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domingo, 20 de setembro de 2009

Presa no/do Tempo

A semana que passou foi bem interessante. Nesta útlima sexta-feira o Chile comemorou sua independencia. E aqui o pessoal leva essa coisa de independencia a sério. Tem um monte de Fondas, que sao festinhas públicas (tipo feirinhas), com comidas típicas, gente dançando aquelas dancinhas chatas (e típicas), banquinhas vendendo artesenato, essas coisas. Além disso, a semana do tal feriado parece com Semana Santa, no sentido que todo mundo entra num clima de lerdeza sem precedentes. Até os professores, hehe. Bom pra mim. Isso significa que desde quinta estou sem fazer nada. Nada assim, de trabalho ou estudo pelo menos.

Aproveitei esses dias pra ir pra casa da Jess e ver filme, discutir sobre a condiçao de ser mulher, andar pelas partes da cidade que nao conheço muito bem (tipo o Centro!), esbarrar numa festa pátria na frente do Palácio La Moneda e ficar lá, gritando Chi Chi Chi Le Le Le, Viva Chile e coisas do tipo. Também fizemos um churrasco no terraço - com direito a arroz e salada bem brasileira - e depois saí correndo pra comemorar o Rosh Hashaná (ano novo judaico). Festa sem parar. Chega domingo e eu preciso ficar em casa, em cima da cama, vendo TV e futricando em bobeiras como Orkut e Facebook. Ah, e Twitter agora...

Sempre me dá um aperto no coraçao quando eu tomo consciencia de que cada segundo é único, nao voltará a acontecer. Bate um certo desespero. Ainda mais para alguém como eu, meio escrava do relógio. Calculo meu tempo para nao chegar atrasada nem muito adiantada, para nao dormir demais nem de menos, para aproveitar bastante, mas com moderaçao. Uma eterna tentativa de controle. Porque o tempo, contado pelos relógios, é a própria síntese do controle. É o controle sem controle. Por mais que os minutos e as horas estejam ali, marcados e determinados, ainda resta a quem consulta (olha que "horas sao") decidir sobre o que fazer.

Ai, que pensamento mais cliché! O eterno sofrimento por equilibrar e decidir sobre o melhor uso do tempo que nos é otorgado pelo simples fato de estar vivo.

É isso, acabou o tempo.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Contrato Social

Uma das obras principais de Rousseau se chama Contrato Social. Logo no início ele comeca questionando porque o homem vive em sociedade e porque se priva de sua liberdade. É claro que ele cai na veia da discussao política. Afinal este era o tal Iluminismo (lembram?). Mas é interessante pegar esta semente de argumento e pensar o quanto ela pode ser encaixada em diversas situacoes.

Vamos lá...

Hoje comeca a Pessach, páscoa judaica. Quem quiser saber mais sobre este ritual, o Pai da Sabedoria, Google, pode ajudar. Da minha parte só vou explicar que sao 8 dias aonde voce nao pode comer pao fermentado e, obviamente nao tem nada a ver com a figura de Jesus. Esta data comemora a saída dos judeus do Egito rumo a Terra Prometida. A historinha é legal... vale a pena ler. Ou ver o filme que a Disney fez em 1999 (acho que foi), aonde Whitney Houston e Mariah Carey fizeram a trinha sonora. Lembram?... "There can be miracles...when you believe..."

Tudo comeca com duas noites de mega festa. E com festa, associe a idéia de ritual, claro! Porque judaísmo sem um ritualzinho, uma tradicaozinha, nao existe. Portanto eu, nova participante ativa da sinagoga aqui perto de casa, fui convidada para celebrar o Pessach com eles, uma vez que haveria uma comemoracao em comunidade. Tendo já participado de outras Seders (o nome da janta do Pessach), tentei escapar. Disse que tinha aula. Tzipora (ou Cecília, em portugues), mulher do Rabino Nachmov, disse que o marido poderia facilmente ligar para o diretor do IEI e dizer que eu nao poderia ir a aula. Ok, vi que nao ia rolar essa desculpa. Daí tentei outra. Falei que mesmo que tudo desse certo, eu nao tinha roupas apropriadas, formais o suficiente. E olha que é verdade! Mas nao tem problema, claro!!! Deborah, mulher do Rabino Millstein, disse que tinha muitas roupas e poderia me emprestar uma. Resumindo: nao deu pra escapar.

