bem que pra este quesito me falta pressa... sim, me falta pressa. Seria esta atitude algum sinal de maturidade? Estaria eu renunciando, pelo menos momentaneamente, às outras possibilidades, para terminar o processo de auto-reconhecimento?

Dificilmente é possível nos isolar de tudo e enfrentar a mais pura solidao. Mas j­á disse antes nesse blog, é algo muito saudável. Viver a companhia das pessoas após ter atravessado este "vale da sombra da morte" me faz sorrir docemente de alegria.

Termino com outro pensamento de Nietzsche que se encaixa com o sentido que estou tentando dar a este post:

"Quem nao obedece a si mesmo é regido por outros" (p. 240)

=)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

10 dias de Rio de Janeiro

Tá acabando. A temporada de Ylana na maravilhosa cidade do Rio de Janeiro, como uma turnê ou musical, chega ao fim. Foram-se 10 dias...

Cheguei aqui há 10 dias, num domingo. Estava com um mau-humor difícil de explicar. A fina garoa que caía nao contribuiu para melhorar meu estado de espírito. Trancada num pequeno apartamento, sozinha e sem acesso a internet. Foi assim que tudo começou.

Os compromissos foram cumpridos. A chuva nao deu trégua, mas meu humor sim, melhorou. Reencontros, conversas. Muitas conversas. Caminhadas solitárias por uma cidade que, mesmo depois desse tempo, permanece, de certa forma, uma incógnita para mim.

Tempo pra mim. Tempo sozinha. Tempo pra pensar. Pensar no passado, presente e futuro, nao necessariamente nesta ordem. Mar, ondas, sol - ou a falta do mesmo. Pessoas caminhando, eu junto. Disfarçada de gringa eu descobri lugares e pessoas. Num exercício de introspeção forçado, todavia necessário, ouso dizer que descobri eu mesma, mais uma vez. Ou pelo menos o que restou daquilo que eu costumava dizer que era "eu".

Nao pertenço ao mar. O cheiro da maresia me causa repulsa, por mais que eu goste da praia de vez em quando. O gosto do sal me enjoa. Gostei enquanto da turnê, da temporada, mas agora é hora de seguir viagem. Mais afeita a cidades grandes, hiperativas, de ritmo frenético, lá vou eu para um próximo capítulo. Plantar raízes em outras terras, espero que férteis. Sozinha, livre e desencanada, sigo com a vida, em parte por nao ter outra opção, e em parte porque realmente quero.

Obrigada, Rio! Até a próxima!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Eu, a mulher sem razao

Hoje foi mais um dia que pode entrar pra galeria dos "perdidos", ou "esquecidos". Segunda-feira chata, com poucos momentos de exceçao.

Falei com o Sr. T, gentil como sempre, que vai me ceder seu apartamento quando eu estiver no Rio. Essa foi uma das poucas partes boas do dia. A outra boa parte do dia foi ver a cara da Cicci elogiando meu blog. Ela disse que eu tenho uma cabeça...assim, (nao terminou a frase, mas a cara foi boa, hehe). Fiquei tao lisonjeada que quase chorei, hehe.... ai, como eu sou ridícula! Nao sei o que é, mas ultimamente qualquer coisa tem me feito chorar.

Quase 10 da noite, longe da televisao e do prospecto de falar com alguém, mesmo que pelo telefone, começo a sentir a pressao dos dias que ainda estao por vir. A viagem da semana que vem, a responsabilidade. A vontade de fugir, que vem junto com a vontade de morrer. E falando em morrer... hoje eu fiquei pensando no que eu faria caso fosse cometer suicídio. Para onde iria, se deixaria um bilhete e, no caso, o que escreveria nesse bilhete. Cheguei à conclusao de que eu tenho vergonha de morrer assim. Imagina alguem no meu enterro dizendo, "ai, coitada! Que fraqueza de espírito, se matar aos 24 anos!"....

