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quinta-feira, 11 de março de 2010

E o Terremoto Nosso de Cada Dia Nos Dai Hoje!

E eu achando que já poderia escrever um post inteirinho sobre as mil maneiras de se preparar abacate – a la chilena – ou mesmo sobre as várias vitaminas que ando inventando esses dias. PERO NO! O constante movimento de placas tectônicas, mais especificamente, uma réplica forte de 6.9 graus me impediu. Portanto, queridos leitores, lá vamos nós – de novo! – para outro relato terremótico.

Era uma bela e ensolarada manha de quinta-feira, 11 de março de 2010. Na cidade de Santiago, no Chile, muitas pessoas estava atentas as notícias políticas. Uma cerimônia longa e chata – como todas do tipo – marcava a transição do governo de Michelle Bachelet – de izquierda – para Sebastián Piñera – de direita. A falação era enorme, já que nos últimos 20 anos o país havia estado nas mãos da galera de esquerda, depois da caída do Sr. Pinochet, direita. Aff, tanto troca troca! A política é assim mesmo, cíclica...pra não dizer outra coisa.

Eu me encontrava linda e loira, jogada na cama, escrevendo um email para R, ao mesmo tempo que papeava com Dona L no MSN. E foi quando começou tremer. Oh, céus, grandes coisas! Há mais de duas semanas treme todos os dias. "Mais uma réplica legal", pensei. No entanto, diferente das outras já sentidas réplicas, é que essa foi aumentando a intensidade. Treme, treme, treme... a cama balançou forte, a televisao, a lampada, a estante....meu mouse caiu da mesa. Sim, era outro terremoto.

As pessoas reagem diferentemente a situaçoes como esta. Em vez de ir para debaixo de uma porta ou mesa, como manda o protocolo, twitei! Por que? Sei lá! Acho que me passou pela cabeça que era uma bom jeito de informar o mundo sobre o que acontecia por aqui, neste país tao austral. Porque nada melhor do que informaçao quentinha. E se aquelas fossem minhas últimas palavras, melhor morrer assim, sendo (pretensiosamente) útil à humanidade! Uau...forcei, hein!?

Assim que parou de tremer tomei a questionável decisao de ligar para Moms, que estava online no Skype. Liguei avisando: "Ó, to ligando só pra dizer que estou bem e pra ninguém ficar assustado quando ver, na hora do almoço, o jornal dizendo que teve outro terremoto, ok? To viva e to bem". Aqui eu abro um parenteses: avisar a família que voce está bem e acaba de sobreviver a uma catástofre tem um efeito quase igual ao de pedir para uma criança hiperativa ficar quieta. Ou seja, nulo! Pouco adianta eles ouvirem a tua voz e as infindáveis reafirmaçoes de que nem tudo é tao ruim como parece. Eles insistem, "saia já daí, volte para o Brasil". Como se isso fosse adiantar alguma coisa. E fecham com o tradicional argumento, "quando voce tiver seus filhos, entenderá!"

Aí estava eu, no meio dessa conversa quando....começou a tremer de novo!! Viva!... E novamente os cracks da parece - como se fosse cair, o balançar forte de tudo. Senti como se meu quarto fosse um caixote sendo transportado por um caminhao velho de mudança. Avisei para Moms - e um casal de tios que nessa altura já haviam aderido à conversa: "Olha, tá tremendo de novo aqui e dessa vez tá forte. Lembrem-se, estou bem. E agora vou descer do prédio. Té mais, beijo e ciao!". 

E assim fiz. Troquei de roupa rapidao e fui descendo as escadas. Encontrei com a vizinha da frente, que ia na mesma onda, junto com seus dois cachorrinhos. Acabei pegando o elevador mesmo.

Lá embaixo já haviam umas pessoas, mas o que é melhor de notar é que, mesmo bem conscientes de tudo, os seres-humanos sao capazes de encarar as mais diversas situaçoes com certa naturalidade. Por isso volto a insistir que nao existe outro caminho, a nao ser seguir em frente.

Coloquei minha música e segui andando para o metro. E dae que a terra tremeu? Nao por isso vou cancelar meus planos para o almoço. Mesmo porque tudo seguia num ritmo normal...o onibus, o metro, os pedestres, os carros...e nessa hora até eu, que nao digo que sou crista, nao resisto. Olho pro céu e peço a D-us: "e o terremoto nosso de cada dia nos dai hoje!"


