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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Diário de Bordo No. 3: Salar de Uyuni - Lindo e Primitivo

Chegamos hoje (sexta) de volta ao Chile, em San Pedro de Atacama. Desde quarta estávamos em transito, no meio dos lugares mais inóspitos - e lindos - da Bolívia. Voltar pro Chile teve um gosto de voltar pra casa. E ah, que fique registrado, San Pedro parece Pirenópolis! hahaha...faltou só uma lanchonete vendendo empadao e pamonha.

Ok, vamos ao relato...vou tentar me concentrar nas melhores partes, mas como foram 3 dias intensos, aviso que esse post deve ser longo.

DIA 1 - Quarta 28/07: SALAR DE UYUNI

Chegamos pouco antes da 7 na cidade de Uyuni, na Boliviam, depois de viajar a noite toda desde La Paz. A altitude era mais ou menos a mesma, o que nao foi problema. O duro foi o frio, que tava de lascar. Pra voces terem um noçao, a janela do onibus congelou e nao dava pra ver lá fora. E foi nesse clima, gelado da p**** que descemos as malas e fomos para a agencia de viagem, aonde deixamos as malditas - que estavam bem pesadas. Ali mesmo conhecemos Sofia, uma sueca gente boa que também iria no mesmo tour. Nos cumprimentamos e, bem no estilo brasileiro, já convidei a nova amiga pra ir tomar café.

Uyuni é uma cidade bem pequena, currutelinha, como se diz em Goiás. Vive do turismo ao Salar. Na verdade só serve mesmo de base para essas tours que dali saem.

Conhecemos Yochom e Alex (Holanda) e Birgitte e Brigitte (Austria) que também iriam conosco e saímos quase as 11 da manha. Ae a primeira surpresa óbvia: todos os jipes 4X4 da cidade iam pro mesmo lado! Hahaha....e eu achando que ia ser uma daquelas viagens aonde voce se sente abandonado no meio do nada.

O primeiro dia é dedicado ao Salar especificamente. Imaginem voces 12mil kilometros quadrados de chao branco, feito de sal. Voce olha pro horizonte e ve umas montanhas - algumas delas, vulcoes. E ve a imagem espelhada no chao, como se tivesse água, hahaa...é o deserto, minha gente. Uma coisa linda, erma, no meio do nada. O céu azul maravilhoso na cabeça, o chao branco, parecendo infinito.

Almoçamos na tal Isla del Pescado (Ilha do Peixe), um morro cheio de cactus gigantes. Imagine um cacto de 9 metros...poisé, lá tinha um monte desses. O motorista era também o cozinheiro. E a comida me surpreendeu. Logo de cara ele serviu carne de Lhama. Oh, ceus...eu nao comi, fiquei com dó da bichinha. E medo também, hehehe...

Seguimos viagem pelo salar. O chao infinitamente branco, como descrito acima. Paramos para tirar fotos em perspectiva, essas que parecem de photoshop. Bem divertidas. Babei o tempo todo com as paisagens, tirei milhoes de fotos. Bati papo a viagem inteira e de quebra fui a tradutora do grupo. Só eu e R (sudacas) falávamos espanhol e ingles, e nos oferecemos para ajudar nossos amigos europeus.

No fim da tarde, saindo já do Salar, paramos numa pousadinha bem fofa. E imaginem....toda feita de sal. Os tijolos e o "grude" que junta os tijolos, tudo feito de sal. Um frio de fazer voce sonhar com os 40 graus do Rio de Janeiro e um céu lindo, lindo, lindo. R e eu até que estávamos bem preparados para o frio. Levamos jaquetas, luvas, gorrinhos, e tudo. Mas os europeus nao....hehee...coitados!

O jantar foi delicioso. Sopa de legumes e depois lasanha, feita com queijo local. Logo depois o motorista nos avisou que a luz iria acabar logo e, era bom que fossemos dormir. Isso era umas 9 da noite, hehee.... Walter (o motorista) estava certo, pois o outro dia começaria bem cedo.

DIA 2 - Quinta 29/07: O Deserto

O dia começou as 5:40am, com Walter acordando todo mundo. Logo tomamos café, carregamos o Toyota Land Cruiser com as malas, e vazamos - como se diz em Goiás, hehehe...

O frio, bem...nem precisa mais comentar. Acho que deu pra entender que tava MOITO frio! Mas assim como o céu estava lindo de noite, com direito a uma visa mágica da lua, o nascer do sol foi fantástico. E logo de manha entramos em um dos muitos desertos que visitaríamos.

A primeira parada foi num tal de Ejército de las Rocas...imaginem no meio do deserto um lugar que parece ter sido a casa de muitos recifes e corais, que agora sao pedras fossilizadas. Muito legal. A cor avermelhada-café do deserto, com seus vários tons, fazem tudo muito bonito e admirável.

A tarde, depois de visitar uns 3 lagos - sim, no meio do deserto e com direito a Flamingos - entendi porque Deus mandou os judeus pra um lugar assim - desértico, eu digo. Quando tudo o que voce consegue enxergar é areia, montanha e pedra, a sensaçao de pequenez e dependencia é enorme. Ou voce confia que alguém sabe o caminho e vai te guiar, ou bate o desespero.