Hoje também eu esbarrei num velho email. Foi ruim. Muito ruim. Chorei horrores. Mas passou... se tudo der certo eu ainda aprendo a lidar com os erros dos outros, já que consertar mesmo eu só posso fazer com os meus.

Continuando a onda de postar letras de música, escolhi a "Mulher Sem Razao", com a voz da Adriana Calcanhoto. Essa música me lembra uma pessoa especial em quem pensei quando a ouvi pela primeira vez. Eu, que às vezes me rendo a boa MPB, me enxerguei nesta cançao, me vi como a própria mulher sem razao, que deve cair na real. Com a diferença que... eu desisto de ouvir meu coraçao. Vou ouvir é o meu cérebro mesmo. É lá que meu juízo deve estar guardado, em algum cantinho empoeirado e esquecido.


Mulher Sem Razao

Saia desta vida de migalhas
Desses homens que te tratam
Como um vento que passou

Caia na realidade, fada
Olha bem na minha cara
Me confessa que gostou
Do meu papo bom
Do meu jeito são
Do meu sarro, do meu som
Dos meus toques pra você mudar

Mulher sem razão
Ouve o teu homem
Ouve o teu coração
No final da tarde
Ouve aquela canção
Que não toca no rádio

Pára de fingir que não repara
Nas verdades que eu te falo
Dá um pouco de atenção

Parta, pegue um avião, reparta
Sonhar só não tá com nada
É uma festa na prisão

Nosso tempo é bom
Temos de montão
Deixa eu te levar então
Pra onde eu sei que a gente vai brilhar

Mulher sem razão
Ouve o teu homem
Ouve o teu coração
Batendo travado
Por ninguém e por nada
Na escuridão do quarto
Na escuridão do quarto

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Sao Paulo - reflexoes

Sao Paulo é correria. As pessoas andam rápido, como eu. Gosto disso. Sabem pra onde vao e nao tem tempo a perder. Nem olham pro lado. Ignoram o céu cinza que paira sobre suas cabeças e seguem seu caminho.

Em Sao Paulo eu sempre como demais. Bem mais do que deveria. Talvez como uma compensaçao à frustraçao de ter que aguentar transito e outras coisas, eu desconto comendo. É pizza, sanduiche (aqui eles dizem lanche), coxinha, tudo o que vier.

Sao Paulo é cinza. Nao só o céu, mas os carros também. Observei isso na rua. O tanto de carros da cor prata e cinza, tudo blasé...argh...

Sao Paulo também é um excelente ambiente para aqueles que nao querem pensar. Aqui a gente se distrai fácil. É o transito e as dificuldades de transporte, é o cheiro do tiete ou quem sabe o charme de um café expresso apreciado às 6.30 da manha na Av. Paulista. O fato é que... pensar pode, tranquilamente, ficar em segundo plano.

E foi aqui em Sao Paulo que eu comecei a ler o livro "Consolaçoes da Filosofia", do Allain de Bottom, também autor de "A Arte de Viajar", que eu adoro. Livro este que veio em muito boa hora. Quase uma auto-ajuda filosófica, haha! Que nada... o livro apresenta idéias de filósofos que poderiam ser usadas para, quem sabe, nos consolar de certas coisas, seja impopularidade, frustraçao...até coraçao partido.

Sao Paulo me traz um mix de tristeza com esperança. Interessante como isso funciona. Acho que depende da hora do dia ou da parte da cidade em que eu me encontro.

Foi aqui em Sao Paulo que ontem, enquanto eu esperava minha prima na frente de um terminal de onibus, um estranho da rua chegou pra conversar comigo. Eu, por incrivel que pareça, dei papo para o estranho. Quase no fim da nossa conversa esse estranho virou pra mim e falou coisas da minha vida. Coisas pessoais. Que ele nao poderia ter adivinhado. Foi estranho, no mínimo. Fiquei impressionada....ainda estou... será que eu deveria estar impressionada? Nao foi simples coicidencia?....bem, a vida continua enquanto eu tento rebater o que o estranho me disse usando um pouco de lógica que ainda me resta.