Música sugerida:

Celebration (Mandonna) - tocou assim que eu saí de casa, rumo ao metro, hehehe...achei propício!

domingo, 7 de março de 2010

Abalo: O Pós Apocalipse PARTE III (e última!)

A segunda-feira pós terremótica foi dia de encarar o supermercado e comprar comida. Como relatado no post anterior, até domingo a tarde eu e Gabo nos abrigamos na casa de R, ou seja, nao havia alimento em casa.

Eu já sabia que os supermercados estavam todos cheios, mas pensei que na segunda as coisas já teriam se acalmado um pouco. Haha! Doce ilusao! Cheguei no Tottus (supermercado perto de casa) e estava absolutamente lotado, com filas imensas, cheio de gente com cara de terror. Ai, que saco! Eu até aguento o lugar lotado. Me bate uma onda de paciencia, mas gente com cara de terror sem a absoluta necessidade, isso sim me irrita!

Realmente nao sei o que passou na cabeça dos santiaguinos. Quem sabe pensaram que o abastecimento de comida iria diminuir, ou que os preços sofrer um aumento absurdo, ou que a Terra iria acabar de vez. Nao sei mesmo o que pensaram. Mas o fato é que as famílias correram para os supermercados e começaram a comprar artigos de necessidade básica como farinha, óleo, carne, pao, abacate... Sim! Abacate é artigo básico aqui no Chile. Hilário, nao? Hahaha

Quase nao consigo comprar pao. Peguei o último pacote que tinha. O pao que eu realmente queria, um Pan Pierre (com ameixas), nao tinha nem o rastro. Me contentei com um integral normal. Comprei frango, tortilha, macarrao e umas frutas e verduras. E ae foi hora de encarar a fila. Ah neim...

A fila foi o pior. As pessoas, além de loucas, pareciam estar mais burras que o normal. Nao acredito que essa minha crença seja pura falta de paciencia. Nao! As pessoas realmente sao burras, já dizia Dr. House. E em circunstancias assim, meio complicadas, parece que essa característica se acentua. O que é estranho, porque se há mais adrenalina no sangue, seria lógico deduzir uma maior agilidade. Pero no! E depois de muita, mas muita espera, consegui parar e vir para casa.

O dias subsequentes foram meio anormais. Shopping fechando mais cedo, lojas fechadas, alunos cancelando aula. Mas aos poucos as coisas voltaram ao normal. Na terça Gabo deu a sorte de estar na hora certa e no lugar certo (leia-se: loja da TAM, depois de 2 horas de espera). Confirmaram um voo para terça a noite e num espaço de 2 horas tivemos que arrumar a mala, comprar uns ultimos presentes (vinhos, piscos, alfajores, etc) e correr para fazer o check-out. E as 7pm lá se foi ele...de volta pra casa.

É isso.... assim sobrevivemos ao terremoto. Adorei. Continuo a afirmar que tenho mais medo de barata do que réplicas e tremores em geral. Acho mais digno morrer de terremoto do que de bala perdida, por exemplo. Por que? Nao sei. Freud deve explicar... Enquanto isso continuo por aqui, afirmando a cada dia que as coisas estao bem normais. A grande liçao a tirar de qualquer catástrofe, pessoal, nacional ou mundial, é que nao existe outro caminho, a nao ser seguir em frente.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Abalo: O dia depois de ontem Parte II

Antes de começar o relato sobre o que sucedeu após o tal terremoto, queria aproveitar o espaço e pedir para que voces nao acreditem na mídia. As notícias tem abusado do mau gosto, repetindo imagens da tragédia e anunciando cada réplica como se fosse o apocalipse. Houve sim muitas áreas afetadas. Os tsunamis varreram tudo por onde passaram e as regioes mais próximas ao epicentro também foram devastadas. No entanto, em Santiago, com poucas exceçoes, a situaçao está normal. A vida continua, as pessoas vao ao trabalho e, apesar de estarem meio loucas, comprando tudo o que há no supermercado, tudo segue seu ritmo.

Ok, agora senta que lá vem história...