No caminho vimos muitas lagoas, flamingos e vicuñas (parente da lhama). Areia sem fim. Tiramos fotos, claro. Improvisamos banheiros - viva as pedras gigantes que colaboram com a causa feminina - e conversamos temas variados, desde q incorporaçao da Turquia na Uniao Européia até as tradicionais banalidades.

De tardezinha foi a vez de parar num hotelzinho espelunca. Na verdade nem chama hotel, chama de refugio, porque é bem básico. A falta de estrutura foi compensada pela agradável companhia de nossos amigos de viagem e em seguida, de mais um jantar com direito a uma deliciosa sopa de legumes boliviana. Definitivamente, as sopas de legumes dessa viagem estavam muito gostosa!

Nesse refugio nao dava pra tomar banho. Claro que eu, eternamente obsessiva e ansiosa, havia estudado a viagem e sabia disso e, portanto, estava preparada. R e eu amenizamos a situaçao com esses lencinhos úmedos, de limpar nenem, sabe? Poisé, ajudou bastante! Até que suar a gente nao sua, pois é alto (quase 5 mil metros de altitude) e frio, mas a poeira é bem presente. Estávamos empoeirados dos pés às cabeças.

O lugar era ainda mais frio, e tive que dormir de casaco - aquele que eu usava no Canada quando fazia -20. Na verdade devia estar uns -20 lá fora, hehehe....O que eu nao entendo é como os (poucos) bolivianos vivem nesse ambiente o ano todo. Um ou dois dias de sofrimento a gente aguenta, mas coitada dessa gente que vive ae!

DIA 3 - Sexta 30/07: O Mal Humor e a Fronteira

O dia começou igual ao anterior. De madrugada e frio. A falta de estrutura, com a qual eu até entao lidei muito bem, finalmente me afetou. Nao demorou muito para que R viesse dizer que eu estava "chata". Em chileno, estar chata (le-se tchata) significa estar de mal humor, de saco cheio das coisas. E sim, eu estava bem chata. Nessas alturas da viagem eu queria fazer xixi sentada, lavar as maos e nao sentir dor por isso - agua congelando dói! - além de poder sair do jipe sem ter que colocar um gorrinho, cachecol e jaqueta, tudo pra me proteger do vento maldito.

A 4935 metros de altura - nosso recorde - o vento é muito forte. Ali vimos os tais geisers (le-se gáizer), que deixaram as malas com cheiro de enxodre. Aooo delícia! Mas foi interessante. Depois fomos a umas tais águas termales. Uma piscininha com água quente. Nada muito impressionante para quem conhece Caldas Novas, a suposta maior instancia hidrotermal do mundo - aoooo complexo de grandeza!!! Hahaha... A paisagem tava legal. Nao entrei na tal piscininha, mas fiquei pensando que, aonde tem água quente saindo da terra, ali tem vulcao. Adormecido ou nao.

A parada final foi a tal Laguna Verde, essa sim impressionante. No é de um vulcao, a cor esmeralda do lago é ma-ra-vi-lho-sa. Uma pena que eu realmente estava chata. Desci do carro, bati umas 5 fotos e voltei. Preferi admirar tudo dentro do meu lugarzinho confortável - nessas alturas eu sentava na frente.

Há 12km dali, a fronteira com o Chile. Foi a hora de despedir da gringolandia, dar uma gorgeta (10 mil pesinhos chilenos) para o Walter e entrar na van que nos deixaria em San Pedro de Atacama. A diferença Chile x Bolivia é óbvia na fronteira mesmo. Do lado do Chile tem asfalto e sinalizaçao. Do lado da Bolívia nao.

San Pedro de Atacama estava há 45km de pura descida. Se a fronteira estava na casa dos 4mil e tantos metros de altura, San Pedro está a 2500. No limite da dignidade, como eu mesma disse. Mais do que 2500 é quando as pessoas começam a passar mal. E de passar mal por altitude eu agora também entendo!

San Pedro é uma cidadezinha bem currutela, mas fofa. Lembra muito Pirenópolis. As casinhas pequenas, as lojinhas, restaurantes e tal. Encontramos logo um hotel e, depois do almoço, pra lá fomos, tomar um merecido - e necessário - banho e descansar um pouco.

Amanha já compramos o esquema de ir visitar o tal Valle de la Luna. Essa parte do mundo tem duas características básicas: este é o deserto mais árido do mundo, e também oferece os melhores observatórios de estrelas que existem. A NASA tem um observatório aqui. E amanha eu e R vamos passar a tarde vendo mais deserto, pedras e depois, com sorte, a Lua.


É isso por enquanto... post grande né? Eu avisei... Mas infelizmente resumi bastante. É difícil descrever as emoçoes provocadas numa viagem dessas. As fotos ajudam a dar uma ideia da coisa, mas só quem viveu isso mesmo para saber.