Amanha eu vou embora de Sao Paulo... como será que vai ser voltar à Goiania?

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A-lonely

Chegou em casa, acendeu a luz e trancou a porta. Contemplou o vazio, como sempre. Foi até a cozinha, que ainda cheirava à comida. Coisa rara. Normalmente aquele cômodo estava organizado e limpo. Sem sinal algum de vida.

Subiu até o quarto. Nada muito diferente. As coisas continuavam como ali ficaram desde a última vez que as viu. Calor. Abre a janela, mas nao adianta. O jeito vai mesmo ser o ar condicionado.

Tarefas corriqueiras tomam o seu tempo. Lava a louça, limpa o fogao, tira o lixo. Enquanto isso a TV ligada "enche" o ambiente. A Rihanna canta, a especialista em cachorros ensina outros a lidarem com os animais, e a apresentadora da CNN parece ter a voz preocupada com a nova queda das bolsas asiáticas. Mas nada chama a sua atençao de verdade. Novela. Isso, a novela! Essa deve ajudar à esquecer um pouco aquele momento. ....mas nao...

Apela e liga pra alguem. O alguem nao está disponível. Acontece....

A saudade aperta. Mas....saudade de que? Nao sabe. Saudade de...alguma coisa. Porque o vazio só parece aumentar ultimamente....

Foge para a internet. Quem sabe nao tem alguem pra conversar no MSN?.... e olha que até tem. Mas... a preguiça é maior. A falta de vontade de falar, ou falta do que falar é maior. Continua ali, mas offline. Para que ninguém note sua existência.

Rivotril... este, que tem auxiliado nestas horas. Porque ainda é melhor dormir do que ser tomado por todos estes sentimentos ainda acordado. 0,5mg já ajudam....apesar de que a vontade mesmo era de tomar umas 2mg.

E por fim o sono chega....como uma deliciosa embriaguez... o corpo fica leve, as lágrimas, ainda inexplicadas, secam.... e a vontade dormir vai aos poucos se tornando cada vez mais imperativa.

Quem venha quarta-feira...

domingo, 17 de agosto de 2008

Domingo à noite...

Sentada na frente desse computador há nao sei quanto tempo eu fico parada, pensando.... o que vou escrever? De repente toda minha inspiraçao se esvaece... e "Hole in my Soul" continua tocando... quao propício!

Ontem eu e o Alê rolamos na grama feito duas crianças. Mesmo sob protestos e com gente gritando, "socorro! Alguém pega a ritalina", aquele momento de volta no tempo fez meu dia. E depois veio a embriaguez, seguida de larica. Tudo uma delícia.

Hoje o dia foi leve. Sem muita coisa pra fazer, mas ainda assim fazendo coisa diferente. Fui no Serra Dourada ver o Goiás ganhar do Náutico. Nunca imaginei que o Serra seria um lugar legal pra ficar à dois... mas é! = P ...recomendo...pra quem curte futebol, é claro. No fim do jogo, além do bom resultado, tivemos direito também à um lindo pôr-do-sol do Cerrado, iluminando Goiania, que no momento tinha o céu roxo. Lindo!

De volta pra internet, vou pro MSN. Converso com uma amiga. Com outra. As duas falam de suas complicaçoes sentimentais. Eu penso nas minhas. Mas prefiro me concentrar nas delas. Homem safado na vida de uma. Mulher mentirosa na vida de outra. Há quem diga que a história só muda mesmo de endereço. Hoje eu nao digo nada. Só observo. Olho. Leio.

E o post termina citando um pedaço de uma das melhores músicas de Alanis Morissette, Precious Illusions:
" these precious illusions in my head did not let me down when I was a kid
and parting with them is like parting with a childhood best friend"
 
Copyright 2009 A fim de que.... Powered by Blogger Blogger Templates create by Deluxe Templates. WP by Masterplan