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 Terminamos o último episódio com o terremoto pegando todo mundo de surpresa.

Eu e Gabo nos reencontramos com R e saímos da boate, assim como todo mundo. Gabo estava tranquilo, internamente desejando que nao fossemos embora. Ele achava que a balada ainda continuaria. Eu e R também estávamos de boa. De fato eu curti muito o apagao geral que tava na cidade pois a lua, em toda sua glória cheia, refletia linda em cima da Virgem que se encontra no topo do Cerro San Cristóbal. A vista era absolutamente linda, em meio a loucura que estava o Bellavista (bairro boemio aonde se encontra a boate).

Saímos pela cidade, meio sem saber o que fazer. Viemos parar aqui, na frente do edifício aonde moro. O problema? O problema óbvio é que eu vivo no apartamente 254, 25o andar, para ser mais específica. Ficar sem eletricidade seria tolerável se isto nao implicasse, automaticamente, na falta de água. Porque a água nao sober 25 andares sem eletrecidade. Quase entrei em panico pensando que nao teria água em casa. Simplesmente nao posso viver sem água. Bebo água compulsivamente e... beber água traz suas consequencias naturais, né! Pra resumir, R foi um muito gentil e convidou eu e Gabor para dormir em sua casa, aonde havia água - quente e fria!

Sábado de manha, assim madrugadinha, rolou a primeira réplica. O que é isso? Sao tremores menos intensos que o terremoto. Terremotinhos, tremidas residuais, que também variam de intensidade. Dizem que essas tais réplicas acontecem até 2 meses depois da sacudida principal...ou inicial. E de fato, elas continuam...

Mas, voltando a sábado de manha...ainda nao tínhamos eletricidade. Ajudei R a preparar nosso café da manha e depois, junto com Gabo, fomos jogar poker, seguido de truco. Gabo é bom de truco, e ganhou todas. Eu tive sorte no poker, e depois perdi tudo, hehe. Me senti como uma espécie de Anne Frank, pero menos glamourosa. Teria mandado Gabo escrever minhas memórias, já que praticamente esqueci como se escreve a mao.

A tarde foi hora de encarar a realidade e subir os 25 andares a pé. Isso mesmo...

Dentro do apartamento estava uma bagunça. Minha televisao no chao, roupas também. Os livros da estante - que eu havia arrumado há uma semana - estavam caídos, assim como os batons, cremes, etc. Segundo o relado de Monsenhor Ariel, que presenciou tudo aqui de dentro, a coisa foi feia. O espelho do banheiro caiu e quebrou uma bomba de água - deixando-nos sem água de vez e inundando o banheiro. A geladeira se desligou e foi dançar no meio da cozinha. Os quadros da sala, junto com as estátuas peruanas, foram todos para o chao. Um cenário assim, meio apocalíptico.

Liguei pra casa. Acalmei os animos de todos na família que, obviamente, pensavam que eu havia morrido soterrada. Tranquilizei a todos, contando toda a história e explicando porque nao foi possível entrar em contato antes. Fogueira apagada, foi hora de almoçar.

Com toda a história de falta de água e subir 25 andares, eu só queria saber de tomar banho e escovar os dentes. Essa era a prioridade. R novamente ofereceu sua casa, aonde ficamos até domingo de tarde, e essa parte foi bem legal. Ficamos todos em casa, bem tranquilos. Banhos tomados, dentes escovados. Jogamos Wii, truco, conversamos, jantamos, caminhamos pelo bairro - que é no subúrbio de Santiago, bem tranquilo.

No domingo levantamos tarde e fomos almoçar em Cajón del Maipo, um vilarejo no meio das montanhas. Apreciamos um delicioso Lomo a lo pobre num restaurante ao pé de uma enorme montanha. Cenário delicioso.

O fim de semana terminou assim, calma e gostoso, sem nem parecer que há pouco mais de 48 horas as placas tectonicas abaixo de nossos pés resolveram mudar o destino de muitos que se encontravem nesse país.


No próximo episódio falarei sobre o clima de apocalipse sentido nos supermercados, e também sobre a volta de Gabo ao Brasil.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Abalo: Caught in a Bad Earthquake PARTE I

Data: Sábado, mais ou menos 3 e pouco da manha, ano 2010.
Local: Bunkers (boate gay), Santiago-Chile.