Shabat Shalom....

domingo, 6 de junho de 2010

Voce Sabe Que É Hippie Quando...

....no domingo a tarde voce lembra que a última vez que tomou banho foi na última sexta à noite!!!...




Preocupante.
#oremos
Em minha defesa, digo que o tempo esteve bem ameno (frio!) e eu nao suei nem saí muito. Só fui à sinagoga sexta e sábado...e ao shopping ontem a noite quando tentei ver Sex and the City 2 mas nao deu - a sessao lotou quando eu tava no meio da fila, 40 minutos antes de começar o filminho maldito. Certeza que foi macumba de R, que queria ver o filme comigo mas eu bati o pé e disse que veria sábado, de qualquer jeito. Toma! Fui matar a raiva em duas bolas enormes de sorvete do Bravíssimo, com cobertura de chocolate.

Mas tá bao, né....

Domingao de sol e (quase!) calor e eu em casa, também (quase) terminando o primeiro capítulo da pura genialidade (LOL) que é essa dissertaçao. Agora falando sério, eu escrevo....e daí leio...e acho que tá uma merda. Mas nao mudo nao. Deixo lá... mesmo achando que tá ruim ...perfeccionismo, oi? Sei que nao posso reclamar, mesmo porque o orientador - depois de ler as primeiras 12 páginas - disse que estava perfecto. Aí eu penso, "ou eu tou exagerando ou ele tá exigindo pouco"....No sé.

Chega de divagaçoes... R fez a prova do CFA ontem e agora terá mais tempo livre. Ótimo, porque eu já andava de saco cheio. Agora voltaremos a ser um casal normal (anh?) que almoça junto de vez em quando, viaja pra praia no fim de semana e joga raquetebol às quartas-feiras a noite. Quem sabe eu volte a cozinhar também. Mas sei nao...essa vida hippie me tirou até a fome. Estranho demais eu nao ter fome...nem vontade de comer. Tô assim mesmo sem tomar nem Rita nem Sibu....algo está acontecendo. Seria preocupante? Espero que nao.

Ok, lá vou eu pro cinema....

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Semi-Hippie

Bom dia, caros leitores!!!

É com muita alegria - ritalina + café na cabeça - que venho contar-lhes dos meus últimos dias.

Domingo dei a louca. Depois de terminar o livro da mente milionária, sentei na frente do computador e resolvi que ia começar a escrever o marco teórico da dissertaçao. Deu certo. Até ontem tinha 12 páginas escritas. Aproveitei que essa semana, devido a uma série de cancelamentos de aula (por parte de alunos e professores), tive bastante tempo extra. E assim entrei na vibe de escritora academica e passei a viver uma vida semi-hippie. Quer dizer, só faltou parar de tomar banho e botar dread.

A vida semi-hippie a qual eu me refiro é essencial para estimular a criatividade de escritora - a minha, pelo menos. Com dias cinzas e frio, passei provavelmente a média de 20 horas por dia dentro do apartamento, toda descabelada, feia, comendo coisas básicas só pra nao morrer de fome. Dessas 20 horas, umas 12 - no mínimo! - eram na frente do computador. Entre tweets e checagens de email, as palavras e frases se formavam em meu drogado cérebro.

Sim, o uso de drogas é outra condiçao de semi-hippie. Comecei domingo mesmo, com um singelo pisco sour. Um pouco de álcool pra ajudar a construçao da primeira página, que é sempre algo difícil. Os outros dias fiquei na conhecida Rita mesmo, com um adicional de Sibu (short para Sibutramina). Aqui, uma pausa para eu explicar a sibutramina - remédio para nao dar fome. Pedi para que Moms me arrumasse umas pílulas, porque esse negócio de namorar engorda. E daí que eu tava malhando, comendo certo (pelo menos em casa) e ainda nao perdia a pança! Moms, que é adepta das drogas também, nem perguntou porque e trouxe as sonhadas pilulazinhas. Uma beleza! Outra razao para a Sibu é que eu tenho uma fome de leao a noite, principalmente nesses dias nojetinhos invernosos. E fome desconcentra, é podre! Fora que ODEIO ter que parar de escrever/ler/estudar para ir atrás de comida - fazer, ou mesmo comprar. Melhor nao ter fome. Por lo tanto, durante o dia a Rita resolve isso, e a noite, tem a Sibu. Assim é possível sobreviver a base de cereal com yogurt, café e sopa de lentilha com ervilhas - que eu fiz semana passada e congelei! O resultado, claro, é super satisfatório. A pança já diminuiu bem!

O problema é que nao dá pra abusar... uns dois dias assim e o corpo manda um alerta - em forma de dor de garganta. Ae à tudo o mais citado, a gente agrega pastilhas, balinhas de própolis, própolis líquido, chazinho e mel. Entendeu como funciona a vida de semi-hippie?

Ainda bem que R está ultra sem tempo essa semana, tanto que vamos nos ver só sexta. Assim eu vivo essa vida semi-hippie em paz, nao lavo o cabelo, emagreço comendo mal e uso drogas. Mais um pouco e eu deixo de tomar banho, peço pra fazer uns dread e compro umas sandalinhas tipo rasteirinha! Hahahah....eca! Adoro um banho...