O que eu nao gosto particulamente na Seder é a demora. A primeira Seder que fui, pensei que ia ser um jantar legal e pronto. Que nada! É uma falacao sem fim. Fala um pouquinho, le um papel, canta. Canta mais um pouco, le de novo o papel. Enche um copo de vinho, bebe. Fala mais, canta mais, lava as maos. Enche outro copo de vinho, mas dessa vez nao bebe. E por ae vai... até chegar na hora de comer mesmo, demora. Ah, mas demora!

Tá, meus caros amigos leitores devem estar pensando: "Que mal agradecida! Só pensa em comer! Parece que nao tem comida em casa!". Nao... comer é o de menos. Tanto que lanchei antes de ir pra Seder hoje. O que me cansa é a falacao sem fim. Comecei a questionar minha própria identidade. Oh!...olha a crise.

Nao, nada de crise. Só fiquei observando mesmo o tanto que o "ser judeu" é baseado num estilo de vida, no seguimento das tradicoes. Tentei tracar paralelos. O mundo cristao nao deixa de ser muito diferente mas, talvez porque o mundo cristao seja bem mais novo do que o judaico, e também pela grande variedade de denominacoes, as instituicoes tradicionais nao sejam tao fortes. A igreja Católica talvez seja a mais cheia de tradicao, nao sei...to chutando. Mas pensei na tradicao da óstia, por exemplo. Já os crentes....ah, os crentes, meus amigos, hehe... cada igreja tem seu jeito de ser. É até interessante notar essa liberdade que os crentes tem de se dirigir a Deus, falar direto com ele, exigir coisas. Tem pastor que dá ordens ao capeta e exige de Deus as bencaos. ....Vou nem tocar no Islamismo... outra religiao cheia dos nhe nhe nhe...

Enquanto as coisas eram faladas, eu viajava. Pensava que no fim das contas os que estavam ali nao comemoravam só a Pessach, e sim reafirmavam a sua identidade. É...meio óbvio isso. Rituais e tradicoes sao pra isso mesmo. Mas...mesmo no quesito espiritual. O Rabino diz que devemos obedecer os mitzvohs (mandamentos, regrinhas) porque ao obedecermos tudo, ficaremos mais perto de Hashem (Deus), que é nosso Pai e nos quer por perto. Agora...pega o mesmo argumento e transfere pra Jesus. A única diferenca é que vao dizer que voce tem que aceitar o fato de Jesus ser o salvador. Mas depois dessa aceitacao, as coisas mudam...e voce comeca a agir como Jesus e tal....ou seja, vai cair na tradicao crente de ser.

Caramba! Me desviei totalmente do assunto. Poderia passar o resto da noite aqui, devaneando sobre isso. Mas o que originalmente eu queria dizer é que... nos meus pensamentos pascais, por assim dizer, fiquei pensando sobre esse contrato social que temos. Esse contrato invisível, meio óbvio, de certa forma. Alguém é legal com voce....voce se sente bem e quer retribuir. Costuma ser assim. Alguém foi legal comigo. Me receberam, me incluíram na comunidade Kehilá Hareditz Hazon Ish... e eu nao consegui escapar do ritual.

A conclusao, apesar de óbvia, vale pelos menos uns 5 minutos de reflexao. Todo contrato cria direitos e obrigacoes para as partes. Eu tenho o direito de ser bem tratada. Assim o fui. Agora, entao, deve ser a hora de retribuir, pagando de bonitinha e seguindo tudo certinho. Isso vale para as minhas relacoes na sinagoga... e em todos os outros aspectos da vida. E, como comentei brevemente numa postagem anterior, o que foi acordado, deve ser cumprido. Pacta Sunt Servanda...



P.S. Post pesado hoje, né... quem sabe alguém nao me chama de galinha amanha, ou talvez eu caia de bicicleta e daí terei alguma coisa engracadinha pra contar!

P.S.2. Pensei em postar uma foto minha usando saia... mas achei melhor colocar só no orkut mesmo, hahaha....nao quero queimar meu filme justo agora que tenho novas amigas blogueiras!

=)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Conforto para a Ansiedade

Grandes mudancas sempre geram ansiedade. Nao tem como fugir disso. Terapeutas experientes, ou mesmo alguns filosofos, sugerem que um jeito de controlar a ansiedade eh racionalizar a situacao. Parece plausivel, e eu concordo. Nao fosse o problema que... um individuo ansioso tem um extrema dificuldade em racionalizar qualquer coisa!