Ooooooo...caught in a Bad Romance... (música começa)
"Ah, eu adoro essa música!"
"Eu também, Bee!".
Os dois amigos pulam e conversam.

Música para. Luzes se apagam. E a terra treme....


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A noite começou muito bem. Eu e Gabo fizemos um penne ao molho branco com abobrinha que ficou um arraso. Logo chegou R e começamos a curtir uma musiquinha e a tomar piscolas (pisco + coca). Fui para o quarto me arrumar e saímos.

Resolvi que nesta noite eu nao iria beber muito. Pisco é bem pesado, deixa bebado muito rápido, entao fui com calma. Beberiquei um pouco e bastou. Enquanto isso, Gabo e R se acabavam. Piscolas, música, gente. A boate enchendo. E chegou a hora do show e as drags apareceram. Figuras bizarras, dançando, dublando. Veio a drag mor e fez piadas. Sorteou premios, falou com a platéia. Tudo muito engraçado.

R pediu licença para ir ao banheiro e saiu. Enquanto isso Gabo e eu ficamos na pista, e logo começou a tocar Bad Romance, de Sra. Gaga. Adorei. Há mais de hora eu estava com sono e querendo ir embora. Quando a música começou, pensei: "ótimo...danço mais essa e caio fora". Vieram os primeiros acordes. Lembro que eram um pouco diferentes, no piano. E a voz de Sra. Gaga soou forte: Oooooo caught in a Bad Romance...ah, ah, a a a a...rama-ra ah ah ah...Ga-ga, uh lá lá...

A música parou.
As luzes se apagaram.

Por um milésimo de segundo ainda pensamos que pudesse ser um efeito bizarro, algo assim, revoucionário. Até que veio o tremor.

Tremeu forte. Peguei na mao de Gabo e fomos para o lado. Instintivamente entendi o que estava acontecendo e sabia que estar embaixo daqueles globos espelhados nao era boa idéia. Virei para ele, na maior calma do mundo e disse: "Bee, fica calmo. Isso é um terremoto, acontece de vez em quando, tá bom?". É isso mesmo. Falei como se eu já tivesse vivido a situaçao inúmeras vezes. Por que? Nao sei. Segundo meu teste do Roschard eu sou assim, possuidora de uma tranquilididade invejável em horas de extremo perigo e adrenalina.

Nao sei por quanto tempo tremeu, mas foi intenso. R logo chegou para nos encontrar, com uma carinha assim, meio assustada. Uma vez mais, de forma assim, meio instintiva, tomamos o caminho da porta. Acabara a balada.

(No momento em que escrevo estas palavras, outra réplica - tremidinha residual - acontece!).

Sugestao de músicas para acompanhar o post:
Bad Romance - Sra. Gaga
Earthquake - Botinhas...mais conhecida como Little Boots
Abalou - pIvete Sangalo
Message in a Bottle - The Police

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Flashback

Eu tenho a força....sou invencível....vamos, amigos. Unidos venceremos a semente do mal! HE-MAN! (clipe)

Um esbarrar na música Vou de Táxi da Angélica fez com que eu retrocesse uns anos e baixasse vááárias músicas que marcaram minha infancia
Trem da Alegria, Balao Mágico e Angélica, sem contar as da Xuxa. To cantando todas hoje...

Piuí, piuí...piuí Abacaxi! Choque, choque, choque por aí.... Adoooro!

E aquela, uni duni duni te...ooooo, salame mingue! Ooooo...sorvete colore!...

Mas a minhas duas preferidas de todos os tempos foram: Ilarie e Thundercats... inclusive eu tenho uma versao em espanhol (breguééérrima) de Ilarie! Por favor, confiram essa raridade aqui! .... Quantas tardes eu nao passei pulando no sofá de casa, com uma vassoura na mao (a guitarra!), cantando, "thunder, thunder, thunder, thundercats..." . Outras tantas tardes dançando com a Angélica (eu ainda lembro das coreografias!) e cantando "meu herói...flecha de amor nao dói...meu herói, ele é cupido!".

