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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Porque é assim mesmo....


Finalmente comprei minha passagem hoje! Agora é de verdade. Em Julho vou para o Brasil. Me aguardem. Preparem as coxinhas e as pamonhas. Coloquem meu nome na lista das baladas e nao se preocupem, deixa que eu levo o pisco e o vinho. Nao vou ficar muito tempo, só duas semanas, mas tenho certeza que vai ser uma delícia. Aaahhhh....

E lá estava eu hoje, pedalando rumo ao IEI e pensando em certas mordomias que eu sinto falta. A mais importante, depilaçao! Ainda nao tive coragem de ir nas depiladoras chilenas.... sei lá. A gente tem que desenvolver confiança antes de se mostrar peluda e nas piores posiçoes. =( ...vou comprando a cera e dando um jeito em casa mesmo. Ou seja... já to sonhando com minha pele lisinha e gostosa depois de uma depilaçao perfeita!

Outra mordomia é o cabelereiro. Quando eu morava no hemisfério norte nao teve jeito, acabei "traindo" o Léo, minha bicha talentosa responsável pelos meus cabelinhos longos e virgens (até o momento). O bom de morar "perto" de casa é saber que dá pra aguentar uns meses sem o Léo. Outro dia a Dona A foi num cabelereiro daqui e acabaram fazendo m**** do cabelo da coitada. Claro que deve existir pelo menos um bom salao nessa cidade, nao é possível! Mas eu nao tou afim de procurar e nem de arriscar, mas muito menos estou afim de pagar!

A útlima mordomia que mencionarei é a manicure. Aaaaaiii que vontade eu estou de botar pé e mao de molho, tirar cutícula, e sair de lá toda bonitinha. E tudo isso por menos de 20 reais... É, realmente a murrinhagem afeta minhas prioridades. Por isso dou graças as brasileiras que trabalham duro nos saloes. Logo, logo estarei aí, reconhecendo este trabalho todo!!! =)

Mudando de assunto.... hoje a tia que mora comigo veio me avisar que, devido a problemas pessoais (financeiros) muito provavelmente terá que se mudar. O que isso significa? Que eu tenho que arrumar aonde morar. Ai, que canseira! Eu bem que já vinha pensando nisso mesmo, mas tava com uma preguiça lascada de sair em busca de apartamento. E mais preguiça ainda de mudar...empacotar tudo, depois desempacotar...ah neim.... But, no panic! A vida tem um jeito engraçado de nos ajudar, já dizia a grande filósofa Alanis Morissette.

Hoje de manha li sobre a Teoria de Sistemas, uma teoria interdisciplinar bem interessante. Varias partes do texto me chamaram a atençao, e esta acho que tem tudo a ver com o momento de hoje: "Os seres vivos se movem no mundo como um acrobata em uma corda frouxa, mudando constantemente sua relaçao de acoplamento con a corda, que dura enquanto nao se perde, momento em que o acrobata cai, e la relaçao se termina"*. Parece fazer muito sentido.... =D




* Traduçao livre do texto: De la Teoría General de Sistemas a la Autopoiesis.

É isso por enquanto... amanha (sexta) será um dia cheio, assim como o fim de semana.

sábado, 25 de outubro de 2008

Coisas para as quais eu nasci (ou nao)

De vez em quando na vida a gente se depara com situaçoes nas quais pensamos, "poutz! eu nasci pra fazer isso!". É o tipo de coisa que te dá tanto prazer que nos faz também desejar fazer daquilo (whatever it is) um meio de vida. E, do mesmo modo, outras coisas ou situaçoes simplesmente nao parecem ter sido feitas para nossas vidas.

Hoje passei a maior parte do meu dia falando francês. Francês, pra mim, foi uma língua difícil de ser parida. Eu nao gostava, rejeitava a idéia de ter que aprender uma linguinha tao boiola. Achava os franceses enjoados e metidos (ainda acho que muitos sao mesmo), e também nao acreditava que eu tinha nascido pra falar francês. Bem, ainda nao acho que eu tenha nascido pra isso, hehe....mas... cheguei a uma conclusao interessante hoje.

Eu nasci pra falar inglês, é verdade. Mesmo quando eu ainda nao falava esta língua fluentemente, eu conseguia me enxergar sendo fluent in English. Com francês isso só aconteceu hoje. Como toda a língua exige uma atitude, um personagem um pouco diferente, acho difícil me enxergar falando francês como uma parisienne, bebendo um capuccino à beira do Sena, usando uma echarpe colorida e charmosa e um óculos de lentes bem grandes, enquanto folheio a última ediçao da Vogue. Foi mal galera, mas isso é papel pra outras. Nao que eu nao possa, nao que eu nao consiga. Acredito que se eu realmente quisesse, eu poderia fazê-lo, mas sempre faltaria alguma coisa. Uma leveza de imagem que eu nao tenho.

Seguindo a mesma lógica, sei que nao é todo mundo que consegue andar nas ruas de Washington DC ou Virginia Beach como se fossem dali. Como se ali tivessem nascido e nunca saído. Mesmo os EUA sendo um país tao diverso em sua formaçao, o papel de um "americano médio" ou "típico" me é tao natural quase como fechar os olhos e dormir. Morei no Canadá mais tempo do que nos EUA, mas nunca me senti dali. Talvez tenha sido a tal influência francesa do Quebec. Já os Estados Unidos....desde a primeira vez que pisei naquele território, era como se eu estivesse voltando pra casa, e nao visitando. Dedu-se, portanto, que eu nasci pra falar inglês e isso é incontestável. E, que por melhor que eu um dia fale francês, nunca será tao bom, tao natural como é o inglês.

Depois de refletir sobre essas bobeirinhas e também passar muito tempo ouvindo coisas do tipo, "você tem cara de americana", "você passa por holandesa ou alema facinho!", lembrei da Dona T. Ela é uma das poucas pessoas que nao entra nessa onda de querer adivinhar de que eu tenho cara. Pra ela eu sou goiana. A goiana véia. E...pensando bem, eu gosto de ser goiana véia. Ando pelas ruas dessa cidade como se fossem o quintal de casa, queimo no calor desgraçado de outubro sem reclamar muito, e adoro tirar a jaqueta do guarda-roupa pra usar nos dias de chuva! Êêê Goiais, caba nao... que mané ficar adivinhando o que eu poderia ser ou ter sido. Eu nasci pra ser goiana, entao o jeito é encarar o papel. Ihul!
 
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