Schopenhauer dizia que existe uma relacao proporcional entre o nivel de ansiedade das pessoas e a inteligencia. Segundo ele, aqueles que sao ansiosos sao tambem mais inteligentes. E eh claro que, como uma pessoa ansiosa, adorei este argumento, hehe.... mas nao soh por isso. De fato, uma das causas principais da ansiedade eh a antecipacao dos acontecimentos. A ansiedade gera imagens de um provavel futuro - normalmente desfavoravel, o que faz com que o individuo que sofre estes sintomas sinta-se, por assim dizer, ansioso. De certa forma a ansiedade ateh ajuda. Basta pensar em pessoas tranquilas, que nao antecipam suas reacoes ateh que os fatos lhe acontecam. Desnecessario dizer que um equilibrio entre estes dois estados de espirito - ansiedade e tranquilidade total - seria o almejado. Mas ninguem eh assim!...

Nestes poucos dias que antecedem minha mudanca para o Chile, tenho encontrado conforto para minha ansiedade num lugar muito improvavel, diriam alguns. Nieztsche, meu filosofo do momento, hehe....junto com outro grande filosofo que passei a admirar, Michel de Montaigne. Peguei "Assim Falava Zaratustra" para ler e "Ensaios". Os dois livros, dos dois respectivos autores citados acima, trazem ideias e conselhos incriveis. Nieztsche foca na razao, na descrenca dos homens, no sentir-se acima daqueles de espirito pequeno e raso. Montaigne ja tem um papo mais intimo com o leitor, defendendo seus argumentos sempre com exemplos historicos. Os dois estilos me agradam muito. Uma das melhores partes dessa experiencia, alem de todo esse novo conhecimento que vou absorvendo, eh saber que nao paguei um centavo em nenhum dos livros, hehehe.... viva o Google e os livros virtuais! Fora que esta pratica de ler no computador eh algo altamente ecologico!...nenhum papel eh desperdicado!

Para terminar o post, coloco novamente (como nos posts anteriores), uma fala de Zaratustra, o sabio de Nieztsche. Me identifiquei muito com esta fala. Foi quase como se tivesse escrito para a minha pessoa!

"Foge, meu amigo, para a tua soledade, para alem onde sopre vento rijo e forte. Nao eh destino teu ser enxota-moscas". ...e assim falava Zaratustra para dona Ylana...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Livro de JÓ - Capítulo 7

Jó 7

1 Porventura não tem o homem duro serviço sobre a terra? E não são os seus dias como os do jornaleiro?

2 Como o escravo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga,

3 assim se me deram meses de escassez, e noites de aflição se me ordenaram.

4 Havendo-me deitado, digo: Quando me levantarei? Mas comprida é a noite, e farto-me de me revolver na cama até a alva.

5 A minha carne se tem vestido de vermes e de torrões de pó; a minha pele endurece, e torna a rebentar-se.

6 Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e chegam ao fim sem esperança.

7 Lembra-te de que a minha vida é um sopro; os meus olhos não tornarão a ver o bem.

8 Os olhos dos que agora me vêem não me verão mais; os teus olhos estarão sobre mim, mas não serei mais.

9 Tal como a nuvem se desfaz e some, aquele que desce ã sepultura nunca tornará a subir.

10 Nunca mais tornará ã sua casa, nem o seu lugar o conhecerá mais.

11 Por isso não reprimirei a minha boca; falarei na angústia do meu espírito, queixar-me-ei na amargura da minha alma.

12 Sou eu o mar, ou um monstro marinho, para que me ponhas uma guarda?

13 Quando digo: Confortar-me-á a minha cama, meu leito aliviará a minha queixa,

14 então me espantas com sonhos, e com visões me atemorizas;

15 de modo que eu escolheria antes a estrangulação, e a morte do que estes meus ossos.

16 A minha vida abomino; não quero viver para sempre; retira-te de mim, pois os meus dias são vaidade.

17 Que é o homem, para que tanto o engrandeças, e ponhas sobre ele o teu pensamento,

18 e cada manhã o visites, e cada momento o proves?

19 Até quando não apartarás de mim a tua vista, nem me largarás, até que eu possa engolir a minha saliva?

20 Se peco, que te faço a ti, ó vigia dos homens? Por que me fizeste alvo dos teus dardos? Por que a mim mesmo me tornei pesado?

21 Por que me não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniqüidade? Pois agora me deitarei no pó; tu me buscarás, porém eu não serei mais.



Fonte: www.biblegateway.com

sexta-feira, 6 de junho de 2008

As 1001 Noites


Entao a Sherazade passou 1001 noites contando historinhas para Schahriar. Este rei, que depois de levar um chifre resolveu mandar matar todas as mulheres com quem dormia. Sherazade um dia caiu em suas maos e, para sobreviver passou a contar uma história que nao acabava nunca. A cada noite ela contava um pouquinho e deixava o homem doido de curiosidade para ouvir o resto no outro dia. Assim ele nao a mandou matar.