Hehe...hoje em dia nao pego mais a vassoura pra fingir que é guitarra - fico tocando no ar mesmo enquanto caminho pro trabalho, hehehe...
Nenhuma reflexao particular sobre este momento. Nao gosto dizer que aquela época é melhor. Nao necessariamente. Mas num surto titia, vou gravar bem gravadinho essas musiquinhas para meus pedir a opiniao dos meus futuros filhos/afilhados/etc.

Quem também ouviu essas raridades por favor, levanta a mao!!

=P

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Alguém Me Explica?


Dizem que nada acontece por acaso. Eu mesmo vivo falando isso. Dizem que toda história, todo acontecimento tem uma razao e que mesmo que a gente nao saiba muito bem o que seja, deve ser paciente pra entender, nao é? Entao Deus, de-me paciencia! Muita!

Hoje a tarde, morrendo de frio em casa, resolvi que o Starbucks (de sempre) seria um lugar melhor pra estudar. Além da musiquinha legal eu poderia tomar um capuccino bem gostoso e me esquentar. Combinei com meu colega Sr. A, e lá fomos nós, em nosso meio de transporte de sempre, nossas bikes.

Graças ao atraso de Sr. A consegui adiantas as coisas. Ele chegou e ficamos conversando horrores. Trabalhamos mais um pouco e eu quis ir embora. Juntamos os computadores, mochilas e trapos, e lá fomos. Chegando do lado de fora do estabelecimento, bem onde deixamos sempre as bicicletas, a constataçao, expressa por mim com cara de nhé: "roubaram minha bicicleta". Sr. A precisou de uns dois segundos para responder: "a minha também!". Eu caí na risada. Lembrei na hora do meu amigo Sr. P, que sempre diz que devemos rir das desgraças. Nao tinha outra opçao a nao ser andar até o IEI, ainda rindo. No caminho aproveitamos pra afogar as mágoas num Gyro, uma espécie de sanduíche grego. Ah, detalhe: as bicicletas nao eram nossas! Eram emprestadas.

To meio grilada, é claro. A tal bicicleta era meu principal meio de transporte! Eu ia pro IEI (escola), pro supermercado, banco, casa de amigo, sempre nela. Pensa na grana que eu já economizei! E no quanto eu nao poluí o meio ambiente!....ah neim... (cara de Nhe). Para fins de consolaçao eu disse pro Sr. A que existe algum propósito nisso. Eu só nao sei qual é. Hahaha...na falta de um consolo melhor esse vai servindo. Também pensei se eu tenho algum pecado nao expiado e por isso algum delinquente chileno me sacaneia. Mas pow...eu ando tao santinha!....

O Sr. A queria de todo jeito chamar a polícia. Eu convenci ele do óbvio, que a polícia tem coisa melhor pra fazer do que procurar duas bicicletas! Além do mais, eu disse, se eu fosse o ladrao e o policial me perguntasse se a bicicleta era minha, é ÓBVIO que eu ia dizer que sim!... Tadinho! Ele tem que se explicar pra um muleque de 13 anos, o dono da bike dele.

Entao...se alguém tem alguma teoria sobre o motivo desta puniçao que me adveio, por favor compartilhe. Se nao tem, ok. Pode só sentir pena da minha pessoa, quase aleijada (joelho anda doendo muito!), e agora sem transporte ecologicamente correto. Ai, credo, que momento mais auto-piedade! Sai, sai capeta!

=/


P.S. A foto acima é algo bem próximo de nossa última visao das bikes.

P.S.2. Que o ladrao dessas bikes caia e quebre todos os ossos!!! Morra e vá para o inferno, ser escravo do capeta! AMÉM!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Uma Questao Cognitiva

Segundo a mae da sabedoria, a Wikipedia, "Cognição é o ato ou processo de conhecer, que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem". Adorei essa definicao! Hoje estive envolvida em um clássico caso de Dissonancia Cognitiva. Aonde eu achei uma coisa, mas era outra. Alguns simplificariam a questao e diriam apensa que eu dei uma de "loira". Pode ser também...

Hoje, no caminho pro IEI, passei na farmácia. Precisava comprar Vitamina C e um hidrantante, desses mais baratos, porém decente o bastante, pra poder passar no corpo inteiro. É que eu to economizando meu Victoria's Secrets. Pobre é uma merda mesmo....