Enfim... acho que hoje é o último dia dessa vidinha. Amanha volto a trabalhar normal e, o sol brilhando hoje, ajudou um pouco a causa. Faço fotossíntese, preciso de sol, nem que nao esquente muito. Falando em esquentar...os russos dizem que no frio a gente pensa melhor, né? Sei nao... eu fico é de mau humor a medida que meu corpo gela...

Ok, ao trabalho agora!

P.S. Aff! Lembrei que amanha tenho que ir ao supermercado e shopping....to com medo de interagir com muitos seres humanos, bleh!

quinta-feira, 11 de março de 2010

E o Terremoto Nosso de Cada Dia Nos Dai Hoje!

E eu achando que já poderia escrever um post inteirinho sobre as mil maneiras de se preparar abacate – a la chilena – ou mesmo sobre as várias vitaminas que ando inventando esses dias. PERO NO! O constante movimento de placas tectônicas, mais especificamente, uma réplica forte de 6.9 graus me impediu. Portanto, queridos leitores, lá vamos nós – de novo! – para outro relato terremótico.

Era uma bela e ensolarada manha de quinta-feira, 11 de março de 2010. Na cidade de Santiago, no Chile, muitas pessoas estava atentas as notícias políticas. Uma cerimônia longa e chata – como todas do tipo – marcava a transição do governo de Michelle Bachelet – de izquierda – para Sebastián Piñera – de direita. A falação era enorme, já que nos últimos 20 anos o país havia estado nas mãos da galera de esquerda, depois da caída do Sr. Pinochet, direita. Aff, tanto troca troca! A política é assim mesmo, cíclica...pra não dizer outra coisa.

Eu me encontrava linda e loira, jogada na cama, escrevendo um email para R, ao mesmo tempo que papeava com Dona L no MSN. E foi quando começou tremer. Oh, céus, grandes coisas! Há mais de duas semanas treme todos os dias. "Mais uma réplica legal", pensei. No entanto, diferente das outras já sentidas réplicas, é que essa foi aumentando a intensidade. Treme, treme, treme... a cama balançou forte, a televisao, a lampada, a estante....meu mouse caiu da mesa. Sim, era outro terremoto.

As pessoas reagem diferentemente a situaçoes como esta. Em vez de ir para debaixo de uma porta ou mesa, como manda o protocolo, twitei! Por que? Sei lá! Acho que me passou pela cabeça que era uma bom jeito de informar o mundo sobre o que acontecia por aqui, neste país tao austral. Porque nada melhor do que informaçao quentinha. E se aquelas fossem minhas últimas palavras, melhor morrer assim, sendo (pretensiosamente) útil à humanidade! Uau...forcei, hein!?

Assim que parou de tremer tomei a questionável decisao de ligar para Moms, que estava online no Skype. Liguei avisando: "Ó, to ligando só pra dizer que estou bem e pra ninguém ficar assustado quando ver, na hora do almoço, o jornal dizendo que teve outro terremoto, ok? To viva e to bem". Aqui eu abro um parenteses: avisar a família que voce está bem e acaba de sobreviver a uma catástofre tem um efeito quase igual ao de pedir para uma criança hiperativa ficar quieta. Ou seja, nulo! Pouco adianta eles ouvirem a tua voz e as infindáveis reafirmaçoes de que nem tudo é tao ruim como parece. Eles insistem, "saia já daí, volte para o Brasil". Como se isso fosse adiantar alguma coisa. E fecham com o tradicional argumento, "quando voce tiver seus filhos, entenderá!"

Aí estava eu, no meio dessa conversa quando....começou a tremer de novo!! Viva!... E novamente os cracks da parece - como se fosse cair, o balançar forte de tudo. Senti como se meu quarto fosse um caixote sendo transportado por um caminhao velho de mudança. Avisei para Moms - e um casal de tios que nessa altura já haviam aderido à conversa: "Olha, tá tremendo de novo aqui e dessa vez tá forte. Lembrem-se, estou bem. E agora vou descer do prédio. Té mais, beijo e ciao!". 

E assim fiz. Troquei de roupa rapidao e fui descendo as escadas. Encontrei com a vizinha da frente, que ia na mesma onda, junto com seus dois cachorrinhos. Acabei pegando o elevador mesmo.

Lá embaixo já haviam umas pessoas, mas o que é melhor de notar é que, mesmo bem conscientes de tudo, os seres-humanos sao capazes de encarar as mais diversas situaçoes com certa naturalidade. Por isso volto a insistir que nao existe outro caminho, a nao ser seguir em frente.

Coloquei minha música e segui andando para o metro. E dae que a terra tremeu? Nao por isso vou cancelar meus planos para o almoço. Mesmo porque tudo seguia num ritmo normal...o onibus, o metro, os pedestres, os carros...e nessa hora até eu, que nao digo que sou crista, nao resisto. Olho pro céu e peço a D-us: "e o terremoto nosso de cada dia nos dai hoje!"