Você sabe quanto tempo dura 1001 noites? Mais precisamente, 143 semanas ou 2 anos, 8 meses e 27 dias. Um tempinho razoável. Sem dúvida nenhuma essa tal Sherazade foi a virgem mais enroladera da história. Acho que pior que isso só novela americana, aquelas coisas "medonhas" de tao ruim, que duram anos e anos.

Exatamente hoje fazem 1001 noites que minha vida mudou. E mudou drasticamente. Essas coisas de marca muito mesmo. Há 2 anos, 8 meses e 27 dias atrás também era uma sexta-feira e faltavam 9 dias para a minha primeira ida para Montreal, onde eu passaria 2 semestres como intercambista da McGill University. Mas esta nao foi a grande mudança.

Um dia antes eu saí com mais 2 pessoas amigas para uma boate de Goiânia. Poucas horas e uma caipirinha depois uma destas pessoas resolveu me beijar. Isso, na boca mesmo. Algo que nunca tinha acontecido. E ploft. Minha vida nunca mais seria a mesma. Uhhh...drama!....Mas é mesmo. A surpresa/susto inicial foi logo ultrapassada pelo prazer e adrenalina que nos dominou e o fato é que na hora eu nao tinha a mínima idéia de que mais de dois anos depois nossas histórias ainda estariam ligadas por este beijo.

O caminho foi longo e, muitas vezes, doloroso. Mas nao o suficiente que nos fizesse desistir. Eu, Fasciutta, criei muitos obstáculos, confesso. Alguns sem querer, por inexperiência, medo ou mesmo razao. Coloquei também muitos outros empecilhos com a plena consciência de fazê-los. Mas nenhum deles, conscientes ou nao, bastaram para impedir que o conto, a fantasia, continuasse.

Nesta noite 1001 você nao está comigo como eu queria e é claro que eu nao queria que fosse assim. Você sabe muito bem do que eu falo. Mas nao tem problema. Você estava aqui a noite passada. Esteve aqui pela manha e o dia inteiro também. Apesar do ciúme em ter que dividir você com outros eventos sociais, sinto que nesta noite 1001 nossa conexao é mais forte do que nunca.

Ai, que textinho breguinha e piegas, hein!?...alguém me manda parar!

Enfim... datas sao simplesmente símbolos, é verdade. Mas é inerente à nossa condiçao de ser-humano simbolizar e iconizar (essa palavra existe?) tudo. Usamos alianças nas maos para dizer ao mundo que pertencemos à alguém; comemoramos datas com as quais muitas vezes nem nos identificamos; a todo momento valorizamos e desvalorizamos objetos e pessoas. Nosso meio é o que é pelo valor que atribuímos às coisas e pessoas. Entao eu me dou este direito de lembrar e escrever um pouco da minha própria lenda. Das minhas tao especiais Mil e Uma Noites desde que você mudou minha vida.

Sherazade sobreviveu. Eu também.

E agora, quantas noites será que ainda temos?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

And the show must go on...

Sabe aqueles momentos da vida que mudam o curso de nossa história? Às vezes eles sao súbitos e rápidos, e outras vezes duram muito tempo....ae a gente chama de "fase".

Hoje é o início de uma fase de transiçao. Em Setembro de 2007 fechei um capítulo da minha vida e iniciei outro. E hoje dá-se início da primeira virada de página deste capítulo. Outra fase de transiçao se inicia. Na verdade nem sei se já é o fechamento desse pequeno capítulo ou simplesmente um outro tópico onde os acontecimentos determinarao o futuro das personagens.

Lágrimas, suor e calor. Nada de chuva nessa cidade quente que nao perdoa ninguém.
Preconceito, caras feias, desentendimentos que virao acompanhados de situaçoes onde as mulheres envolvidas terao a oportunidade de provar seu talento dramático, atuando em papéis que criaram para si mesmas e hoje se arrependem. O sentimento delas mudou, mas nao o script (i.e. roteiro). Ou seja, tudo deve ser feito como o planejado.

Boa sorte para essas protagonistas que hoje sofrem com a agonia e dor que nao cedem. Só aumenta. A cada minuto avançado no relógio mais adrenalina é liberada. Medo de palco... sim, ou nao. Medo da própria atuaçao? Ou da capacidade de falhar nos papéis que devem representar e portanto mudar drasticamente o curso dessa história?

Nao se sabe...

Só dá pra saber que...a platéia está cheia e ansiosa...and the show must go on.
 
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