Enfim, olhei, olhei e olhei as prateleiras. Eram muitos frascos. Muitas promocoes. Marcas que eu nunca tinha visto. Finalmente escolhi uma. Vi as palavras Aveia, Hipo-alergenicoe cremoso. Tudo isso (700ml) por apenas 990 pesos (uns 5 reais, pouco menos). Pronto! Nao pensei outra vez, catei o negócio, paguei e pronto.

Chegando no IEI fui provar o meu novo creme, feliz da vida. Coloquei o trem na mao, espalhei bem. Parecia bom. O cheiro parecia meio forte, pensei. Bom, mas...tinha cheiro de sabao. Entao peguei o pote de fui ler - dessa vez utilizando mais de 2 segundos pra ler tudo - e a palavra chave apareceu. Jabón. Sabao, em espanhol. NHEEEE.... momento Loira! Momento cara-de-bunda! Nao me restava mais nada a nao ser rir de mim mesma, hehehehe....

Se eu ainda fosse um genio, de um QI 140 mais ou menos, eu me perdoava! Mas eu nao sou. De fato, o único teste de QI que eu fiz (pela internet) deu que eu era 14% mais burra que o "normal". Nao tenho desculpa. Na hora de escolher meu creme, faltou atencao, percepcao, pensamento, juízo e raciocínio, no mínimo!

Cá estou eu agora, com sabao líquido para o resto do ano e vitamina C pro resto do mes! E o Brasil vai ganhando do Peru por 2 X 0 ....viva!...

....MSN me chama...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Coisas de Segunda...

A tal da segunda-feira nem terminou ainda e já tenho historinhas pra contar.

Acordei cedo pra levar o carro pra consertar. Mais especificamente, a máquina do vidro elétrico que estragou quando, na última sexta-feira, misteriosamente, o vidro se estilhaçou enquanto eu tomava café no Fran's com Srta. F. Deve ter sido algum espírito maligno ou, como dizem, espírito zombeteiro. Enfim...como o seguro nao cobre o conserto do motorzinho que levanta e abaixa o vidro, me mandei logo cedo pra Campinas pra resolver isso.

Deixei o carro por lá e enquanto esperava a carona do papai, um carro parou bem na frente da loja aonde eu aguardava - quase - pacientemente, e desceu um rapaz, mais ou menos da minha idade. O garoto desce, vem até a minha pessoa, dá a mao e diz, com um sorriso: "Oi! Você é você mesmo?". Eu sorri de volta, dei a mao também né, e respondi: "Acho que sim, e você, quem seria?". A criatura, que se apresentou como Leo, aparentemente me conhecia dos tempos de faculdade. Ele é amigo de outros conhecidos. Mesmo morrendo de vergonha, falei que nao lembrava dele e pronto. E dae vocês, sabem, seguem-se as perguntas, "entao, tá trabalhando na área?"...blah, blah blah...

Mais alguns minutos de espera e um senhor, talvez de uns 50 anos, me abordou e foi falando:
Estranho-Falante: "Eu te vi falando no celular agora pouco e pensei, mulher gosta de ouvir coisa bonita. Você quer ouvir uma coisa bonita?".
Fiquei com cara de besta e, antes que pudesse responder, ele falou de novo:
Estranho-Falante: "Eu sou o dono do BLAH lubrificantes, ali do outro lado da rua, e de lá eu te vi falando no celular. Liga no meu numero ae pra você ouvir meu toque! É uma música linda, você tem que ouvir!" Ylana-cara de anh?: "Olha, eu já gastei todos os meus minutos este mês, meu celular nem faz ligaçao".
Estranho-Falante: "Ah, vai, tenta! Você vai gostar da música".
De tanto insistir, cedi ao pedido do "tio", e como esperado, a ligaçao nao foi completada e eu nao ouvi a tal música. Perguntei que diabos era o tal toque, o que havia de tao especial. A resposta?
Estranho-Falante: "O toque é o canto das árvores! Sabe, passarinho?".... acabou de falar e saiu.

Fiquei com aquela cara de "Anh? Eu ouvi isso mesmo?". Alguém me explica o que leva uma pessoa a atravessar a rua e importunar outra por conta de algo assim, tao nada a ver? Até fiquei paranóica na hora, pensando se a conversinha estranha nao era distraçao pra me roubar, pegar minha carteira, sei lá.