Música sugerida:

Celebration (Mandonna) - tocou assim que eu saí de casa, rumo ao metro, hehehe...achei propício!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Abalo: O dia depois de ontem Parte II

Antes de começar o relato sobre o que sucedeu após o tal terremoto, queria aproveitar o espaço e pedir para que voces nao acreditem na mídia. As notícias tem abusado do mau gosto, repetindo imagens da tragédia e anunciando cada réplica como se fosse o apocalipse. Houve sim muitas áreas afetadas. Os tsunamis varreram tudo por onde passaram e as regioes mais próximas ao epicentro também foram devastadas. No entanto, em Santiago, com poucas exceçoes, a situaçao está normal. A vida continua, as pessoas vao ao trabalho e, apesar de estarem meio loucas, comprando tudo o que há no supermercado, tudo segue seu ritmo.

Ok, agora senta que lá vem história...

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 Terminamos o último episódio com o terremoto pegando todo mundo de surpresa.

Eu e Gabo nos reencontramos com R e saímos da boate, assim como todo mundo. Gabo estava tranquilo, internamente desejando que nao fossemos embora. Ele achava que a balada ainda continuaria. Eu e R também estávamos de boa. De fato eu curti muito o apagao geral que tava na cidade pois a lua, em toda sua glória cheia, refletia linda em cima da Virgem que se encontra no topo do Cerro San Cristóbal. A vista era absolutamente linda, em meio a loucura que estava o Bellavista (bairro boemio aonde se encontra a boate).

Saímos pela cidade, meio sem saber o que fazer. Viemos parar aqui, na frente do edifício aonde moro. O problema? O problema óbvio é que eu vivo no apartamente 254, 25o andar, para ser mais específica. Ficar sem eletricidade seria tolerável se isto nao implicasse, automaticamente, na falta de água. Porque a água nao sober 25 andares sem eletrecidade. Quase entrei em panico pensando que nao teria água em casa. Simplesmente nao posso viver sem água. Bebo água compulsivamente e... beber água traz suas consequencias naturais, né! Pra resumir, R foi um muito gentil e convidou eu e Gabor para dormir em sua casa, aonde havia água - quente e fria!

Sábado de manha, assim madrugadinha, rolou a primeira réplica. O que é isso? Sao tremores menos intensos que o terremoto. Terremotinhos, tremidas residuais, que também variam de intensidade. Dizem que essas tais réplicas acontecem até 2 meses depois da sacudida principal...ou inicial. E de fato, elas continuam...

Mas, voltando a sábado de manha...ainda nao tínhamos eletricidade. Ajudei R a preparar nosso café da manha e depois, junto com Gabo, fomos jogar poker, seguido de truco. Gabo é bom de truco, e ganhou todas. Eu tive sorte no poker, e depois perdi tudo, hehe. Me senti como uma espécie de Anne Frank, pero menos glamourosa. Teria mandado Gabo escrever minhas memórias, já que praticamente esqueci como se escreve a mao.

A tarde foi hora de encarar a realidade e subir os 25 andares a pé. Isso mesmo...

Dentro do apartamento estava uma bagunça. Minha televisao no chao, roupas também. Os livros da estante - que eu havia arrumado há uma semana - estavam caídos, assim como os batons, cremes, etc. Segundo o relado de Monsenhor Ariel, que presenciou tudo aqui de dentro, a coisa foi feia. O espelho do banheiro caiu e quebrou uma bomba de água - deixando-nos sem água de vez e inundando o banheiro. A geladeira se desligou e foi dançar no meio da cozinha. Os quadros da sala, junto com as estátuas peruanas, foram todos para o chao. Um cenário assim, meio apocalíptico.

Liguei pra casa. Acalmei os animos de todos na família que, obviamente, pensavam que eu havia morrido soterrada. Tranquilizei a todos, contando toda a história e explicando porque nao foi possível entrar em contato antes. Fogueira apagada, foi hora de almoçar.

Com toda a história de falta de água e subir 25 andares, eu só queria saber de tomar banho e escovar os dentes. Essa era a prioridade. R novamente ofereceu sua casa, aonde ficamos até domingo de tarde, e essa parte foi bem legal. Ficamos todos em casa, bem tranquilos. Banhos tomados, dentes escovados. Jogamos Wii, truco, conversamos, jantamos, caminhamos pelo bairro - que é no subúrbio de Santiago, bem tranquilo.

No domingo levantamos tarde e fomos almoçar em Cajón del Maipo, um vilarejo no meio das montanhas. Apreciamos um delicioso Lomo a lo pobre num restaurante ao pé de uma enorme montanha. Cenário delicioso.

O fim de semana terminou assim, calma e gostoso, sem nem parecer que há pouco mais de 48 horas as placas tectonicas abaixo de nossos pés resolveram mudar o destino de muitos que se encontravem nesse país.


No próximo episódio falarei sobre o clima de apocalipse sentido nos supermercados, e também sobre a volta de Gabo ao Brasil.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Abalo: Caught in a Bad Earthquake PARTE I

Data: Sábado, mais ou menos 3 e pouco da manha, ano 2010.
Local: Bunkers (boate gay), Santiago-Chile.