E falando em roubar....depois dessa abordagem do além, resolvi jogar paciência no celular. Nisso, uma garota, do meu tamanho, mais ou menos, e com jeitos&trejeitos de mala, se aproximou.

Garota-Mala: Tia, me dá um real?
Ylana-cara-de-ruim: Tenho nao, foi mal.

A Garota-Mala me encarou e olhou bem para o meu celular. Eu encarei de volta e ela saiu. Só para voltar, dois minutos depois, com a Amiga-Mala. Aí as duas me encararam. Com um medinho batendo dentro do coraçao, eu encarei de volta, dando o olho da morte para as duas, como se eu dissesse, "tá olhando o que, minha filha?". Se elas por acaso tivessem resolvido roubar minha bolsa, celular, e ainda me dar uma surra, eu nao teria tido a mínima chance. Hehe... mesmo assim, mais um passo que elas dessem em minha direção, ia sair porrada.

Enfim... isso tudo aconteceu num espaço de tempo de aproximadamente 15 minutos, em plena segunda-feira de manha!... Nao quero nem pensar como vai ser o resto da semana...

quinta-feira, 6 de março de 2008

A minha primeira vez....


Hoje foi um dia importante na minha vida... e o que tornou esse dia particularmente importante foi a ocorrência da minha primeira vez. Sim, a primeira vez em que subornei um guarda foi hoje, dia 5 de Março de 2008.

Saímos de Asunción deveria ser quase 11 da manha....quem sabe até um pouco mais tarde. Eu fui dirigindo do hotel até pegar a estrada... coisa que parece simples, mas dado os hábitos malucos do paraguayos em entrar na frente dos carros sem dar seta e sem se importar com a possibilidade de um acidente, foi uma parte meio estressante.

Os arredores de Asunción é cheio de cidadezinhas igualmente feias ou até mais feias. Imagine algum fim de mundo no nordeste....sim, é desse jeito! Mas continuamos a viagem mesmo assim. O plano era fazer essa parte mais difícil do caminho e depois entregar o carro ou para a Patti ou pro David, quem quisesse dirigir. Eu só voltaria a dirigir quando chegássemos na fronteira com o Brasil. E assim fomos....conversando e procurando alguma música que prestasse nas radios locais, até finalmente chegarmos num local que julguei bom o suficiente para fazer a troca. Logo depois de um pedágio.

A Patti decidiu que queria dirigir e lá foi ela. Avisou que nao dirigia um carro manual há muito tempo (se desculpando antecipadamente) e mandou ver. Primeira, segunda....quinta marcha. O nosso Renault Clio 2008 (alugado) estava a toda potência....até que 2km depois um guardinha Paraguayo sinalizou para o carro parar.

"Fudeu!", pensei. Até entao eu só havia sido parado na estrada uma só vez, quando fui com a Fasciutta para Pirenópolis no fim do ano passado. Normalmente eu nao ficaria preocupada mas... o problema é que a Patti tava sem habilitaçao, pois havia perdido sua carteira há uma semana, em Buenos Aires. E claro, qual foi a primeira coisa que o guardinha pediu? "Habilitaçao e documentos, por favor"....

Já sabendo que a coisa nao ia ser boa, desci do carro calmamente, com documentos na mao. Mostrei ao guardinha os papéis do carro e minha habilitaçao. Tudo tentando ganhar tempo, é claro, enquanto eu pensava em alguma coisa. E nisso os outros dois, Patti e David, estavam no carro, sem entender nada, mas prevendo que ia dar merda.

Depois de ainda dar uma de desentendida, argumentei com o Sr. Sanchez que o carro estava no meu nome, que eu estava dirigindo até pouco tempo e tal. As típicas desculpas esfarrapadas de todo culpado. Ele ouviu calmamente mas logo anunciou o preço da puniçao: 795,000 Guaranys, o que seria o equivalente a um pouco mais de R$ 300 reais. Mesmo sem saber a equivalência exata na hora, vi que a coisa ia ficar feia. Em meio segundo me imaginei tendo que pagar uma multa horrível naquele país nojentinho. Imagina, dar dinheiro pra essa gente! Ou pior...vai que a polícia Paraguaya me poe na lista de procurados!? Ou meu nome fica sujo no Brasil? Sei lá, nao deu tempo de pensar muito, por isso resolvi conversar com o Sr. Sanchez.

"Mas... Sr. Sanchez...nao tem jeito da gente resolver isso de uma maneira mais fácil nao? Porque eu tô indo pro Brasil hoje, o carro é alugado, cê sabe. É complicado" (Eu com cara de Ah Neim)
"É, você sabe...a multa é cara. É de 795 mil guaranys" (Sr. Sanchez, falando com um sotaque desgracado e com cara de feliz ao cheirar o $ fácil)
"Entao, vamos resolver isso de um jeito mais fácil" (Eu, com esperança e com espanhol enrolado)
"Quanto você oferece?"
"Quanto normalmente se paga?" (Eu nao ia entregar o ouro!)
"Quanto você quer pagar?"
"Eu quero saber quanto que normalmente custa pra resolver a situaçao!" (Sem desistir da negociaçao)
"500mil?" (Ele propoe)
"Nao, tá muito caro! Eu nao tenho esse dinheiro aqui!" (E realmente nao tinha, hehe)
"Que isso, eu já tô te quebrando um galho!"
"É, mas eu nao tenho esse dinheiro aqui!"
"400 mil?" - Pausa: eu penso um pouco no assunto, faço cara de Ah Neim de novo.
"300? em dolares? Pode ser?" (A oferta....)
"O que você faz? Você é comerciante, trabalha com negócios?" (Ele falou, rindo da minha murrinhagem)
"Haha! Nao... sou consultora" (Adoro dar essa resposta, pois nao diz nada)
"Tá bom, tá bom. Vou conversar com o chefe..."

Ele atravessa a rua e fala com alguém que eu duvido fosse o chefe e logo volta.

"Pode ser. Mas... fica entre nós. Ninguém pode saber"
"Claro, claro! Eu te agradeço por facilitar as coisas! Vocês aceitam dólares, né? 65 dolares americanos, que tal?" - US$ 65 daria uns 200 e poucos, hehe...mas eu tentei! - Ele pensa um pouco....
"Nao! 300mil guaranys....75 dolares americanos!"
"Tudo bem, perfeito. Vou pegar o dinheiro".

Nessas alturas meu queridos passageiros já estavam estressados, sem saber o que se passava, mas sentindo que havia encrenca. Entao contei a situacao pra eles e pedi pra arrumarem a grana.
Rapidinho me entregaram os 250mil Guaranys e uma nota de 20 dólares, fazendo com que tudo terminasse em 70 dólares, haha!

Me aproximei do guardinha e discretamente entreguei o dinheiro, dobrado e embolado. Ele nem conferiu. Apenas sorriu e agradeceu, apertou minha mao e me disse para manter os faróis ligados na estrada porque é lei no Paraguay. E também disse que só eu deveria dirigir pois haviam outros postos de controle pela estrada.

Entrei no carro, engatei primeira e fui embora, antes que o guardinha viesse reclamar os 5 dólares que eu resolvi dar de desconto no nosso trato.

E essa foi a primeira vez em que eu subornei alguém de verdade. Comprei minha liberdade de certa forma, a liberdade de nao estar encrencada numa burocracia estatal de um lugar do qual só tenho ouvido coisas como "a corrupaçao é endêmica lá!". Ou seja, tudo terminou bem, de certa forma.

Saí do local sentindo um mixto de frustraçao com realizaçao. Nao é todo dia que você tem que negociar um suborno num país que nao é o seu, numa língua que nao é a sua. E em termos de negociaçao, esta pode ser considerada uma bem sucedida, pois consegui que ele baixasse o preço para a metade do que seria a tal multa. Entao rolou sim um pouco de orgulho pessoal e sentido de missao cumprida, realizaçao. Mas ao mesmo tempo eu alimentei o sistema corrupto deles. Internamente xinguei todos os filhos da mae que recebem subornos. E depois pensei que o Sr. Sanchez deve ganhar bem pouco, além de ter a infelicidade de nascer no Paraguay.
Enfim, caros leitores....é um assunto que ainda vai dar o que falar, mas fica pra próxima. Enquanto isso aproveito Foz do Iguaçu.

Gracias!
 
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