Ooooooo...caught in a Bad Romance... (música começa)
"Ah, eu adoro essa música!"
"Eu também, Bee!".
Os dois amigos pulam e conversam.

Música para. Luzes se apagam. E a terra treme....


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A noite começou muito bem. Eu e Gabo fizemos um penne ao molho branco com abobrinha que ficou um arraso. Logo chegou R e começamos a curtir uma musiquinha e a tomar piscolas (pisco + coca). Fui para o quarto me arrumar e saímos.

Resolvi que nesta noite eu nao iria beber muito. Pisco é bem pesado, deixa bebado muito rápido, entao fui com calma. Beberiquei um pouco e bastou. Enquanto isso, Gabo e R se acabavam. Piscolas, música, gente. A boate enchendo. E chegou a hora do show e as drags apareceram. Figuras bizarras, dançando, dublando. Veio a drag mor e fez piadas. Sorteou premios, falou com a platéia. Tudo muito engraçado.

R pediu licença para ir ao banheiro e saiu. Enquanto isso Gabo e eu ficamos na pista, e logo começou a tocar Bad Romance, de Sra. Gaga. Adorei. Há mais de hora eu estava com sono e querendo ir embora. Quando a música começou, pensei: "ótimo...danço mais essa e caio fora". Vieram os primeiros acordes. Lembro que eram um pouco diferentes, no piano. E a voz de Sra. Gaga soou forte: Oooooo caught in a Bad Romance...ah, ah, a a a a...rama-ra ah ah ah...Ga-ga, uh lá lá...

A música parou.
As luzes se apagaram.

Por um milésimo de segundo ainda pensamos que pudesse ser um efeito bizarro, algo assim, revoucionário. Até que veio o tremor.

Tremeu forte. Peguei na mao de Gabo e fomos para o lado. Instintivamente entendi o que estava acontecendo e sabia que estar embaixo daqueles globos espelhados nao era boa idéia. Virei para ele, na maior calma do mundo e disse: "Bee, fica calmo. Isso é um terremoto, acontece de vez em quando, tá bom?". É isso mesmo. Falei como se eu já tivesse vivido a situaçao inúmeras vezes. Por que? Nao sei. Segundo meu teste do Roschard eu sou assim, possuidora de uma tranquilididade invejável em horas de extremo perigo e adrenalina.

Nao sei por quanto tempo tremeu, mas foi intenso. R logo chegou para nos encontrar, com uma carinha assim, meio assustada. Uma vez mais, de forma assim, meio instintiva, tomamos o caminho da porta. Acabara a balada.

(No momento em que escrevo estas palavras, outra réplica - tremidinha residual - acontece!).

Sugestao de músicas para acompanhar o post:
Bad Romance - Sra. Gaga
Earthquake - Botinhas...mais conhecida como Little Boots
Abalou - pIvete Sangalo
Message in a Bottle - The Police

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Pronta Pra Casar!


Sabe quando voce faz uma comida gostosa e alguém fala, "Hmmm, já pode casar!". Pois é... entao eu me declaro pronta pra casar!! =)

Hoje, sexta feira de preparaçao para mais um Shabat, acordei na mesma hora de todos os dias e fui cumprir minhas obrigaçoes de sexta, que incluem sempre: lavar meu banheiro, arrumar o quarto - passar aspirador, tirar pó, tirar lixos, etc, e também arrumar a cozinha. Nao sei o que me deu mas, uma vez que terminei de limpar tudo lembrei que tinha um peito de frago na geladeira que eu comprei com intençao de cortar os filezinhos. E foi o que fiz...

Descongelei o troço, cortei os filés e coloquei pra congelar de novo. Separei dois e coloquei de molho num pouco de shoyu. Enquanto isso amassei o tempero (alho+sal), piquei cebola e lavei o arroz. Fritei os temperos, o arroz e coloquei este pra cozinhar - com uma porçao de legumes. Enquanto o arroz cozinhava lindo e gostoso, taquei os filezinhos de peito de frango na frigideira. E enquanto tudo cozinhava, fiz uma saladinha básica de alface, tomate e queijo, regada ao azeite de oliva, sal e pimenta do reino. Agora pensem num trem que ficou bom!....

Há dias eu nao comia uma comida assim.... "de verdade", como diria Dona Ana, minha avó. Que delícia que ficou! Mas também...dois pratos depois e me bateu aquela morrença! Como já nao estou mais acostumada com esse tanto de comida - os 4 kilos a menos testificam isso! - fiquei numa moleza lascada. Aproveitei o momento de inutilidade pra ligar pra mamae e fofocar.

Pra completar minha epifania de dona de casa, arrumei toda a cozinha. Até limpei o fogao - o que nao faço sempre, mas depois da bagunça toda, tava precisando! Louça lavada, cozinha, banheiro e quarto limpo. Que lindo! Adoro cheiro de casa limpa! Agora é só tomar banho, lavar o cabelo, ficar cheirosinha e gostosa e curtir a tarde lendo um bom livro até chegar a hora do Shabat.

Entao, tou ou nao tou pronta pra casar?

=P



P.S. Agora falando sério.....MEDA desse negócio de casar, viu! (bate na madeira)

sábado, 4 de abril de 2009

Na Casa do Senhor Nao Existe Satanáis...

Sábado, dia de pensar em Deus, religiao e afins. Mesmo dia que comecou a Liga Cancheras, aonde eu jogo futebol em um time chamado Barcelocas. Mas esse nao é o assunto de hoje. Oh, no...

Numa busca no Google sobre como evitar bolhas nos pés (explico em outra ocasiao!), esbarrei com uma reportagem da SuperInteressante de 2004 sobre, nada mais nada menos que, meus amigos Evangélicos. Gostei muito da reportagem. Claro que pende para um lado crítico, mas é bem informativa. Por isso resolvi postar o link. Sério mesmo...leiam.

http://super.abril.com.br/superarquivo/2004/conteudo_313529.shtml ...é só clicar e deve dar tudo certo.

Ok, vou-me... as bolhas me impedem de sair de aproveitar meu sábado a noite. Resolvi estudar... AI!...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Coisas de Segunda...

A tal da segunda-feira nem terminou ainda e já tenho historinhas pra contar.

Acordei cedo pra levar o carro pra consertar. Mais especificamente, a máquina do vidro elétrico que estragou quando, na última sexta-feira, misteriosamente, o vidro se estilhaçou enquanto eu tomava café no Fran's com Srta. F. Deve ter sido algum espírito maligno ou, como dizem, espírito zombeteiro. Enfim...como o seguro nao cobre o conserto do motorzinho que levanta e abaixa o vidro, me mandei logo cedo pra Campinas pra resolver isso.

Deixei o carro por lá e enquanto esperava a carona do papai, um carro parou bem na frente da loja aonde eu aguardava - quase - pacientemente, e desceu um rapaz, mais ou menos da minha idade. O garoto desce, vem até a minha pessoa, dá a mao e diz, com um sorriso: "Oi! Você é você mesmo?". Eu sorri de volta, dei a mao também né, e respondi: "Acho que sim, e você, quem seria?". A criatura, que se apresentou como Leo, aparentemente me conhecia dos tempos de faculdade. Ele é amigo de outros conhecidos. Mesmo morrendo de vergonha, falei que nao lembrava dele e pronto. E dae vocês, sabem, seguem-se as perguntas, "entao, tá trabalhando na área?"...blah, blah blah...

Mais alguns minutos de espera e um senhor, talvez de uns 50 anos, me abordou e foi falando:
Estranho-Falante: "Eu te vi falando no celular agora pouco e pensei, mulher gosta de ouvir coisa bonita. Você quer ouvir uma coisa bonita?".
Fiquei com cara de besta e, antes que pudesse responder, ele falou de novo:
Estranho-Falante: "Eu sou o dono do BLAH lubrificantes, ali do outro lado da rua, e de lá eu te vi falando no celular. Liga no meu numero ae pra você ouvir meu toque! É uma música linda, você tem que ouvir!" Ylana-cara de anh?: "Olha, eu já gastei todos os meus minutos este mês, meu celular nem faz ligaçao".
Estranho-Falante: "Ah, vai, tenta! Você vai gostar da música".
De tanto insistir, cedi ao pedido do "tio", e como esperado, a ligaçao nao foi completada e eu nao ouvi a tal música. Perguntei que diabos era o tal toque, o que havia de tao especial. A resposta?
Estranho-Falante: "O toque é o canto das árvores! Sabe, passarinho?".... acabou de falar e saiu.

Fiquei com aquela cara de "Anh? Eu ouvi isso mesmo?". Alguém me explica o que leva uma pessoa a atravessar a rua e importunar outra por conta de algo assim, tao nada a ver? Até fiquei paranóica na hora, pensando se a conversinha estranha nao era distraçao pra me roubar, pegar minha carteira, sei lá.

E falando em roubar....depois dessa abordagem do além, resolvi jogar paciência no celular. Nisso, uma garota, do meu tamanho, mais ou menos, e com jeitos&trejeitos de mala, se aproximou.

Garota-Mala: Tia, me dá um real?
Ylana-cara-de-ruim: Tenho nao, foi mal.

A Garota-Mala me encarou e olhou bem para o meu celular. Eu encarei de volta e ela saiu. Só para voltar, dois minutos depois, com a Amiga-Mala. Aí as duas me encararam. Com um medinho batendo dentro do coraçao, eu encarei de volta, dando o olho da morte para as duas, como se eu dissesse, "tá olhando o que, minha filha?". Se elas por acaso tivessem resolvido roubar minha bolsa, celular, e ainda me dar uma surra, eu nao teria tido a mínima chance. Hehe... mesmo assim, mais um passo que elas dessem em minha direção, ia sair porrada.

Enfim... isso tudo aconteceu num espaço de tempo de aproximadamente 15 minutos, em plena segunda-feira de manha!... Nao quero nem pensar como vai ser o resto da semana...

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Porque Eu Sou Uma Péssima Companhia

Boate é um açougue. Um verdadeiro "meat market". E ontem nao foi diferente.

Logo de cara nao gostei da boate. Nunca tinha ido lá e nao gostei. Lugar pequeno, gente feia, música ruim e luz fraca. Fraca no sentido de ruim. Aparentemente os donos acharam que uma luz negra resolveria tudo. No no. Mas, quem tá na chuva é pra se molhar entao fui logo pro bar enquanto liberava o priminho para a "caçada".

Como eu nao estava "caçando" nada, fiquei lá, olhando as pessoas e cheguei à algumas conclusoes interessantes.

1. Mulher sozinha em boate hétero é algo no mínimo, estranho. Todas elas andam em grupo, como se estivessem se protegendo de algo. E realmente estao. A idéia é ter pelo menos uma amiga pra te ajudar na hora que um predador (homem, muleke) chegar. Essa amiga pode dar um sinal de "ok, vai lá" ou de "nao, esquece".

2. Mulher sozinha em boate hétero é vista como "coitada" ou "presa fácil". Bastou eu ir pro bar pegar uma água e esperar uma musiquinha melhor pra dançar que chegou um carioca me alugando. E a conversa foi interessante.... (LOL).

- Oi. Ce tá bebendo água! Isso ae... é maish saudável merrmo.
- É. também acho.
- E ae? Ce tá sozinha?
- Tô nao. Meu primo tae.
- Ah, tah...mas...e ae? Tudo bem?
- Tudo e você? (sorrisinho desinteressado).
- Melhor agora. Sabia que você é linda?
- Ah, sabia nao (risadinha sarcástica). Brigada. E ae? Ce é do Rio, né? Tá fazendo o que aqui?
- Vim pra um campeonato de canoagem no Rio Araguaia.

(Blah blah blah inútil de boate)...

- Entao... viu como a gente tem muito em comum? Eu sou ex militar, você já estudou em colégio militar....a gente tá bebendo água...

Eu penso: Oh yeah! Somos praticamente almas gêmeas!
Respondo: Haha!

Ele me dá a mao e vem dar um beijinho no rosto.
Um...
Dois...
Três (no rumo da boca).

- Opa! hehe
- Pô...nao posso te dar um beijo?
- Ow...nem rola. Ce é gente boa, mas...nem rola
- Pô, porrrr que nao?
- Porque eu tenho namorado.

PAUSA!...

Conclusao no. 3: se você tá sozinha em boate nao adianta dizer que tem namorado, namorada, mae ciumenta, pai possessivo, nada! O cara nao quer saber e nao vai respeitar. Desculpas como "eu nao sou ciumento" figuram entre as mais populares.

- E cadê seu namorado?

Sacando a confusao em que eu acabara de me meter, lá fui eu mentir....

- Tá viajando. Mas já falei com ele hoje.
- Ah é? Pô...também já falei com minha namorada hoje. Tá vendo como a gente combina?
- É né (risadinha sarcástica pra ver se o cara desconfia)...
- Entao...pensa...nao é todo dia que a gente encontra alguém assim, tipo você. Tem uma energia guiando, certeza. Eu vim do Rio de Janeiro, vim parar nessa boate....e vi você bebendo água.
- Incrível, né! (Ele realmente nem desconfia do meu sarcasmo)
- É sim.
- É....Gustavo seu nome né? Poisé...entao, nao é nada pessoal mas... nao vai rolar.
- Pô, nao fala assim...
- Tô sendo sincera. Se eu fosse você eu ia atrás de outra. Quem sabe ce tem mais chance?
- Mas eu quero é você. Tô te falando, você pode ter uma noite ineshquecível comigo.
- Uau! Como sou sortuda! (mais sarcasmo)
- E ae? Vamo pra outro lugar?
- Já te disse, nem rola.
- Porrr que?

(Inventei todas as desculpas possíveis, e ele nao saía do meu pé)

- Vou embora. Tô cansada.
- Merrrmo? Fica maish...
- Neim. Tô com sono. Nao aguento mais essa música ruim.

Chamei logo o primo que, nessas alturas tinha pego 4. Ele deu um trabalhinho, mas veio.

No caminho da saída uns outros 3 vinham me puxando e eu pensando, "bando de desesperado! Acham que eu nao sei que estao competindo pra ver quem pega mais!".

Saí da porcaria da boate sentindo o estupro dos meus ouvidos, com sono e cheirando a cigarro, claro!

Tipo, por favor nao entendam mal. Nao estou relatando estas experiências pra ficar nessa de, "olha como eu sou boa!"....nada a ver! O negócio é que me senti uma coroa, sem paciência. Nao sei realmente se é questao de idade ou atitude. Quem sabe se eu tivesse numa competiçao de "quem pega mais" teria sido mais divertido. Mas aí também eu sairia com fama de cachorra, no mínimo, hehehe....oh vida! Oh construçao social!



Tragam a minha bengala, por favor!
 
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